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Time de empresa de ônibus, Vôlei Futuro admite o não uso do cinto

Clube pertence à Reunidas Paulista, com sede em Araçatuba. Acidente machucou gravemente jogadora norte-americana

Marcel Rizzo, iG São Paulo |

As jogadoras do Vôlei Futuro não usavam cinto de segurança e algumas até andavam pelo ônibus momentos antes do acidente ocorrido na terça-feira (12 de abril), em Osasco, cidade da Grande São Paulo. O veículo no qual o elenco se dirigia para a partida contra o Sollys/Osasco tombou próximo ao ginásio José Liberatti e feriu jogadoras e membros da delegação . A norte-americana Stacy Sykora continua internada no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, com traumatismo craniano.

O Vôlei Futuro tem como proprietário uma empresa de ônibus, a Reunidas Paulista, que pertence ao Grupo Constantino, de Constantino de Oliveira Júnior, também dono da aérea GOL. O motorista que dirigia é funcionário da empresa e, por ser um dos mais experientes, é o orientador de um grupo de condutores da Reunidas, que tem sede em Araçatuba, interior paulista, como o clube.

Futura Press
Ônibus que levava a delegação do Vôlei Futuro tombou próximo ao estádio

"O motorista orienta para colocar o cinto, mas a ida do hotel para o ginásio é um momento de confraternização das jogadoras, elas conversam entre elas, ficam trocando Ipod (aparelho de MP3). Foi errado? Claro que foi. Poderia ter evitado um acidente maior. Orientamos, mas às vezes ficamos como os chatos. Mas ainda estamos avaliando o que causou o acidente, a polícia está ajudando", disse ao iG Basílio Torres Neto, diretor da equipe. O percurso entre o hotel e o ginásio era de dez minutos.

O ônibus que levava a delegação do Vôlei Futuro era exclusivo da equipe, inclusive pintado com as cores e com o nome do time bem visível e não pertence à Reunidas. Leito, para suportar a longa viagem de Araçatuba para as cidades onde as partidas da Superliga acontecem (são 520 km até a capital), o ônibus tem um assento do lado direito e dois do esquerdo. No acidente, o veículo tombou para a direita e as pessoas do lado esquerdo caíram sobre aquelas que estavam no outro lado.

No site oficial da Reunidas, a ponteiro Paula Pequeno, principal jogadora da equipe, atua como garota propaganda em um vídeo institucional no qual apresenta as vantagens de fazer uma longa viagem, como de São Paulo a Araçatuba, para o meio ambiente. Paula diz que escolheu a Reunidas para jogar e viajar por conforto e segurança.

A maioria das jogadoras teve ferimentos leves no acidente . O cinegrafista do time quebrou o braço e o motorista teve que ser hospitalizado na terça por causa de uma crise de hipertensão - já teve alta. A única em estado grave, mas estável, é a líbero Sykora, que teve traumatismo crânio-encefálico e pequenas hemorragias no cérebro. A pedido da família, o hospital não divulga boletins, mas a diretoria do Vôlei Futuro divulgou que não há risco de morte e que a definição grave é praxe em casos nos quais o paciente está com trauma na cabeça.

Perigo

Um estudo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia mostrou que caso todos os ocupantes de um ônibus estejam usando o cinto de segurança o número de mortos e feridos pode ser 75% menor comparando com acidente com os usuários sem o cinto.

Desde 1999, os ônibus precisam ter cinto de segurança e é obrigatório o uso para todos os passageiros, com exceção dos veículos que façam trajetos mais curtos, dentro de cidades ou de regiões metropolitanas, quando é permitido que a maioria fique de pé. As empresas, porém, não são multadas caso a regra não seja cumprida. Pelo código de trânsito a multa vai para o motorista (infração grave, cinco pontos na carteira e pagamento de R$ 127,69). O veículo pode ser retido.

Resolução da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), de 2005, obriga as empresas a informarem a obrigatoriedade do uso do cinto aos passageiros. Pesquisa feita pelo SOS Estradas mostra que somente 2% dos passageiros utilizam os cintos em ônibus intermunicipais e interestaduais.

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