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Vôlei procura gigantes, mas baixinhos "sobrevivem" nas quadras

Nesta temporada, os mais altos eram os opostos. Mas atacantes de meio mais baixos também deram trabalho

Aretha Martins, iG São Paulo |

O voleibol é cada vez mais um esporte para gigantes. Assim como nos grandes torneios internacionais, na Superliga 2010/2011 os jogadores altos têm cada vez mais espaço. Os “baixinhos”, porém, não foram esquecidos. O torneio nacional também mostra que, com habilidade, ainda é possível brilhar nesse universo de grandalhões mesmo sem ser um deles.

“O nível do voleibol está crescendo tanto que as equipes, para se reforçar, estão buscando jogadores altos em todas as posições. A gente busca os mais altos e tenta trabalhá-los para determinadas funções”, afirma o José Montanaro Júnior, supervisor das categorias de base do Sesi-SP.

Seguindo essa premissa, os jogadores mais altos não atuam apenas no meio de rede. Nesta temporada, os dois gigantes do torneio são Renan, com 2,17m, e Leandro Vissotto, com 2,12m, opostos do BMG/São Bernardo e do Vôlei Futuro, respectivamente.

“Quem não é tão alto, como um meio de rede de menos de 2m no masculino e menos de 1,85m no feminino, tem que desenvolver uma leitura muito boa do bloqueio adversário e tem que ter um braço muito rápido para dar velocidade ao ataque”, analisa Montanaro. Valeskinha, central do Unilever, segue esse exemplo. Com 1,80m, ela é a maior bloqueadora da história da Superliga.

Vamos moldar o gigante

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Fidele, de 2,08, virou levantador após um treino na seleção juvenil
Fidele é o exemplo de jogador alto que foi trabalhado para atuar em uma nova função. Com 2,08m, ele já jogou na ponta, no meio e como oposto. Em um amistoso da seleção masculina juvenil, foi líbero. E, agora, é o levantador mais alto do vôlei nacional.

“Eu estava na seleção e o Percy (técnico do time juvenil) me convidou para fazer um teste. Ele pediu para eu levantar três bolas e acertei as três. Ainda joguei um tempo como levantador e atacante, e a partir de 2006 virei apenas levantador”, conta Fidele, do BMG/São Bernardo.

Mas não é fácil ser um levantador com essa altura. “Sei que tenho que fazer um trabalho diferenciado durante toda a temporada. Eu tenho que ganhar agilidade, porque quem é mais baixo consegue se movimentar mais”, explica. “Mas agora eu sou levantador e não quero mais mudar. Sinto saudades de dar umas porradas na bola e já sofri porque sempre fui aquele cara fominha, mas aprendi a jogar nessa posição e agora peguei gosto”, completa.

A Superliga ainda tem líberos que são mais altos do que o comum para a posição. É o caso de Polaco, do Pinheiros/Sky, de 1,93m e o maior na posição. Ele já foi atacante, mas aprendeu a atuar no fundo.

Gigante no meio ou na saída?

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Renan visitou Lula depois do título mundial em 2009 e ex-presidente ficou pequeno ao lado do atacante
Renan, companheiro de Fidele, começou jogando como meio de rede em Uberlândia. Veio para São Paulo e fez testes na capital como oposto. Foi aprovado na nova função. Entretanto, a seleção juvenil tinha apenas três centrais, e o técnico pediu que ele ajudasse nos treinos. “Eu fui ficando. A gente foi campeão mundial em 2009 e fui eleito o melhor bloqueio do torneio. Acho que deu certo, né?”, fala Renan, de 2,17m. “Mas fui muito difícil ter que voltar para o meio. Tive que aprender a jogar de novo”, comenta.

De volta ao time, ele segue como oposto e se diz feliz. “Eu não quero mais jogar no meio, não. É muito mais difícil do que jogar na saída. No meio você tem que bloquear para os dois lados, e como oposto você cuida só ali do seu quadrado”, explica.

Entretanto, um oposto tem que fazer o seu papel no ataque e no bloqueio, mas também tem que estar alerta para ajudar nas passagens do fundo de quadra. E se jogar na bola quando se tem mais de 2,00m nem sempre é fácil. “Eu não gosto de defender, mas tenho que treinar e tentar ajudar”, diz Renan.

Leandro Vissotto, o outro oposto gigante da Superliga, sempre jogou nas pontas e, talvez por isso, tenha se acostumado mais a atuar também nas passagens do fundo de quadra. “Defesa não é a nossa prioridade. Somos altos, e fazendo bem o ataque e o bloqueio já está de bom tamanho. Mas eu confesso que fico feliz quando consigo uma bela defesa”, afirma o jogador do Vôlei Futuro.

E os dois gigantes podem “entrar em conflito” em uma convocação para a seleção principal. Vissotto é o atual oposto titular do time de Bernardinho, mas Renan é uma promessa para os próximos anos. “Se o Bernardinho convocar os dois, eu posso escolher ficar como oposto, afinal sou maior do que ele”, brinca Renan.

Mais baixos e mais habilidosos

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Valeskinha, dona da camisa 10, é peça fundamental do bloqueio da Unilever, apesar de ter apenas 1,80m
Quem é menor tem a vantagem de ser mais ágil e, geralmente, exerce melhor a função do fundo de quadra. Mas alguns baixinhos aproveitam a velocidade de braço ou a facilidade de pular e acompanhar as jogadas para se destacar na rede.

Para Montanaro, entre as mulheres, uma central no voleibol atual deve ter mais de 1,85m. Se estiver na casa de 1,90m, melhor ainda. Além disso, as atacantes de entrada e saída devem estar ali perto, em torno de 1,80m. Entretanto, diversos times apostam em atacantes com 1,75m, por exemplo. Outros preferem a experiência à altura.

É o caso do Unilever, com a central Valeskinha. A veterana de 34 anos é a central mais baixa da Superliga e nesta temporada alcançou o posto de maior bloqueadora da história da competição nacional. “Eu acho que ataco bem, mas o bloqueio é mesmo o meu forte. E na minha época as meninas não eram tão altas assim. Então, para o meu tempo, eu estou na média”, brinca a campeã olímpica que também já jogou como ponteira.

Veja os mais altos “fora do lugar” e os baixinhos que se aventuram na rede na Superliga 2010/2011 *

Gigantes fora do meio

Nome Altura Posição Time

Renan

2,17m

oposto

São Bernardo

Fidele

2,08m

levantador

São Bernardo

João Paulo Tavares

2,05m

ponta

Cimed

Polaco

1,93m

líbero Pinheiros/Sky

Rosamaria

2,00m oposta Brusque

Jéssica

1,91m ponta Praia Clube


Baixinhos longe da defesa

Nome Altura Posição Time
Valeskinha 1,80m central Unilever
Elis 1,66m ponta Vôlei Futuro
1,92m central São Caetano

*com base nos números da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV)

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