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Ricardinho: 'Falamos para mostrar que preconceito é muito besta'

Vôlei Futuro acusou a torcida do Sada/Cruzeiro de homofobia. Time mineiro se defende em nota oficial

Aretha Martins, iG São Paulo |

Divulgação
Michael (direita) conversa com o levantador Ricardinho em partida do Superliga 2010/2011
A equipe do Vôlei Futuro para os treinos para a semifinal da Superliga masculina 2010/2011 depois a diretoria disparar acusões contra o Sada/Cruzeiro, rival da série. Na noite de segunda-feira, a diretoria, em nota oficial, acusou a torcida do time mineiro de insultar o central Michael com gritos homofóbicos na primeira partida da semifinal, em Contagem, vencida pelos donos da casa por 3 seta a 2. Nesta terça-feira, os jogadores falaram sobre o assunto. Para eles, expor o episódio foi uma maneira de evitar que o preconceito passasse em branco.

“A gente conversou com a diretoria e resolveu falar porque esse preconceito é muito besta e não pode mais acontecer no Brasil ou no mundo”, disse o levantador e capitão Ricardinho. “O grupo ficou bastante sentido por ter sido organizado. Foi muito triste ver pais e mães incentivando crianças a berrarem a mesma coisa. Elas poderiam nem entender direito o que estavam dizendo. E falamos para cortar logo o mal pela raiz e não deixar isso passar em branco”, completou o meio-de-rede da seleção brasileira e da equipe de Araçatuba Lucão.

O Sada/Cruzeiro se manifestou apenas por meio de nota oficial. “A equipe Sada Cruzeiro abomina qualquer tipo de atitude discriminatória. Na partida em Contagem, se isso efetivamente aconteceu, partiu de um grupo isolado e não pode ser considerada uma atitude generalizada da torcida”, explica o comunicado divulgado nesta terça-feira.

A equipe mineira ainda cita que os responsáveis da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que estavam em quadra não receberam reclamações sobre superlotação das arquibancadas ou falta de policiamento, outras queixas do elenco de Araçatuba. “Repudiamos o clima ruim que a diretoria do Vôlei Futuro está tentando criar e suspeitamos que o objetivo é intimidar a nossa equipe e a nossa torcida para o jogo de volta em Araçatuba”, finaliza a nota oficial.

Lucão afirma que sua equipe quis apenas se manifestar e apoiar um companheiro (Michael não quis conversar com a imprensa nesta terça-feira). E responde ao time mineiro. “Se eles acham que precisam disso para vencer o nosso time, eles estão errados. Acho isso ridículo. Eles devem tomar vergonha na cara e ver o que realmente aconteceu ou não falar nada”, afirma o jogador.

A segunda partida da semifinal será na casa do Vôlei Futuro na manhã de sábado. A partida havia sido marcada para Barueri, por exigência da TV Globo. Entretanto, após uma vistoria no ginásio, a emissora atendeu ao pedido da equipe e aceitou transmitir o jogo de Araçatuba. A Globo pediu algumas mudanças no ginásio Plácido Rocha, como uma nova cabine de transmissão e a retirada de um “braço” que segurava um telão usado em exibições de partidas no local. De acordo com a diretoria da equipe paulista, as mudanças já estão sendo providenciadas.

Foco na semifinal
O Sada/Cruzeiro está na frente na série semifinal e, com uma vitória no sábado, garante o lugar na decisão da Superliga. Entretanto, se a partida for vencida pelo Vôlei Futuro, o duelo decisivo será mais uma vez em Minas Gerais, já que o Sada/Cruzeiro teve a melhor campanha na fase classificatória. Ricardinho ainda afirma que o grupo está tranqüilo para a disputa. “Eu conversei com o Michael e ele está bem. Dentro do grupo, esse assunto de preconceito já morreu. Agora a gente está focando as energias para buscar essa vitória”.

Já Lucão ainda se preocupa com as manifestações das arquibancadas. “A gente vai com tudo conseguir essa vitória. Essa é a nossa única opção”, afirma o central. “Mas a gente não sabe o que pode acontecer se tiver um terceiro jogo lá, se pode acontecer algum tipo de retaliação pelo que falamos. Sabemos que parte da torcida é organizada do futebol e isso dá sempre problema”.

O Vôlei Futuro enviou videos para a CBV sobre a torcida na partida contra o Sada/Cruzeiro. Até a manhã desta terça-feira, o time paulista ainda não havia recebido resposta da entidade. 

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