Equipe brasileira foi derrotada pela Rússia na final do torneio no Japão e foi prata pelo segundo ano consecutivo

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O choro depois da derrota para a Rússia na final do Campeonato Mundial feminino deu lugar ao sentimento de orgulho no desembarque da seleção feminina nesta manhã, no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo. Depois de horas de vôo de volta para casa, uma parada com direito a conversa em Frankfurt, na Alemanha, as lágrimas foram substituídas por um tímido sorriso.

Depois do jogo passou um filme na cabeça. A gente queria tanto e lutou tanto... Mas agora é colocar a cabeça no lugar. Bate um sentimento de ter feito um bom trabalho, disse a levantadora Fabíola.  Queria o título, mas valeu pelo que o grupo progrediu em pouco tempo, comentou a ponteira Natália. É claro que ninguém queria o segundo lugar, mas tenho orgulho desse grupo, afirmou Jaqueline, outra titular na ponta.

A seleção brasileira chegou invicta à decisão, com 10 vitórias em 10 partidas e foi derrotada pela Rússia na briga pelo título, por 3 sets a 2. Dois dias depois, ainda é difícil encontrar justificativas para o tropeço.

Eu não sei falar o que faltou para conquistar o título, disse a oposta Sheilla, primeira a parecer na área de desembarque. Na final faltou um pouco em uma hora e um pouco em outra. E as russas foram melhores e foi mérito delas também, afirmou Natália. Acho que o problema foi o quarto set. Aquilo abalou a equipe, explicou o técnico José Roberto Guimarães.

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Jaqueline e Fabíola desembarcam em São Paulo depois do vice no Mundial

Na decisão, o Brasil venceu o primeiro e o terceiro set e perdeu p quarto por 25 a 14. Depois, abriu 7 a 6 no tie-break, mas o árbitro coreano Kun-Tae Kim assinalou como fora uma bola atacada por Sheilla marcada como dentro pelos bandeirinhas. O erro ainda não foi esquecido pelas brasileiras.

Contra o Brasil, todo mundo dá golpe fora e nunca mostram o replay das bolas duvidosas. Acho que aquele ponto prejudicou o lado psicológico, afirmou Jaqueline. Se fosse nosso ponto, teríamos feito 8 a 6 e viraríamos de quadra na frente. Mas acabou que a Rússia virou e nesse momento, a jogadora, quanto mais acerta, mais cresce no jogo. Aquele ponto seria muito importante, analisou José Roberto. A gente queria ter feito a nossa parte ali no tie-break, mas infelizmente aconteceu aquilo. Foi uma fatalidade mesmo, completou Jaqueline.

O téncico ainda voltou a reclamar da escalação do árbitro. "O problema é que a gente já tinha pedido para não colocarem o juiz coreano. Antes de começar o jogo, eu fui à mesa e perguntei qual a razão para isso. E falaram: 'Ah, mas é a última vez que ele apita uma decisão'. Mas tinha que apitar logo agora?".

Além do erro do juiz, o Brasil não conseguiu parar a gigante Gamova, de 2,02m. A russa marcou 35 pontos, sendo oito no set decisivo. A Gamova estava em um dia inspiradíssimo. Acho que o dia 14 de novembro será o dia da Gamova. A partir de agora ela vai ter dois aniversários para comemorar, brincou a líbero Fabi.

José Roberto elogiou outra jogadora rival. "Na minha opinião, a melhor jogadora, a que segurou o time da Rússia o tempo inteiro no passe, no ataque, na recepção foi a Sokolova. Ela foi primordial".

Agradecimentos ao grupo
Jogadoras e técnico também ressaltaram a força do grupo ao longo do Campeonato Mundial. O Brasil teve que jogar sem duas titulares, Paula Pequeno e Mari, cortadas por lesão, e voltou para casa com uma medalha enquanto favoritos como Estados Unidos ou Itália não chegaram ao pódio no Japão. No aeroporto, a equipe foi recebida com aplausos de alguns torcedores que estavam no local.

Isso é o que mais me emociona, por todo o empenho e dedicação que elas tiveram. Quando a gente olha quem ficou para trás, disputando de quinto a 12º, com times como Itália, Sérvia, dá um alívio. Cada jogo foi uma batalha, tendo que ganhar e deixar o adversário marcar o menor número de pontos possível. Tenho que dizer que a gente lutou até o final e isso quer dizer muito para mim, falou José Roberto Guimarães. E o Brasil tem mantido uma sequência de pódios em todas as competições. Só ficou fora com o quinto lugar no Grand Prix de 2007. Todas as outras, Estados Unidos,Sérvia, Itália, variam, oras chegam entre os primeiros e oras saem, lembrou o treinador.

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Para José Roberto, o mais importante do Mundial foi a luta da seleção em quadra

Na escala em Frankfurt, na volta para casa, o técnico fez questão de conversar com suas atletas. Foi uma conversa de agradecimento, por tudo que a gente fez, pela dedicação, por seis meses de trabalho duro. Foi para fechar o ano, já que agora elas se despedem da seleção, vão para os clubes e a gente só vai se ver se de novo em maio, explicou o treinador.

Ele agradeceu ao grupo e isso foi muito legal, completou Jaqueline. E acho que seis anos de seleção esse foi o ano para mim, pelo grupo. Acho que o companheirismo, o afeto mesmo, com todo mundo ali se abraçando de uma maneira que eu nem esperava, são as lições que ficam desse Mundial, afirmou a jogadora.

E o grupo garante estar de cabeça erguida e pronto para outra."Agora é focar na Olimpíada de Londres", disse Sheilla. A seleção lutará pelo bicampeonato nos Jogos de 2012.

E, passado o Campeonato Mundial, nada de criar traumas contra as russas, que já haviam batido o Brasil na final em 2006 e na decisão olímpica em Atenas.

Perdemos a final do Mundial, mas depois, ganhamos por 3 a 0 em 2008 e elas mal fizeram 20 pontos em três sets. E quem fez a final do Grand Prix do ano passado? O jogo que decidiu foi Brasil e Rússia. E que ganhou? A gente, no tie-break. São duas equipes muito iguais e que dependem do dia e do momento. Um dia se perde, no outro se ganha. Pena que no Mundial foram elas, disse José Roberto.

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