Thaísa ‘trai’ igreja com lado alternativo, fala de bullying e quer casar de novo

Central da seleção brasileira feminina de vôlei e do Sollys/Nestlé chama atenção pelo poder do ataque, que lhe rendeu prêmio de melhor do mundo, pela altura e pelas seis tatuagens

Aretha Martins - iG São Paulo | - Atualizada às

Ela tem 1,96 m de altura, seis tatuagens, piercing no nariz e no umbigo no momento, mas já contou com adereço nas orelhas e na língua. A descrição poderia ser de algum amante de punk ou rock. Mas é de Thaísa, central da seleção brasileira e do Sollys/Nestlé. "As minhas tatuagens são lindas, todas coloridinhas e os piercings sempre foram só um brilhinho, delicadinho", explica. 

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Thaísa ganhou fama nas quadras pelo poder de ataque e altura no bloqueio. Conquistou espaço na seleção às vésperas das Olimpíadas de Pequim 2008 e não saiu mais. Em Londres 2012, chorou nas derrotas na primeira fase e voltou para casa com mais um ouro. Tamanho, tatuagens e tudo mais podem até assustar, mas a jogadora dona do melhor ataque do Campeonato Mundial é uma mulher de 25 anos romântica, família e que pensa em mais um casamento. "Quero casar daqui a pouco, bem pouquinho", brinca.   

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Em entrevista ao iG , ela lembra de como sofreu por ser a mais alta da turma na infância, conta que 'traiu' a sua religião e escondeu quase um ano a primeira tatuagem do pai, rasga elogios ao técnico Luizomar de Moura e diz não pensar em sair do Brasil no momento. 

"Tatuagens mostram a minha vida"

A carioca Thaísa saiu cedo de casa, aos 14 anos, para jogar vôlei. Morou em república e depois, sozinha. Já fora da casa dos pais, aos 15 anos, fez a primeira tatuagem e o primeiro piercing, no umbigo. Devota da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ela diz precisou 'trair a sua religião'

"Eu fiz escondido deles. Depois de um tempo, eu fui para casa e estava tomando banho e minha mãe entrou para falar alguma coisa. Viu aquilo brilhando e gritou: 'meu Jesus Cristo. Se seu pai vir isso, ele vai morrer'. Ela tentou escondeu o piercing e a tatuagem do meu pai. Foi quase um ano, mas quando ele viu, ele chorou. A minha religião não permite nada disso. Agora você entende porque eu escondi, né?". 

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A jogadora é filha de militar e teve uma educação rígida. Sair, só se 'escoltada' pelo irmão mais velho. "Não podia dormir na casa da minha vizinha de parede. Não podia ir à padaria sem meu irmão e nunca fui à matinê. A primeira festa sem meu pai, mas com meu irmão, eu já jogava vôlei no Tijuca. E olha que foi uma festa junina". 

Arquivo pessoal
Thaísa é filha de evangélica e militar e teve uma educação rígida

Tanta linha dura não a afastou dos pais. "Eles são meus exemplos e sempre confiei muito neles. Até contei ao meu pai quando perdi a virgindade, com 16 ou 17 anos. Na minha frente ele ficou com uma cara acabada e eu fiquei mal. À noite, minha mãe disse ele chorou porque, até hoje, sou o bebê dele. Mas ele gostou de eu chegar e falar. E achei que devia isso a ele". 

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Thaísa é vaidosa e não esconde isso de ninguém. Além dos desenhos no corpo, ela já fez plástica no nariz e colocou silicone nos seios. "As minhas tatuagens são bonitinhas, tão coloridinhas... elas mostram a minha vida. Tem as três estrelinhas, que são meu pai, minha mãe e meu irmão; as das Olimpíadas; força em japonês no braço e orquídea no ombro, que foi a primeira porque gostei do desenho e minha mãe sempre teve muita flor em casa". 

"Queria um sapatinho da Barbie, mas não tinha do meu tamanho"

Mas a vaidade já fez Thaísa sofrer. A central, grande desde bebê, se escondeu e passou vergonha por causa da altura. "Nasci de sete meses, mas com tamanho de bebê normal, com 47 cm. Com oito anos eu já tinha quase 1,80m. Eu não era um pouco maior, era muito grande e me escondia, não queria sair de casa. E mesmo assim, já era vaidosa e queria o sapatinho rosa da Barbie ou o vestidinho rosa. Mas não tinha porque não tinha do meu tamanho. Se tivesse isso de bullying, muita gente estaria presa por minha causa".

