Aos 34 anos, o veterano levantador encara com naturalidade a condição de reserva e diz que isso não o aflige

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Marlon (esquerda) faz aquecimento de rede ao lado de Bruninho antes de jogo da seleção masculina
Marlon é um dos veteranos na seleção brasileira masculina de vôlei. Mas ele não está nesta categoria pela experiência com a camisa amarela. O levantador tem 34 anos e chegou ao time de Bernardinho há apenas três anos com uma função definida: ajudar o novato e titular Bruninho, atuando como um verdadeiro escudeiro.

“Eu sei qual é o meu papel aqui dentro. Eu sei por que eu fui convocado desde o começo. O meu trabalho é fortalecer o jogo do Bruno. Quero que ele jogue plenamente, seja um grande atleta e cumpra todas as expectativas possíveis”, afirma Marlon. Em 2008, na primeira convocação, ele era o terceiro levantador. Com a saída de Marcelinho depois das Olimpíadas de Pequim, Marlon foi “promovido” a segundo na posição.

Entretanto, engana-se quem pensa que a condição de reserva aflija o levantador. “Sempre soube dessa função e declaro isso de coração aberto. Algumas pessoas dizem: ‘ah, o Marlon se omite, ele não tem ambição’. Eu sempre digo que a minha ambição aqui é semanal. Não fico, por exemplo, me imaginando hoje nas Olimpíadas de Londres”, fala.

Marlon já esteve perto de ser o titular da seleção. Ficou decidido que ele assumiria a vaga no ano passado, depois das finais da Liga Mundial e de um torneio na Polônia. Ele seria o levantador titular do Mundial da Itália, mas acabou doente, com uma grave inflamação no intestino (colite ulcerativa) e mal pode entrar em quadra. Bruno foi titular, o Brasil foi campeão e Marlon voltou ao banco. “Nada mais normal do que as coisas recomeçarem da mesma maneira”.

Marlon está com a seleção brasileira que se prepara para o Sul-Americano
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Marlon está com a seleção brasileira que se prepara para o Sul-Americano

Ter sido convocado com mais de 30 ajuda Marlon a manter essa postura serena em relação à reserva. “Eu não cheguei aqui com 20 anos, aspirando alguma coisa ou me sentindo mal pela reserva, muito pelo contrário. Cheguei aqui com o papel bem definido e resolvi assumir esse papel. E treinar com um time de alto nível só me faz querer esticar a carreira até quando a minha cabeça suportar”.

Segundo o levantador, os reservas devem ter ambição de entrar em quadra, mas precisam respeitar as escolhas de Bernardinho. E para ele, o clima da seleção segue ameno. “Ficar no banco gera uma insatisfação, mas se quem estiver jogando estiver melhor, isso tem que ser respeitado. E se quem estiver em quadra não estiver melhor, as trocas dependem única a e exclusivamente de Bernardinho. Isso não depende da vontade do jogador”, explica.

Porém, ele lembra que se ocorrerem discussões ou problemas no grupo, os jogadores ganham o poder de decisão. “Se isso (briga por posição) gerar um clima ruim, pode ter certeza que o primeiro cara que fizer isso vai estar fora. E não será por vontade do Bernardo, mas por vontade do grupo. A gente caminha junto”, completa.

Por enquanto, Marlon está feliz com a sua função no time de Bernardinho. Ele ainda afirma que não ficaria na seleção se mudasse seu pensamento e aceitasse apenas ser o principal levantador.

“Se na minha cabeça as coisas mudassem e eu quisesse ser o primeiro e não fosse, iria embora. Não iria ficar aqui sofrendo. As coisas aqui na seleção são muito sadias e quando não forem mais, eu serei o primeiro a ir embora. Não vou esperar que ninguém me mostre o caminho de casa, não.”

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