Tamanho do texto

Com calendário apertado no vôlei, alguns times começam a Superliga com baixas após torneios com a seleção

A edição 2011/2012 da Superliga começou em dezembro, mas alguns ídolos esperados pelos torcedores ainda não entraram em quadra. Giba, Rodrigão e Murilo, por exemplo, voltaram da Copa do Mundo do Japão lesionados. Para atletas, técnicos e dirigentes, o calendário puxado e as convocações para a seleção atrapalham, embora não seja possível usar a palavra “culpa”.

Leia também: Jogadores pedem férias, e times correm para se arrumar na Superliga

Dante, que teve um 2011 de tendinite no joelho direito e contratura muscular no abdômen , aponta o responsável pelas lesões. “O calendário é que está errado. No time, está todo mundo esperando que você chegue e jogue e nem sempre olham para o estado do atleta. Depois de tantos jogos, o corpo não reage mais”, afirma. “Quem sofre são os clubes, que pagam os nossos salários. Mas tudo é complicado. Não vamos deixar de jogar na seleção”, completa.

Renan Dal Zotto, diretor esportivo da Cimed/Sky, equipe que tenta se arrumar sem o ponteiro Giba, discorda de Dante. “Não dá para falar de calendário porque ele é internacional e serve para Brasil, Rússia... E o clube tem uma relação de mão dupla com a seleção. Muitas vezes o jogador chega machucado à seleção e lá faz a recuperação. Às vezes, volta e se recupera aqui no time. Mas, no final, quem mais sofre é o atleta. O Giba já vinha sentindo dores, mas não deixaria de jogar, ele iria aguentar. Agora temos que ter paciência pela sua recuperação”, comenta Renan.

Giba tem princípio de fratura por estresse na tíbia (canela) esquerda e a lesão, agravada na seleção brasileira depois de 11 jogos em 14 dias na Copa do Mundo até o começo de dezembro, atrapalhou o planejamento da Cimed/Sky. “Se o Giba já é uma referência para o voleibol mundial, imagina para nós. Montamos um time com ele e, agora, ficamos longe do ideal”, diz Marcos Pacheco, técnico da equipe catarinense.

Pacheco ainda explica o dilema que muitos treinadores vivem para montar suas equipes e “perder” seus atletas para a seleção. “Ano pré-olímpico sempre é complicado. Sabemos o quanto é importante a classificação para as Olimpíadas e o quanto isso e a seleção influenciam no nosso voleibol. Torcemos para a seleção como brasileiros e também para que eles vençam para que a gente siga como referência”.

“Mas o clube acaba pagando um preço muito alto por isso. Já estamos em dezembro, a Superliga já começou e, desde a contratação (de Giba, no meio do ano), tivemos um total de 20 dias para trabalhar com a equipe completa”, fala Pacheco.

Clubes e seleção tentam se acertar para contar com elencos completos e cumprir os seus objetivos. Enquanto isso, quem teve um ano complicado por conta da falta de descanso e das lesões espera ansioso por 2012. “Agora finalmente estou 100%, mas só quero que esse 2011 acabe logo”, brinca Dante.