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Sem treinadores no país que reúne os melhores fundistas e meio-fundistas do mundo, Julius Yego desenvolveu sua técnica assistindo aos vídeos dos melhores do mundo


Yego fez oitava melhor marca de todos os tempos
Julian Finney/Getty Images
Yego fez oitava melhor marca de todos os tempos

Alguma coisa muito interessante está acontecendo no Mundial de Atletismo de Pequim. Países que se especializaram e ainda dominam um naipe de provas estão se desenvolvendo e ganhando medalhas em disputas bem diferentes. É o caso da Jamaica, por exemplo. A ilha da velocidade ganhou um bronze no arremesso de peso com O'Dayne Richards. Nesta quinta-feira, o Quênia, que reúne boa parte da nata dos meio-fundistas e fundistas, ganou ouro no lançamento do dardo, com Julius Yego, com 92,72m. O africano já era o favorito, devido às marcas que obtivera na temporada.

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A história de Yego é uma daquelas que rendem roteiro de filme. Sua trajetória foi contada durante a Olimpíada pelo "New York Times". Em Londres, ele alcançara a final e ficou em 12º lugar. Embora tenha desempenho excepcional nas corridas mais longas, o Quênia simplesmente não tinha treinador para orientar o rapaz no lançamento do dardo.

Dessa forma, ele recorreu ao YouTube para observar os melhores do mundo e basear seus treinos na imitação. O autodidata começou a se interessar pela prova influenciado pelo irmão, que atirava gravetos, e passou a praticar o esporte na escola. Os Jogos de Atenas, em 2004, o estimularam a se dedicar mais. No ano seguinte, o único dardo de sua escola se quebrou. Ele foi salvo pelo professor de geografia, que lhe comprou outro. O investimento deu resultado, e, no ano seguinte, Yego bateu o recorde júnior de seu país.

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Na entrevista concedida durante a Olimpíada, Yego explicou os motivos de sua escolha. "No Quênia,todos correm, mas nem todos ganham, nem todos chegam às Olimpíadas".

O recorde lhe deu visibilidade e lhe proporcionou um empurrão do tipo tradicional no esporte do seu país. Ele passou a receber apoio da polícia. O grande Paul Tergat, que já foi dono da melhor marca do mundo na maratona, tinha o cargo de sargento, e até o sistema penitenciário patrocinava um time de vôlei.

O lançamento de Yego, que lhe deu a vitória na final desta quarta-feira, é o oitavo mais longo de todos os tempos, o melhor desde 2001. O queniano agora é o terceiro melhor lançador da história, atrás do recordista mundial, o checo Jan Zelezny (que tem seis das oito melhores marcas de sempre) e do finlandês Ante Parviainen. O pódio em Pequim foi completado pelo egípcio Ihad El Sayed (88,99 metros) e pelo finlandês Tero Piktamaki (87,64).

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