Tamanho do texto

Jogadores, técnicos e patrocinadores afirmam que seleção ajudou para o cenário. Eles também ressaltam que ainda é mais barato formar um elenco feminino do que um masculino

Brasília Vôlei, encabeçado por Paula Pequeno, é uma das novidades para a Superliga
Reprodução/Facebook
Brasília Vôlei, encabeçado por Paula Pequeno, é uma das novidades para a Superliga

A edição 2013/2014 da Superliga é a primeira da história do torneio a ter mais times no torneio feminino do que no masculino. Na temporada serão 14 equipes de mulheres contra 12 de homens. As jogadoras comemoram e brincam com a mudança nos números. “Finalmente a gente vai superar o masculino”, comenta a experiente Fofão, levantadora do Unilever.

Reflexo dos ouros olímpicos

O bicampeonato olímpico da seleção feminina enquanto a masculina foi prata em Pequim 2008 e Londres 2012 é o primeiro motivo que vêm à cabeça de quem vive o esporte para justificar o cenário desta Superliga.

Deixe seu recado e comente com outros leitores

“A gente sabe que está diretamente ligado à seleção feminina. Elas ganharam o segundo ouro e isso acaba chamando mais patrocinadores. Quando a gente estava no auge, ganhando tudo, era o contrário”, afirma o ponteiro Giba, que volta ao Brasil nesta temporada e joga no Funvic/Taubaté . “Os resultados abriram os olhos dos patrocinadores. Teve o desastre da equipe que iria fechar depois de não ficar em Jacareí e conseguiu Barueri para sediar e bancar logo depois. Você vê que tem gente que quer investir e aparecer”, destaca Fabiana, bicampeã olímpica com a seleção e central do Sesi, referindo-se ao time da Grande São Paulo que estreia nesta temporada na competição.

Leia mais: Giba diz que joga mais um ou dois anos e brinca: 'Quem não viu, é bom correr'

Além de Barueri, também são novatos Maranhão Vôlei, Brasília Vôlei e Uniara/AFAV. De novo os números do feminino são superiores. No masculino, o torneio terá duas novidades. Moda/Maringá foi criado neste ano e o Montes Claros Vôlei volta ao cenário após acolher o time de Monte Cristo, que conseguiu vaga na elite pela Superliga B.

Visite também o blog Mundo do Vôlei

Para Fofão, veterana de Superliga, os bons resultados da seleção influenciaram também nos meios de comunicação. “Até a imprensa sempre valorizou mais o masculino e hoje isso está mudando”, analisa a levantadora.

“Feminino tem apelo em todos os sentidos”

Leila, diretora do Brasília Vôlei e ex-jogadora da seleção, concorda com Fofão. “O vôlei feminino tem resultados legais e apelo em todos os sentidos. O masculino sempre teve um retorno de mídia e tem uma trajetória linear. Já o feminino oscilava muito e hoje vem em uma crescente. Hoje somos uma realidade”, comenta a dirigente.

Ex-jogadora Leila começa carreira de dirigente como diretora do Brasília Vôlei
Divulgação
Ex-jogadora Leila começa carreira de dirigente como diretora do Brasília Vôlei

Um dos patrocinadores do time da ex-atleta é o Banco de Brasília. Carlos James, superintendente de marketing da entidade cita outro atrativo. “As empresas buscam uma imagem positiva, de garra. Não que o vôlei masculino não tenha, mas as mulheres conseguem transmitir muito bem isso”, explica.

Fofão ainda cita o público como um atrativo. “Sempre que vou jogar, o ginásio está cheio e acho que isso atrai investidores”, diz a jogadora. Entretanto, números da CBV (Confederação Brasileira de vôlei) mostram o contrário. A Superliga feminina teve média de público maior de 96/97 a 2007/2008. Desde então, o público do masculino se destaca. E em números absolutos, só a edição 2002/2003 do torneio de mulheres bateu o dos homens. Naquele ano o total de público foi 122.475 x 105.015.

Valor mais baixo e interesse diversificado

Investir no vôlei feminino também ainda é mais barato do que no masculino. Pelo menos essa é a justificativa de Paulo Sérgio, ex-jogador da seleção brasileira de futebol (campeão mundial na Copa de 94) e secretário de Esportes de Barueri. Ele chegou a conversar com Giovane Gávio sobre a criação de um time de homens, mas a cidade acabou acolhendo e patrocinando uma equipe feminina para a temporada.

E ainda: Repatriados no vôlei comemoram volta: 'Vou dormir na cama que eu comprei'

“Para ficar entre os primeiros no masculino é coisa de R$ 5 ou R$ 6 milhões. No feminino, com R$ 2 ou R$ 3 milhões ainda se consegue fazer uma equipe que vai brigar para ficar entre os oito melhores”, afirma.

Equipe do Barueri é mais uma novata e conta com Renatinha e a campeã olímpica Fernandinha no elenco
Reprodução/Facebook
Equipe do Barueri é mais uma novata e conta com Renatinha e a campeã olímpica Fernandinha no elenco


Ele ainda lembra que, apesar do aumento no número de times, o esporte no geral vive um momento complicado para novos investimentos. “Agora todos estão envolvidos com Copa do Mundo e futebol. Mas acho um erro investir só no futebol sendo que daqui a três anos também teremos uma Olimpíada”, comenta Paulo Sérgio. Segundo o secretário, os planos com Giovane seguem e a ideia e tentar recursos e patrocínio para uma equipe para o ano que vem.

O vôlei feminino ainda é uma alternativa a quem já investe no esporte, como o caso do Banco de Brasíia. “O BRB sempre patrocinou o time masculino de basquete na cidade com sucesso e queríamos investir no esporte feminino. Eles se completam. E agora, cada centavo investido talvez vire o dobro”, estima James.

Os jogadores pedem que esse bom momento e os investimentos não sejam passageiros. “É um absurdo esse entre e sai todo ano de patrocinadores no vôlei. Tanto o feminino quanto o masculino dão muitas e não podemos deixar andar para trás”, afirma Leandro Vissotto, oposto da seleção e contratado neste ano pelo atual campeão RJX.

Superliga feminina terá nomes da seleção e olímpicas repatriadas. Veja destaques: