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Jamaicano, que vinha de duas más temporadas e se via acossado por Gatlin, vence nos 100m rasos por um centésimo


Bolt brinca com o público
Patrick Smith/Getty Images
Bolt brinca com o público







O jamaicano Usain Bolt calou os céticos ao vencer pela terceira vez consecutiva os 100 metros rasos do Mundial de Atletismo neste domingo, com sua melhor marca do ano (9s79), batendo por um só centésimo o homem mais rápido do mundo nas duas últimas temporadas, o americano Justin Gatlin, que parecia favorito.

A música "One Love", de Bob Marley, voltou a tocar no Ninho de Pássaro, em Pequim, como sete anos atrás na conquista dos Jogos Olímpicos de 2008, em honra à lenda da velocidade mundial, agora tricampeão mundial, bicampeão olímpico e recordista dos 100 e 200 metros.

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O jovem americano Trayvon Bromell, de apenas 20 anos, dividiu a terceira posição com o canadense Andre de Grasse, destaque dos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Ambos terminaram a prova com os mesmos 9s92, conquistando a medalha de bronze.

Gatlin era uma ameaça real à hegemonia do jamaicano. O americano era, inclusive, considerado favorito e mais bem cotado nas bolsas de apostas, por liderar o ranking de melhores tempos do ano com 9s74. Bolt ocupava apenas a sexta posição, com 9s87. A possibilidade de derrota ganhou ainda mais força na semifinal, quando o jamaicano largou muito mal e quase caiu. Porém, conseguiu uma recuperação belíssima e venceu a série com 9s96, mesmo tempo de De Grasse.

Gatlin, na sequência, mandou o último recado: cravou 9s77 na prova classificatória para a decisão. A diferença entre ambos - 19 centésimos - parecia sugerir algo.

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Bolt enfrentou, talvez, o desafio mais complicado de sua carreira desde que se transformou na maior estrela do atletismo. Mas voltou a mostrar, como em outras ocasiões, uma recuperação que só as lendas do esporte são capazes de atingir.

Há dois anos, por exemplo, dúvidas rondavam o desempenho de Bolt no Mundial de Moscou. Dois meses antes, em Roma, foi derrotado por Gatlin. Por apenas um centésimo, mas era a primeira derrota do jamaicano em um ano. No entanto, na final, o recordista mundial superou o rival americano por 0s8 e confirmou o bicampeonato.

Em 2012, Bolt chegou aos Jogos Olímpicos de Londres com duas derrotas, desta vez para o compatriota Yohan Blake nos campeonatos nacionais, tanto nos 100 como nos 200 metros rasos. Na hora da decisão, porém, confirmou o ouro em ambas as provas.

Neste domingo, a diferença entre os dois atletas pode ter ocorrido na largada. Gatlin foi seis milésimos mais lento que o adversário, que também saiu mal (0s165 do americano contra 0s159 do jamaicano). Na sequência, Bolt foi bastante pressionado, mas conseguiu confirmar mais uma vitória. Um raio pode, sim, cair três vezes no mesmo lugar. 

Apesar de se mostrar feliz por triunfar pela terceira vez seguida nos 100 metros rasos do Mundial de Atletismo, Bolt afirmou que pode correr ainda mais rápido.

"Pode ser dito que estive fora de tom na corrida. Posso correr mais rápido", admitiu Bolt.

O Raio indicou que voltou a ter uma largada ruim na final, mas garantiu que chegou à grande decisão "relaxado e sem estresse". Porém, admitiu que depois de se atrapalhar antes da disputa pela medalha, foi conversar com seu treinador.

"Ele me disse que eu me preocupo demais. E tem razão, porque sei exatamente o que é preciso fazer. Essa receita de confiança funcionará também nos 200 metros, que é minha prova favorita", revelou a estrela jamaicana.

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Bolt afirmou que seu objetivo é "ser o número um até minha aposentadoria". Além disso, destacou que a vitória de hoje "significa muito" por ter se recuperado recentemente de uma lesão.

Gatlin, por outro lado, disse que está "satisfeito" apesar de ter desperdiçado a chance de bater o rival e ficado com o segundo lugar. Seu semblante, no entanto, não correspondia com essa afirmação.

"Nos últimos cinco metros tropecei um pouco e perdi meu ritmo", indicou o americano, para explicar a queda de desempenho justo no fim da prova, que não atribuiu ao desgaste da semifinal.

"Todos querem ganhar, mas vim e disputei de igual pra igual com um grande", disse Gatlin em referência a Bolt, acrescentando que ainda pode ameaçar a hegemonia do rival no futuro.

Bolt se o atleta com mais medalhas de ouro na história do Mundial de Atletismo. O velocista já subiu nove vezes ao topo do pódio, e também é recordista em medalhas no geral, com 11. O número ainda pode aumentar nos próximos dias, já que Bolt ainda deverá participar dos 200 metros e do revezamento 4x100 metros.

O jamaicano desempatou hoje nos dois registros históricos com o americano Carl Lewis, que subiu ao pódio dez vezes em Mundiais, sendo em oito no lugar mais alto.

Outro velocista dos Estados Unidos, Michael Johnson, também conquistou oito medalhas de ouro, mas não conseguiu nenhuma prata ou bronze, por outro lado. As grandes estrelas do passado levam uma desvantagem aos fenômenos de hoje. De 1983 a 1991, o Mundial era disputado a cada quatro anos. A partir de 93, a periodicidade caiu para dois anos.


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