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Conversas com amigos que já jogam no país europeu também ajudam as atletas do vôlei. Na mala, leite condensado e mimos da família

Verônica, camisa 3, exibe medalha de ouro do Campeonato Paulista com o Pinheiros
Divulgação
Verônica, camisa 3, exibe medalha de ouro do Campeonato Paulista com o Pinheiros
Nesta temporada, o Azerbaijão virou um dos destinos para as jogadoras brasileiras de vôlei . O país, que fez parte da antiga União Soviética, tem a sua seleção apenas na 30ª colocação no ranking, mas a capital Baku conta com uma liga formada por seis times e patrocinadores dispostos a pagar bons salários.

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“Azerbaijão é um lugar muito rico. Na verdade, a capital Baku, onde tudo acontece, é muito rica”, afirma Érika. A jogadora, que já defendeu a seleção brasileira trocou o Galatasaray Medical Park, da Turquia, pelo Igtisadchi Baku.

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Mas como se preparar para se mudar por uma temporada para um país distante, pouco conhecido e quase sem tradição no esporte? A resposta está nas conversas com colegas brasileiros e até na internet.

Érika já conhece Baku, pelo menos um pouco. A ponteira passou 15 dias na cidade no passado para disputar um torneio quando ainda estava no Galatasaray. “É um lugar parecido com Rússia ou com a Turquia. Mas acho que, pelo histórico sofrido e de guerras, deve ser um país mais frio que a Turquia, por exemplo”, comenta a jogadora.

Durante o pouco tempo daquele campeonato, Érika não conseguiu “viver” a cidade, mas já conversou com outros brasileiros que jogam na capital pra se informar. “Dizem que é um país moderno. E eu sou brasileira, bem comunicativa e faço amizade fácil, acho que não terei problemas”.

Verônica, camisa 3, exibe medalha de ouro do Campeonato Paulista com o Pinheiros
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Verônica, camisa 3, exibe medalha de ouro do Campeonato Paulista com o Pinheiros
Verônica, ex-Pinheiros e que será companheira de Érika no Igtisadchi Baku , viverá a sua primeira experiência fora do Brasil. Ela ainda não conhece o Azerbaijão. A jogadora contou com a ajuda da internet para conhecer a nova casa.

“Nunca fui para lá, então eu fui me informar quando recebi a proposta. Ainda bem que temos o Google hoje para ajudar”, disse a jogadora ao iG às vésperas do embarque.

Pelo menos o básico sobre o novo país Verônica aprendeu no site de busca. “Já sei que a língua deles é o ageri, a moeda é o maná e que faz muito frio. Fiquei com medo no começo porque é perto do Irã e do Iraque, mas Baku é uma cidade desenvolvida e, pelas fotos, é muito linda. Mas ainda não me arrisco a pronunciar o nome do meu time”, brinca.

Érika também já sabe alguns dos costumes do país e naão gosta do idioma local. “Eles também falam russo e turco, mas no ano que passei em Istambul nem quis aprender turco, não gostei. Mas todos no time falam inglês. E ainda tem o italiano, que é a língua universal do vôlei".

Verônica terá mais uma novidade pela frente. Ela não sabe nem onde irá morar em Baku. “Não sei como será a minha casa ainda. É o clube que vê tudo isso e no contrato vem apenas especificado que será um apartamento de dois quartos, mas só vou conhecer quando chegar lá mesmo. Espero que seja perto das outras meninas do time”, comenta.

Pelo menos de uma coisa as brasileiras têm certeza. Apesar dos costumes e da religião, não terão de usar burca. “Eles são muçulmanos, mas acho que vi mais gente de burca em Istambul do que lá e não seremos obrigadas a usar esses trajes”, explica Érka. “Mas também tem que ter respeito e não sair de shortinho no meio da rua. Até porque, com o frio que faz...”, afirma Verônica.

Érika terá uma companhia a mais na nova experiência. Philippe Cisuqui , noivo da atleta, também é jogador de vôlei e irá para o Irã na próxima temporada. “Ele estará a 50 minutos de voo ou quatro horas de carro. Não tem mais como ninguém do Brasil ir comigo, mas não estarei sozinha”.

Verônica não teve a mesma sorte. O marido e a filha de cinco anos ficarão no Brasil, mas ela leva na bagagem mimos para “lembrar” dos dois. “Tenho uma camisa com o perfume do meu marido e um bichinho de pelúcia com o perfume da minha filha para tentar matar as saudades".

Para Érika, a bagagem tem um lugar especial para o leite condensado. "Quando fui para a Turquia, esqueci de levar chocolate e leite condensado pra fazer brigadeiro”, se diverte Érika. “Foi difícil ficar sem uma colherada durante nove meses”, completa a atleta. Agora, ela embarca "precavida".

De malas prontas, Érika e Verônica vão para Europa ainda nesta semana. Érika seguiu para Istambul para pegar o seu visto e vai para o Azerbaijão no sábado. Já Verônica viajou na quinta-feira e iria direto para o novo apartamento.

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