Seleção de novas volta depois de cinco anos e estreou com vitória sobre a equipe principal da Holanda na Copa Yeltsin

O técnico José Roberto Guimarães convocou uma “seleção de novas” pela primeira vez em 2006, dois anos antes da conquista do ouro olímpico em Pequim. A equipe contava com jogadoras promissoras, que não estavam mais na base, mas que ainda não tinham chegado ao time principal. Agora, cinco anos depois e às vésperas de mais uma Olimpíada , o técnico repete a experiência e observa jovens talentos, já se preparando para 2016.

“Foi uma grata surpresa em 2006 e espero que seja mais uma vez gora. É bom para as jogadoras, pela possibilidade de estar na seleção, ter a proximidade com as outras atletas e ser observadas mais de perto”, diz José Roberto Guimarães.

Thaísa esteve na seleção de novas em 2066 e foi campeã olímpica em Pequim
Divulgação/CBV´
Thaísa esteve na seleção de novas em 2066 e foi campeã olímpica em Pequim
Em 2006, o treinador chamou as “novas” Dani Lins (levantadora), Joycinha (oposta), Fernanda Garay (ponta) e Thaísa (central) para compor o time que disputaria a Copa Pan-Americana. A seleção levou o ouro e algumas dessas novatas logo se firmaram como atletas da seleção adulta principal. Foi o caso de Thaísa, que conseguiu uma vaga no grupo que seria campeão em Pequim.

Agora, o Brasil volta a ter uma seleção de novas e disputa a Copa Yeltsin, na cidade de Yekaterinburgo, na Rússia. Estão no time: Ana Tiemi e Claudinha (levantadoras), Tandara e Priscila Daroit (opostas), Ivna (ponteira), Natália Martins, Andressa e Natasha (centrais). Para completar, Zé Roberto chamou algumas jogadoras da equipe principal: Joycinha (oposta), Sassá (ponteira), Adenízia (central) e Camila Brait (líbero).

Logo na estreia, o Brasil venceu a seleção principal da Holanda com facilidade, por 3 sets a 0, com parciais de 25/22, 25/19 e 25/16.

“Para as novatas, é viver a realidade de estar perto das jogadoras mais experientes e realizar um sonho. Isso faz com que elas se esforcem mais na temporada porque, quem for bem na Superliga, ganha uma chance agora”, explica o técnico. “E para quem é da seleção A e está na equipe de novas é uma oportunidade de jogar mais e dar experiência. Não foi um ‘rebaixamento’ ou coisa assim. Se ficassem na A, poderiam ficar muito mais no banco do que jogando”, completa.

Todas das jogadoras tiveram seis semanas de trabalho juntas no centro de treinamento em Saquarema antes de a principal embarcar para o México, onde disputa a Copa Pan-Americana e segue invicta , e a de novas seguir para a Rússia.

Sassá será a capitã da seleção de novas e terá a responsabilidade de passar experiência ao time
Divulgação/CBV
Sassá será a capitã da seleção de novas e terá a responsabilidade de passar experiência ao time
A proposta de José Roberto Guimarães nesta temporada é um pouco diferente de 2006. Naquele ano, o técnico ainda pensava nas Olimpíadas de Pequim, tanto que aproveitou Thaísa. Agora, para ele o foco é 2016 e, quem sabe, ter alguma surpresa para 2012.

“Londres já está aí. Mas o grupo ainda não esta fechado. As semanas de treinamento em Saquarema foram benéficas para conhecermos melhor essas atletas”, diz. “Mas contamos com essas jogadoras principalmente para 2016. Apesar de termos um time que ainda é jovem, temos que pensar no futuro. A gente precisa estar com esse grupo preparado porque cinco anos não é muito tempo para formarmos uma jogadora. Optamos por começarmos esse trabalho com antecedência. E deu certo em Pequim”.

Das novatas de 2006, todas já passaram pela seleção principal até hoje. Além de Thaísa, Dani Lins, por exemplo, se reveza no papel de levantadora titular com Fabíola. Esse sucesso pode animar as recém-chegadas ao time. José Roberto, entretanto, ainda é cauteloso e prefere não apontar nenhuma atleta como o novo talento do País.

“Não posso fazer isso para não criar expectativas. Mas acho que passar pela seleção de novas muda na carreira da jogadora pela experiência. Para mim, como técnico, não muda nada porque estar lá não é condição sine qua non de que a atleta terá um lugar na seleção principal. Mas para a atleta, é a chance de mostrar a que veio”, afirma.

“Vamos desfazer a seleção de novas depois da Copa Yeltsin e quem se sair melhor pode seguir na A para um torneio amistoso que faremos aqui no Brasil e para o Grand Prix”, fala o técnico.

Quais as apostas entre as novatas?

Levantadora Claudinha veste a camisa da seleção adulta pela primeira vez
Divulgação/CBV
Levantadora Claudinha veste a camisa da seleção adulta pela primeira vez
Entre as jogadoras convocadas, somente a levantadora Ana Tiemi já foi da equipe principal, como reserva de Carol Alburque logo após a aposentadoria de Fofão. Já levantadora Claudinha, a oposta Priscila Daroit, as ponteiras Ivna e Tandara, além das centrais Natasha e Andressa jogam pela primeira vez uma competição com a seleção adulta.

Todas as jogadoras convocadas para a Copa Yelstin atuaram na Superliga 2010/2011 e algumas foram destaque nas estatísticas.

Quem mais chamou atenção nos números foi a Priscila Daroit. Mesmo eliminada antes dos playoffs, a jogadora do BMG/Mackenzie fechou o torneio como a 8ª maior pontuadora (366 bolas no chão) e com o segundo melhor saque (7,84% de aproveitamento, atrás apenas de Thaísa).

Tandara é outra que merece atenção. Ela é uma jogadora versátil, que atuou como oposta na temporada 2009/2010, se tornou ponteira no Vôlei Futuro e vai voltar à posição de oposta na próxima temporada com a camisa do Sollys/Osasco. Na Superliga, ela foi a 9ª na lista de pontuadoras (358 acertos) e a 6ª melhor atacante (22,29% de eficiência).

Natasha e Claudinha, as duas do Usinimas/Minas também tiveram bons números. A central Natasha foi a 10ª no bloqueio e a levantadora Claudinha a 6ª em sua posição.

Dessas jogadoras entretanto, Claudinha, e Ana Tiemi, titular do time de novas, podem ter mais chances de seguirem na seleção, já que o Brasil ainda não tem uma levantadora titular absoluta desde a saída de Fofão e ainda alterna Dani Lins e Fabíola. Entretanto, Tiemi já passou pelo posto, mas não se firmou.

Já para oposto, Sheilla é rainha da vaga, mas a reserva ainda pode estar aberta para Joycinha, Priscila ou Tandara. Apesar de Natasha e Natália Martins terem ido bem no meio, a seleção conta com Thaísa e Fabiana como donas dos postos. O desempenho na Copa Yeltsin dirá quem fica ou não sob o comando de José Roberto Guimarães.

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