“Não vou deixar isso me abater porque, aconteça o que acontecer, terei a consciência tranqüila de que não tomei nada”, disse ao iG

Pedro, ao lado das irmãs Carol e Maria Clara. Elas foram as primeiras a saber do caso de doping
Divulgação/FIVB
Pedro, ao lado das irmãs Carol e Maria Clara. Elas foram as primeiras a saber do caso de doping
Aos poucos, o jogador de vôlei de praia Pedro Solberg tenta “colocar a cabeça no lugar”, como ele mesmo diz, e foca sua defesa no recente caso de doping. O atleta recebeu um e-mail da FIVB (Federação Internacional de vôlei) dizendo que havia sido flagrado em um exame no dia 30 de maio. A CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) confirmou na tarde de quarta-feira a suspensão temporária do atleta .

“Quando eu soube, eu chorei e fiquei muito tenso. Agora estou conseguindo colocar a minha cabeça no lugar. Eu não vou pirar. Não vou deixar isso me abater porque, aconteça o que acontecer, eu terei a minha consciência tranquila de que eu não tomei nada e ninguém vai tirar isso de mim”, afirma o jogador em entrevista exclusiva ao iG , pouco depois de uma reunião com membros da CBV nesta tarde. “Ainda não tem nenhuma novidade. Só fui lá receber um abraço”, explica.

Pedro Solberg testou positivo para esteróide exógeno 5a-androstane-3a,17b-diol, uma substância que ajuda a aumentar a massa muscular. Ele foi notificado pela FIVB na Rússia, quando se preparava para mais um Grand Slam da temporada.

"Logo que recebi o e-mail lá em Moscou, corri para o quarto das minhas irmãs. Lemos juntos e de lá mesmo eu liguei para minha mãe. Voltei para o Brasil e estou na casa dela. Ela já foi atleta, sabe como é o esporte e sabe que eu não faria nada disso", conta.

O atleta já pediu uma contra-prova do exame, e o resultado sai na próxima quarta-feira. “Tenho que torcer por um erro. Essa seria a única explicação. Sei da competência da Wada, mas até os melhores erram, como os ruins também acertam. Mas não estou apostando todas as minhas fichas, por isso estou correndo atrás também. Sei que é muito difícil dar negativo, mas estou torcendo”.

Pedro, ao lado das irmãs Carol e Maria Clara. Elas foram as primeiras a saber do caso de doping
Divulgação/FIVB
Pedro, ao lado das irmãs Carol e Maria Clara. Elas foram as primeiras a saber do caso de doping

Desde que voltou ao País, na quarta-feira, ele passou por consultas médicas e falou com seu advogado para tentar entender o que aconteceu. “Estou convicto de que não tomei nada. Para mim, foi uma surpresa porque eu não tive contato com nenhuma substância manipulada, nada. Agora estou fazendo tudo para entender o que aconteceu. Estou lendo e pesquisando sobre o assunto para achar alguma coisa”, falou.

Solberg já cogitou até ter algum problema de saúde. “Já pensei até em disfunção hormonal. Soube que tem pessoas que produzem mais testosterona que o normal e têm até tumores por causa disso. É uma possibilidade mínima, mas tenho que pensar”, disse ele, que nunca fez exames para medir seus níveis de hormônio.

Enquanto espera o novo resultado, o jogador conta com amigos e com a familía. Ricardo, que começaria uma parceria com ele daqui a duas semanas, no Grand Slam da Polônia, já sabe do caso . "Ele ficou tão surpreso quanto eu e conversou muito comigo”, conta.

Por enquanto, o sonho olímpico da nova parceira foi adiado. "Tenho que ter calma para resolver. Agora eu não tenho nem tempo e nem psicológico para pegar uma bola e treinar, mas depois vou voltar. Vou continuar trabalhando e mesmo se pegar a pena máxima (dois anos) e não for para as Olimpíadas de Londres, eu tenho chance de ir para outra", diz o jogador de 25 anos.

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