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Vôlei

22/04/2009 - 16:40

Presidente da CBV contradiz Zé Roberto e prevê efeito "zero" na seleção

Segundo Ary Graça, extinção do Finasa/Osasco não vai abalar as jogadoras convocadas e a Superliga não vai ser afetada

Redação e Gazeta Esportiva


RIO DE JANEIRO - Comandante do Finasa/Osasco no último título da Superliga conquistado pela equipe e atual técnico da seleção brasileira, Zé Roberto Guimarães previu efeitos negativos para o time nacional após a extinção do grupo adulto do clube paulista. Ary Graça, presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), externou uma opinião diferente.

"O Zé Roberto se emocionou muito no momento de falar sobre esse assunto porque tem um vínculo grande com o Finasa. Como todo latino, ele foi muito emocional. Não vai ter influencia nenhuma na seleção brasileira, zero", declarou o mandatário da entidade em entrevista na tarde desta quarta-feira.

Zé Roberto sentiu muito a saída do Finasa/Osasco. O técnico do Pesaro chegou a comparar o final das atividades do time adulto do tradicional clube paulista a uma perda na própria família. Além disso, afirmou sem hesitar que a decisão afetará diretamente a equipe brasileira, medalha de ouro nos Jogos de Pequim.

"É uma coisa péssima para a seleção brasileira. Penso como será o clima entre as jogadoras sem clube. O ambiente no começo de preparação em termos de contratações vai ser o pior possível", afirmou o técnico em entrevista ao Sportv na manhã da última terça-feira.

Do grupo de 18 jogadoras pré-convocadas para o Montreux Volley Masters, oito estão sem clube. Ana Tiemi, Paula Pequeno, Sassá, Natália, Adenízia, Thaísa e Camila Brait, que defendiam o Finasa/Osasco, ganharam a companhia de Fabíola, do também extinto Brasil Telecom. A seleção inicia sua preparação no dia 5 de maio, em Saquarema.

"Para algum lugar, elas vão. Ou fica aqui ou vai para o exterior. Deixar de jogar, não vai", disse Ary Graça. Questionado sobre a possibilidade de ver as jogadoras em centros menos desenvolvidos, ele contemporizou. "Seria lamentável, mas elas vão jogar e ganhar dinheiro. Quando vierem para a seleção, também vão jogar e ganhar dinheiro".

Com a presença de nove campeãs em Pequim, a última edição da Superliga foi considerada um sucesso. Sheilla, Mari e Fofão, por exemplo, retornaram do exterior para atuar na competição nacional. O fim do Finasa/Osasco e do Brasil Telecom, vice-campeão e quarto colocado no torneio, respectivamente, não assusta Ary Graça.

"Não temo a saída delas, esse não é o termo. Eu lamentaria, mas não vejo o mercado atraente fora do país nesse momento. Na Europa, a crise é dez vezes maior do que aqui", declarou. "Com um dia de fofoca, já tem dois, três me telefonando (prefeituras interessadas em participar da Superliga).

"A Superliga vai continuar"

Em comunicado oficial, o presidente da CBV lamentou o final da equipe do Finasa/Osasco, mas garantiu que a Superliga vai continuar sendo um campeonato forte e uma referência no vôlei nacional.

"É de fato uma pena que uma equipe tradicional como o Finasa/Osasco deixe de ter um time de ponta, mas só temos a agradecer a um patrocinador que participou por tantos da Superliga. A saída de um patrocinador, no entanto, é um fato que se repete há 20 anos. É natural que um patrocinador entenda que encerrou um ciclo. Há tempos vem sendo assim e no final de uma temporada essa movimentação é normal. Não é preciso pânico, a Superliga vai continuar, outras equipes vão aparecer e as atletas com certeza serão recolocadas", disse Ary Graça.

Para manter o equilíbrio entre os times, a CBV atribui uma pontuação de 1 a 7 para as jogadoras. As equipes devem respeitar o limite de 32 pontos com seu elenco e podem inscrever apenas duas atletas de nível máximo. Paula Pequeno e Sassá, por exemplo, tem nível 7, o que poderia dificultar a inserção em alguma equipe.

O Comitê de Estratégia da Superliga, composto pelos presidentes dos clubes, se reunirá para discutir a possibilidade de alterar o ranqueamento . Para Ary Graça, no entanto, a medida não é imperativa. "Vamos esperar um pouco para ver. O Volta Redonda começou agora no masculino e já está contratando. Vamos esperar o feminino", disse.

Presidente ainda lembrou que a Conferação Brasileira não interfere nos clubes. “A Superliga é uma competição independente, onde as decisões são tomadas pelos clubes. A CBV não tem poder de voto, apenas de veto e se encarrega de viabilizar tecnicamente o campeonato. Vamos comunicar ao comitê a boa novidade que a CVC já renovou o contrato para mais uma temporada e, assim como esse ano, arcará com todo o custo de passagens terrestres, aéreas e hospedagens, desonerando os clubes”, explicou. 


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Divulgação/ZDL

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