Quatro meses após acidente, líbero segue com sua recuperação no centro de treinamento da seleção americana

Treinos com bola, terapia e as Olimpíadas de Londres na cabeça. Esta é a rotina da líbero norte-americana Stacy Sykora exatos quatro meses depois do acidente com o ônibus da delegação do Vôlei Futuro a caminho da primeira partida da semifinal da Superliga 2010/2011, no dia 12 de abril.

Em entrevista exclusiva ao iG , por e-mail, a jogadora, que treina ao lado da seleção norte-americana, disse estar empolgada com a recuperação. “Eu me sinto melhor a cada dia”, afirma. Entretanto, ainda não há uma previsão exata para que ela volte a jogar no alto nível. “Eu não sei em que estágio da recuperação eu estou porque a recuperação de cada um é diferente. Mas estou tendo uma vida normal e jogo todos os dias”, comenta.

Stacy faz oração antes de entrar em quadra pela seleção dos EUA no Grand Prix de 2010
Divulgação/FIVB
Stacy faz oração antes de entrar em quadra pela seleção dos EUA no Grand Prix de 2010

Para Stacy, que já participou de das Olimpíadas de Sydney, Atenas e Pequim, e foi eleita a melhor líbero do Campeonato Mundial de 2010, participar dos Jogos de Londres, em 2012, é o objetivo a ser alcançado. “Quero voltar a jogar, é claro”.

A líbero foi a única atleta com ferimentos graves no acidente de abril. O que foi dado como um corte na cabeça logo virou um quadro grave. A jogadora foi levada de ambulância para o hospital e, ao chegar lá, começou a ter dificuldades em sua respiração e entrou em estado crítico. Stacy sofreu um traumatismo crânio-encefálico e passou uma semana internada na UTI .No total, foram 25 dias de internação .

Após a alta, a atleta, que teve seu contrato com o Vôlei Futuro renovado para a temporada 2011/12, seguiu para os Estados Unidos. Lá ela prosseguiu o tratamento e treina com a seleção em Ahaheim, na Califórnia, desde maio. “Ainda temos um time aqui mesmo com uma equipe no Grand Prix”, explica. “Já estou treinando com bola. O que eu trabalho mais são o passe e a defesa, claro, porque sou uma líbero”, brinca a jogadora. “Fazemos o que o nosso técnico manda”.

Entretanto, Stacy Sykora pode ter ficado com alguma sequela do acidente. Segundo reportagem publicada no jornal The New York Times do final de julho, ela comparecia ao hospital três vezes por semana para tratar de algumas pequenas lesões cerebrais, como problemas de visão e na memória cognitiva. Perguntada pelo iG sobre estágio atual de tais lesões, a atleta preferiu não responder.

Motivação e volta ao Brasil

Ainda que sem jogar no alto nível, treinar com a seleção norte-americana é uma motivação a mais para Stacy. “Eu as vejo como minhas irmãs e não apenas como companheiras de time. Elas são minha família e fazem essa volta valer a pena todos os dias”.

Apesar do apoio, voltar logo para o Brasil está nos planos da líbero. “Vou voltar ao Brasil e mal posso esperar para jogar pelo Vôlei Futuro de novo. Eles têm sido maravilhosos comigo e têm cuidado muito bem de mim. Vou voltar quando for liberada da seleção”, diz. A expectativa é que ela seja reintegrada na equipe paulista em novembro.

Enquanto isso, o contato com as novas e antigas companheiras de Vôlei Futuro é mantido. “Falamos com ela de vez em quando por Facebook e ela está com muita vontade de voltar para o Brasil e vontade de jogar. Ela está se recuperando bem”, fala Carol Gattaz, um dos reforços do time de Araçatuba para a temporada.

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