E foi a altura que a levou para o esporte. "Comecei com natação justamente porque era alta e meu pai não queria que ficasse descoordenada. Mas em um ano eu cresci quase 6 cm e quase morri. Aí falaram que vôlei e basquete eram esportes de gente grande, mas eu nem sabia diferenciar um do outro. Eu falei: 'vou nesse aqui. Era  vôlei. Deu certo e hoje estou bem e muita gente queria ter a minha altura". 

"Sei dançar, sou molinha"

Dentro de quadra, Thaísa virou uma das principais atacantes de meio do Brasil. Precisa respeitar alguns limites da vida de atleta, mas não se incomoda e, quando tem vontade, cai na night. "Adoro dançar. E falam: 'Mas com essa altura'. Sim, eu sei dançar, sou molinha. Mas não saio muito. Sou preguiçosa. Coloquei o vôlei como objetivo e desde uns 17 anos parei de 'night'. se passar a noite toda acordada, por mais que eu não beba porque eu não gosto, o corpo cansa e vou precisar dele no dia seguinte. Saio pouco e só bebo um vinho com meu namorado. Ele está me ensinando a beber de vez em quando, em um jantar. Agora descobri que consigo beber champanhe. Mas não são coisas que eu adore. Cerveja, então, não suporto". 

"Fui casada. Foi uma péssima experiência"

Apesar da pouca idade, apenas 25 anos, Thaísa já foi casada. A experiência não deu muito certo, mas ela já se recuperou e quer casar na igreja e acha que isso não deve demorar muito a acontecer. 

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"Fui casada em 2009, mas só no cartório, e não deu muito certo. Namoramos dois anos e ficamos casados dois meses. Por eu ser muito romântica, talvez, tenha agido muito rápido. Foi uma péssima experiência na minha vida, mas serviu para eu crescer e entender as coisas. Mas quero casar na igreja, de véu e grinalda. Vejo os meus pais e eles são casados há 30 anos. Acho que estou chegando a essa fase de novo. Eu já penso em casar daqui a pouco, bem pouquinho. Acho que sou meio velha de cabeça. Quero chegar em casa, ter o meu marido, fazer o jantar. Queria casar, curtir o marido e daí ter filhos. No mínimo dois". 

"Luizomar ajuda na formação do caráter"

Divulgação/CBV
Thaísa chora ao lado de Luizomar de Moura após título da Superliga 2011/2012

Enquanto a hora de casar não chega, a central segue morando sozinha e dividindo seu tempo entre jogos, treinos e descanso. Em quadra, convive com o técnico Luizomar de Moura desde as categorias de base da seleção e da extinta equipe do Finasa/Osasco, que virou o Sollys/Nestlé. A jogadora fala que não aprendeu apenas a jogar com o treinador, mas mudou o seu jeito de ser. 

"Luizomar ajuda na formação do caráter e me ajudou muito com isso também. Meu pai era militar, a minha mãe é evangélica e eu era muito bravinha e fechada. Ele me ajudou a ser mais amiga, a estar no grupo e a lidar com as pessoas. E isso não fica apenas no vôlei. É para a vida". 

O técnico, entretanto, já recebeu críticas, ainda mais depois de perder quatro finais de Superliga para o Unilever, de Bernardinho. Thaísa sai em defesa do mentor. "O pessoal critica pelo jeito dele, de não ficar berrando. Ele também dá folga e acha que o descanso faz parte do treinamento. E a gente já vem sempre com uma carga tão pesada da seleção... Mas ele pensa nisso e cuida da gente"

"Ele tem o lado educado e carinhoso na forma de cobrar e acho que é assim que tem que tratar as mulheres. Se estou de TPM e o cara grita no meu ouvido, eu vou perder o foco porque vou ficar pensando no motivo por ele ter gritado comigo. Ou eu vou querer matar ele. O Luizomar tem um jeito carinhoso dentro e fora de quadra e está dando resultado". O Sollys/Nestlé é o atual campeão brasileiro, sul-americano e mundial, está na final do Paulista e soma 37 jogos sem perder

"Por que sair se está bom aqui?"

Thaísa vai para a sua quinta temporada no Sollys/Nestlé. E depois de ter faturado inédito ouro no Mundial e ainda voltar para casa como a melhor atacante da competição, ela está satisfeita com o clube. "Não penso em jogar fora agora não. Por que sair se está bom aqui? E o Brasil está com um campeonato forte e muito legal". 

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