Além de apoiar o esporte, projeto de Eike tem outros dois pilares: ações sociais e formar atletas

Para o torcedor que compareceu ao Maracanãzinho quinta-feira, composto na sua maioria por crianças de comunidades carentes, o RJX é apenas o time de vôlei que representará o Rio de Janeiro na próxima Superliga masculina. Mas para seu idealizador e dono, o bilionário Eike Batista, sua comissão técnica, comandada pelo técnico Marcos Miranda, e seus jogadores, liderados por Dante, Lucão, Marlon e Théo, todos da Seleção Brasileira, o projeto vai muito além de uma quadra de vôlei.

Mais importante do que voltar a representar o Rio de Janeiro na principal competição da modalidade no país após 14 anos, o projeto, que oficialmente tem um orçamento de R$ 13 milhões (nos bastidores especula-se que o valor seja o dobro), tem como outros dois pilares contribuir com a sociedade através de ações sociais e formar atletas em áreas menos favorecidas e comunidades ocupadas por UPPs.

“É um privilégio da EBX patrocinar esse time e ter jogadores desse nível jogando no Rio de Janeiro. Espero disciplina, perseverança e muito sucesso para esse time. É um grupo de jovens brasileiros que servem de exemplos para tantos outros”, afirmou Eike Batista, após ser apresentado juntamente com o time ao lado de Márcia Lins, Secretária de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro.

Se nas comunidades o trabalho é projetado a longo prazo, dentro de quadra todos esperam que a derrota na estreia, por 3 sets a 2, parciais de 25/17, 25/19, 18/25, 16/25 e 13/15, para o Cimed, de Bruninho, Giba e Gustavo, tenha sido apenas um erro de percurso e que os resultados positivos comecem a aparecer o mais breve possível.

“Fizemos apenas duas semanas de treino para esse jogo e acho que correspondemos bem pelo tempo que a equipe foi formada. O projeto está apenas começando e ainda temos muito que progredir”, disse o central Lucão, que não escondeu a surpresa com a grandiosidade do projeto idealizado por Eike Batista.

“Talvez essa seja a primeira grande empresa do país a investir pesado no vôlei, como muitas investem no futebol. Infelizmente ainda não tivemos contato com o Eike, pois chegamos há pouco tempo da Seleção, mas ele sempre fala de seu amor pelo Rio de Janeiro e o quanto ele quer ajudar a cidade”, completou Lucão.

A perplexidade não se restringe apenas ao jovem Lucão, um dos caçulas da turma. Até o ponteiro Dante, o mais experiente do elenco, com 30 anos, se impressionou quando conheceu o projeto e aceitou a proposta para jogar no time do oitavo homem mais rico do mundo, segundo a revista Forbes.

“Já joguei em vários lugares e jamais participei de um projeto como esse. Ele é grandioso e não visa apenas o esporte. Será gratificante ter a chance de ajudar jovens carentes em comunidades ocupadas pelas UPPs e quem sabe descobrir novos Dantes, Gibas e Bruninhos. Sem essa oportunidade na vida, muitos desses meninos podiam seguir o caminho errado”, afirmou Dante.

Ensinar essas crianças a trilharem o caminho do bem pode até não ser uma tarefa tão fácil assim, mas, pelo visto, difícil mesmo será convencer os torcedores cariocas a deixarem de lado as camisas de Fluminense , Flamengo , Vasco e Botafogo para torcerem pelo RJX.

“É estranho torcer para um time sem camisa e que ainda não tem ídolos. Vou ter que adotar os jogadores da Seleção (risos). Nem sei como gritar e torcer por eles. Mas com o dinheiro que o Eike tem, eu acho legal demais ele investir. É bom para o esporte e para os atletas”, disse a vascaína Lídia Ramos, de 24 anos, que foi ao Maracanãzinho acompanhada da amiga, também torcedora do Vasco, Bárbara Barcelos, de 22.

Para o capitão Marlon, não há nada de estranho torcer ou jogar pelo RJX. Pelo contrário, segundo o levantador da Seleção Brasileira, defender um time montado por um empresário de tanto sucesso é motivo de muito orgulho.

“Não tem nada de diferente. Para mim é um orgulho e um prazer enorme representar a grandeza e a imagem de um empresário como o Eike Batista. Principalmente pelo fato de o projeto abranger muitos outros objetivos”.

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