Mais maduro, Michael quer responder crítica e preconceito com ouro

Um ano depois de ter sido vítima de insultos homofóbicos em quadra, central diz que foco agora é apenas no Michael atleta

Aretha Martins, iG São Paulo |

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Michael diz ter amadurecido após caso de insultos homofóbicos
Abril de 2011, semifinal da Superliga masculina, Sada Cruzeiro e Vôlei Futuro em quadra. No jogo, o central Michael ouviu insultos homofóbicos da torcida adversária, como ser chamado de "bicha". Dias depois, ele assumiu ser homossexual. Já o time mineiro acabou multado ao ser responsabilizado pelo péssimo comportamento dos torcedores.

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Abril de 2012, final da Superliga masculina e Sada Cruzeiro e Vôlei Futuro em quadra. Um ano depois, Michael se vê mais maduro e pronto para responder com o título tudo o que aconteceu.

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Em entrevista exclusiva ao iG , o jogador do Vôlei Futuro, que completa 29 anos nesta sexta-feira, conta o que mudou neste ano, fala o que espera da decisão do torneio nacional e levanta bandeira contra qualquer tipo de preconceito.

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iG: O que mudou no Michael neste último ano?
Michael:
Hoje eu sou uma pessoa mais madura. E não só na minha vida pessoal, mas principalmente como atleta. Se foi em função disso ou não, eu não sei, mas acho que agora estou melhor em quadra. Todo o medo e o receio de um dia ser excluído por tudo isso passou e me deu uma tranquilidade muito maior.

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iG: E um ano depois você está na final da Superliga. O que isso representa para você?
Michael:
Tinha jogado a decisão só com o Banespa em 2004/2005 e, durante muito tempo, fiquei só na trave, que acabou caindo ali, no terceiro jogo da semifinal. Agora chegar à final não é ainda o sentimento de missão cumprida porque não é só isso que eu quero. Eu quero ser campeão. É um título que eu quero muito, ainda mais pela qualidade que a Superliga teve neste ano. Quero responder com esse título tudo o que aconteceu.

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iG: Pouco depois dos insultos e do caso da semifinal do ano passado, você se assumiu homossexual. O que mudou na sua relação com o público?
Michael:
Acho que muda um pouco o foco da coisa (será que ele é gay?). O foco agora é o Michael atleta e não fica mais aquele questionamento. Eu não me senti confortável com a situação toda, mas se tinha que me rotular para defender uma causa, vamos lá. E se não fosse gay eu não iria me incomodar como eu me incomodei. Até xingam vários atletas de veado e tal, mas eu senti que, comigo, era de uma maneira muito pejorativa e a situação foi constrangedora, sim.

Divulgação/CBV
Time do Vôlei Futuro homenageia Michael depois dos xingamentos em Minas Gerais e veste rosa no aquecimento

iG: Você ficou mais conhecido ou ganhou mais fama depois de tudo?
Michael:
Não posso negar que fiquei mais conhecido, ainda mais depois do jogo que passou na TV e a cidade inteira parou para assistir.

iG: E a torcida passou a te respeitar mais?
Michael:
Não se porque já aconteceu, porque eu fiquei conhecido ou por eles terem ficado com vergonha do que aconteceu, ninguém mais fala nada. Acho que agora as pessoas pensam duas vezes antes de falar alguma coisa. Eles têm medo e não só pelo meu caso, mas também pelos casos de preconceito que tiveram agora.

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iG: Sim, a Superliga teve mais um caso de preconceito como Wallace, oposto do Sada Cruzeiro, que foi chamado de macaco por uma torcedora...
Michael
: Vi depois na internet e comentaram que ele ficou bem abatido com o que aconteceu. Já joguei com ele, conheço a família dele. É chato ver alguém xingando ou apontando o dedo. Ele estava fazendo o trabalho dele. Não é valido e não é aceito alguém tentar te constranger no meio de todo mundo para tentar fazer você jogar mal.

iG: Saber o que aconteceu com o Wallace fez você se lembrar do ano passado, do jogo da semifinal, quando você foi o alvo dos insultos?
Michael:
Passou um filme na minha cabeça. Eu me lembrei das pessoas ali, me xingando e falando mal. E não podia fazer nada porque estava li, jogando. E você também pensa no que as outras pessoas vão achar daquilo, como a sua família vai se sentir.

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Vôlei usa camisa com mensagem contra racismo e com o nome de Wallace
iG: No seu caso o Vôlei Futuro vestiu o ginásio de rosa, o líbero Mário Júnior usou camisa com as cores do arco-íris. Depois do episódio como Wallace, o próximo jogo dele foi contra o Vôlei Futuro e vocês usaram uma camisa preta, contra o racismo.
Michael:
Ideia da camisa foi da diretoria, mas como aval dos jogadores. Tinha até uma branca e uma preta, mas preferimos a preta para ficar bem registrado. E foi mais pelo Wallace, que é um cara que todo mundo no time gosta muito e que já jogou aqui. Foi para dar um “up”, para incentivá-lo. E como aconteceu coma gente e é uma coisa que a gente não aceita, a diretoria resolveu fazer alguma coisa. A gente tem a mídia a nosso favor e nada mais justo do que usar isso para coibir e não aceitar qualquer discriminação.

iG: Agora o Vôlei Futuro e o Sada Cruzeiro se encontram mais uma vez, na final da Superliga. Isso te incomoda?
Michael:
Não influencia em nada porque eu conheço muito bem os caras do Sada Cruzeiro. E a torcida de Contagem eu sei que vai vir para cá (São Bernardo, local da final), mas a gente também vai ter a nossa torcida. Mas desde aquele episódio não aconteceu situação nenhuma, nem parecida.

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