Ponteira foi escolhida pela levantadora Fofão para bater a última bola e selou o título da Unilever diante do Sollys/Nestlé na Superliga 2012/2013

O último ponto da final da Superliga feminina 2012/2013 saiu das mãos de Natália. E, além de ter liquidado o tie-break e fechado a vitória da Unilever sobre o Sollys/Nestlé na manhã deste domingo no ginásio do Ibirapuera, a ponteira tem motivos para comemorar.

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Natalia foi a maior pontuadora da final da Superliga
Marcos Bezerra/Futura Press
Natalia foi a maior pontuadora da final da Superliga

Natália está na segunda temporada pelo time carioca, mas não atou no ano passado depois de ter passado por duas cirurgias para retirada de um tumor benigno na canela. Em 2012/2013, ela assumiu a vaga no time de Bernardinho.

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“Esse jogo representou o que foi a temporada inteira. Só meus pais, meus amigos e quem estava do meu lado sabem o quanto eu sofri. Foi realmente uma vitória muito importante para mim. Foi a vitória depois das suas cirurgias, da incerteza que eu tive durante toda a temporada. Foi para eu ter a certeza que estou voltando a ser a Natália de sempre”, disse a jogadora após os 3 sets a 2.

Ela lembra que se sentiu a Natália de novo na véspera do jogo. “Antes mesmo do jogo, do jeito que eu fui dormir ontem. Consegui dormir e acordei cedinho, umas 6h30, para não correr risco de ficar sonolenta na hora do jogo. Eu me concentrei e coloquei na cabeça: 'eu não vou sair daqui sem essa vitória'. Aprendi que o que a gente pensa é o que acontece e isso me ajudou muito hoje”, conta Natália.

E Natália não foi responsável pela última bola do jogo neste domingo por acaso. Toda a luta pela recuperação faz com que ela fosse a escolhida de Fofão para atacar quando o placar apontava 14 a 9 para a Unilever.

“Eu procurei por ela. Tanto que fui procurar e a bola não foi perfeita para ela. Queria ter colocado uma bola muito boa, mas não consegui. Mas fiz isso porque ela merecia. Queria que ela lembrasse para sempre. Cada vez que ela olhar isso, a última bola, ela vai saber que decidiu porque ela merece. Ela sofreu muito esse ano, só que a gente esteve junto com ela o tempo todo. Ela voltou a ter segurança na hora certa. Quero que ela lembre dessa final e saiba que é capaz de fazer tudo e que será a melhor jogadora do mundo. Como pessoa, não tem o que falar. Ela é maravilhosa”, elogia a levantadora Fofão.

Natália agradece a confiança da veterana. “Sabia da responsabilidade e qualquer uma que recebesse poderia virar. Queria agradecer a Fofão pela confiança e convicção de que eu iria acertar. Fui com raiva mesmo para virar porque ninguém sabe o que eu sofri e o que passei nessas duas temporadas”, afirma a jogadora.

Último ponto diante da ex-torcida
Natália ainda teve que lidar com uma pressão a mais nesta temporada: a torcida rival. A jogadora fez seu nome no time de Osasco e, agora, joga pelo maior adversário. Nesta temporada, quando estreou com a camisa da Unilever, foi hostilizada pelos torcedores do Sollys/Nestlé nos jogos em Osasco. E como a final foi no Ibirapuera, apesar de ser um campo neutro, tinha uma torcida para o time de Osasco bem mais presente fazendo barulho todo o tempo. Nada isso incomodou.

“Eles já me apoiaram, mas a partir do momento que eu saí de lá, eles passaram a me odiar. Mas eu não tenho mágoa nem nada. É o jeito deles de ajudar o time. Mas eu não ouvi em momento algum. Eu joguei por mim, pela minha equipe e pela minha torcida”, fala Natália.

A jogadora conquista o seu segundo título de Superliga no Ibirapuera. Em 2009/2010, foi campeã com o Sollys. Agora, levanta a taça do outro lado. “Essa aqui tem um pouco mais de sentimento por tudo o que passei, pelas dúvidas que eu tinha. Tinha dúvida se eu ia voltar a ser a Natália que eu sempre fui. Mas acabei vencendo todos os meus medos”, completa a campeã.

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