Campeões olímpicos da praia lembram separação e dão dicas a novas parcerias

Para Emanuel e Sandra Pires, novatos precisam de paciência para sobreviver. Relembre na galeria duplas vencedoras que acabaram e o que aconteceu com eles

Aretha Martins - iG São Paulo |

Juliana e Larissa, que na quinta-feira ficaram com o título do Circuito Mundial de vôlei de praia pela sétima vez , disputam suas últimas partidas juntas até o final do ano. Larissa vai se afastar das quadras para ficar mais perto da família e Juliana seguirá no esporte . A parceria, junta desde 2004, foi uma das principais no cenário mundial na última década. E agora, como achar um novo companheiro e seguir no topo?

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Paciência pode ser a palavra-chave. Emanuel e Ricardo também fizeram uma longa parceria, de 2002 a 2009, e foram ícones, com direito a ouro olímpico e mundial e títulos no Circuito Brasileiro e no Mundial. Assim como no caso de Larissa, a família pesou. Emanuel havia se casado com a ex-jogadora Leila em 2008 e queria morar no Rio de Janeiro, mas treinava com Ricardo em João Pessoa. Por isso, pediu para se separar.

Relembre outras separações que marcaram o vôlei de praia e o que aconteceu com os atletas na galeria:


A ideia era encontrar um parceiro no Rio, um jogador jovem, para quem ele pudesse passar toda a sua experiência. Aí começou o teste de paciência de Emanuel. A primeira opção era Pedro Solberg, mas o atleta já havia acertado dupla justamente com Ricardo. “Falei com ele no chuveiro, depois de um jogo. Mas ele agradeceu e disse que jogaria com o Ricardo. Fiquei sem chão na hora”, conta Emanuel.

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Restava ainda uma opção carioca. “Tinha o Alison. Ele formava dupla com Harley e estava bem. Eu respeito muito Harley, mas não tive escolha. Tive que chegar e conversar com Alison e falar que queria jogar com ele”, lembra Emanuel. Alison aceitou o convite e dupla começou em 2010 e segue junta.

AP
Emanuel se juntou a Alison após dupla com Ricardo. Ele disse que adaptação levou um ano

Parceiro novo, faltava entrosar a dupla. Segundo Emanuel, foi preciso um ano para tudo se encaixar. “2010 foi o ano da adaptação e foi difícil me adequar ao estilo de jogo do Alison. Ele é um cara da nova geração, da força e da potência. Com o Ricardo, eu fazia um jogo mais cadenciado”, conta.

Leia ainda: Às vésperas de despedida, Juliana e Larissa são hepta no Circuito Mundial

De acordo com Sandra Pires, campeã olímpica em Atlanta ao lado de Jacqueline, muitas duplas não conseguem superar esse período. “Leva um tempo, por exemplo, para um jogador que era bloqueador virar um defensor com a nova dupla. O resultado não sai na hora. E se não tiver paciência, vai trocar de dupla de novo e não vai evoluir”, analisa. Sandra teve uma separação conturbada com Jacqueline, mas logo de uniu a Adriana Samuel e voltou ao pódio olímpico (relembre na galeria acima).

Ricardo sofreu mais para achar um novo parceiro. Pedro Solberg começou a jogar com o paraibano, mas também pediu o fim da dupla por causa dos treinos em João Pessoa. Depois, veio Márcio. Ricardo tentou mais uma vez jogar com Solberg, mas ele acabou se envolvendo em doping. Foi então que Ricardo começou a parceira com Pedro Cunha, com quem foi para as Olimpíadas de Londres e atua até hoje.

Divulgação/CBV
Juliana ficará ao lado de Larissa até o final do ano que vem e deve formar dupla com Maria Elisa

Agora, quem começará uma nova dupla será Juliana, provavelmente ao lado de Maria Elisa, que também já anunciou o final da parceria com Talita. “Juliana e Maria Elisa são grandes jogadoras e experientes e não precisam se adaptar em quadra porque uma ataca na entrada e outra, na saída. Mas a Juliana era a mais calada. Larissa era quem falava mais, cantava o jogo. Maria Elisa também não é de falar muito. Tem que ver como vão resolver a questão e como vão se encaixar”, analisa Sandra Pires, hoje comentarista de vôlei de praia.

Emanuel ainda explica a sua matemática para o sucesso de uma dupla. “O respeito mutuo vem antes de tudo. Além disso, o objetivo tem que ser o mesmo. E, a comissão técnica tem que ajudar a melhorar. Uma boa comissão ajuda a evoluir sempre. Mesmo depois de ganhar um título, eles acham alguma coisa para corrigir, para treinar mais. Isso ajuda a não cair na monotonia”.

A fórmula do jogador parece ter funcionado com sua dupla com Alison, que mesmo recente, já liderou ranking, venceu grandes torneios e foi prata nas Olimpíadas. No feminino, as duas melhores duplas do Brasil se desfizeram. Será que a fórmula e paciência para superar o tempo de adaptação ajudarão a manter as novas parceiras no topo?

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