Após geração de líderes, Murilo é favorito para herdar tarja de capitão

Jogador já assumiu a função na ausência de Giba no último ciclo e, com a aposentadoria do ídolo, deve ficar com a vaga de representante da seleção masculina

Aretha Martins - iG São Paulo |

Divulgação/FIVB
Murilo foi destaque do Brasil nos últimos anos e, agora, deve ser o capitão da equipe nacional

Nos anos 90, Carlão ganhou fama como o capitão 'ideal' da seleção masculina de vôlei. Na década seguinte, quem recebeu a tarja na camisa e a recompensa foi Nalbert. O cargo passou por algumas mãos e acabou com Giba até as Olimpíadas de Londres. Agora, com a aposentadoria de mais um ídolo do time nacional, quem deve ser o novo líder da seleção?

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Ainda em Londres, Giba apontou Murilo e Bruno como seus sucessores. Na opinião de veteranos e até do técnico Bernardinho, o ponteiro está na frente. “É provável (que Murilo siga no comando)”, resumiu o técnico. Ele ainda não confirmou presença na seleção para o próximo ciclo olímpico, mas, se ficar, deve manter a tarja com Murilo. Já era o ponteiro quem assumia a função na ausência de Giba.

“Eu disse para o Murilo que ele tem uma grande responsabilidade no time, até pela capacidade que demonstrou. Ele chegou no ciclo anterior, foi galgando espaço e, agora, é fundamental”, afirma Bernardinho. “Murilo é um jogador completo e uma liderança em evolução. Ele passa exemplo de seriedade e responsabilidade e isso é muito importante para um líder, um capitão.”

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Murilo começou a assumir a função por acaso. Foi nomeado capitão ainda na seleção de novos, em 2006, quando era um dos poucos que já frequentava também o time principal. Depois, acabou como “reserva” de Giba para o cargo quando o ponteiro estava fora.

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“O Murilo tem essa vocação e ele gosta desse trabalho. Acho que é um jogador que está pronto, e já conta com a admiração dos outros e de quem está chegando. Se não tiver isso, vira um cara que só tira par ou impar e, como fala inglês bem, vai conversar com o juiz”, analisa Giovane, técnico de Murilo no Sesi. No time paulista, ele é o capitão.

“Murilo pode assumir por ser uma referência. Ele está aí há bastante tempo, a seleção vai mudar bastante e ele pode ser importante”, aposta Carlão. Além de Giba, nomes como Ricardinho, Rodrigão e Serginho deram adeus ao time após os Jogos de Londres.

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O ponteiro aceita a tarja de líder em quadra, mas divide a responsabilidade. “Capitão não faz nada sozinho. Ele é a figura que representa o técnico em quadra, pode falar com os árbitros e vai às coletivas, mas seria injusto falar que é somente o capitão o líder e o dono da razão’, explica.

A cada ciclo, a liderança fica cada mais pulverizada na seleção brasileira. Na geração de Barcelona, Carlão era o líder clássico, mais velho, respeitado, que chamava o jogo. Depois, Nalbert foi o líder e, antes de Atenas, ganhou companheiros que já começaram a dividir a função, como o Giovane, que voltou ao time nacional e seguiu até o ouro na Grécia. Quando deixou a seleção, em 2008, viu Ricardinho assumir o posto e depois, Giba.

“Acaba focando no capitão, mas não é assim que funciona em uma equipe. Giba já era um líder na época do Nalbert. Depois, o Ricardinho também foi, teve o Gustavo, o Serginho, que nem precisa falar muito”, exemplifica Murilo.

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“E acho que uma equipe tem que ter vários líderes. Não é todos os dias que o capitão está inspirado ou a vontade para interferir em qualquer situação, por isso é bom ter outras lideranças no grupo”, completa Murilo. “É saudável ter diversas opiniões e saber ouvir. O técnico e o capitão têm que deixar as lideranças se desenvolverem. Cada um em tem uma visão de quadra e pode contribuir, por exemplo. Mas o treinador tem que segurar a atuar para não virar bagunça. Essa é a mágica”, explica Giovane.

Concorrência de Bruninho pela tarja

Getty Images
Com estilo vibrante, Bruninho é concorrente à vaga de capitão

Bruninho também se destaca na seleção. Enquanto Murilo faz o gênero mais frio, com muita conversa e pouca vibração, o levantador é “sangue nos olhos”. “Não é questão de me ver como capitão ou não. Sinto que tenho essa personalidade. Sou o cara para tentar motivar o time, principalmente pela minha vibração. É a maneira que sei jogar”, afirma.

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Murilo não se incomoda com a “concorrência”. “Se para o Brasil ele for o melhor, eu vou tentar ajudá-lo. Isso não é uma disputa. Eu vou ser um líder junto com ele”, diz o ponteiro.

Os dois acabam saindo na frente pela reformulação da equipe nacional. Sem Serginho ou Giba, por exemplo, entram na lista dos mais experientes para o próximo ciclo. Mas, para Bernardinho, a lista tem mais opções. “Lucão é um cara importante, como Sidão. Wallace também é jovem que tem condições de seguir aí. É um processo de construção”, diz o técnico.

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