iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

Vôlei

22/10 - 09:53

Nalbert: "Sempre tive certeza que poderia render muito na praia"
Ex-capitão da seleção masculina de vôlei diz que “nunca foi um cego na praia”, que ainda está magoado por não ter ido a Pequim e aposta que será um grande jogador nas areias

Por Aretha Martins, do iG Esporte

Acordo Ortográfico

SÃO PAULO – As quadras ficaram no passado. É o que garante Nalbert, ex-capitão da seleção masculina de vôlei e bicampeão mundial e ouro na Olimpíada de Atenas. Agora ele tenta seguir carreira mais uma vez no vôlei de praia, ao lado de Franco, e afirma que ficará nas areias cariocas até a aposentadoria, prevista para 2012.

Em entrevista exclusiva ao iG Esporte, Nalbert contou como foi a volta ao vôlei de praia, os planos da nova parceira e também disse que ficou decepcionado com o corte antes da Olimpíada de Pequim e que poderia ter ajudado o Brasil na final contra os Estados Unidos. 

Você jogou na praia entre 2005 e 2006, voltou para as quadras e agora está mais uma vez nas areias. Por que decidiu voltar?
Nalbert:
Tinha acabado o ciclo olímpico e era momento de parar, traçar metas para os próximos anos. Sei que seria impossível mais um ciclo na quadra. Tudo que eu poderia fazer lá eu já fiz. A praia combina com os meus objetivos. Dá para conciliar a carreira com a vida pessoal, morar em casa, no Rio. É diferente da quadra. Lá passava a maior parte do ano longe de casa e quando voltava, era para o clube (Nalbert defendeu o Telemig/Minas na última temporada). Agora vou viajar, mas vou voltar para casa.

Você voltou para as quadras, no começo de 2007, sonhando com o Pan-americano do Rio e com a Olimpíada de Pequim. Ficou fora do Pan por causa de uma lesão na coxa esquerda e foi cortado por Bernardinho dos Jogos da China. Ficou alguma frustração?
Nalbert:
Fica a decepção. Sofri muito desde que voltei para a quadra em 2007. Tive lesões (Nalbert também teve que operar o ombro direito no final do ano passado) e estava mostrando muita evolução na Liga Mundial e tinha certeza de que poderia evoluir ainda mais. O corte foi uma frustração, eu não esperava. Acho que poderia ajudar na Olimpíada porque meu jogo de fundo combina com o que a seleção estava precisando naquele momento. Como os Estados Unidos venceram na final? Com saque quebrando a recepção do Brasil. Lá tinha apenas o Serginho e o Dante para passar. Faltou mais um passador ali.

Quanto ao Bernardinho, restou alguma mágoa?
Nalbert:
Respeito a decisão do Bernardo. Ele escolheu o que achava que fosse melhor para o time naquela época. Ele tem esse direito. Ainda não entendi porque fui cortado, mas já passou. Sei que fiz o melhor que pude. Fiz tudo e mais um pouco e agora estou numa fase nova.

E a fase nova é na praia, ao lado de Franco. Como surgiu a parceria?
Nalbert:
Depois da passagem pela seleção brasileira, não tinha decidido ainda o que iria fazer. Queria voltar para a praia e formar um bom time. Tinha contato com alguns clubes de quadra, mas estava jogando essa decisão para frente. Foi quando o Franco me convidou. Ele tinha desfeito a dupla com o Pedro Cunha, me telefonou e aceitei prontamente.

Divulgação/CBV
Nalbert ao lado de Franco na etapa de Camaçari do Circuito Brasileiro

Na sua primeira passagem pela praia, você ficou um pouco frustrado com as parcerias e chegou a dizer não tinha tido a oportunidade jogar com um top, alguém com boa pontuação no ranking, e crescer. Franco é o atual campeão brasileiro e já levou o circuito quatro vezes...
Nalbert:
Ele é um excelente jogador, experiente, e é isso que eu quero para a minha carreira. Era a oportunidade que eu não tinha tido antes na praia. Agora já começou tudo certo.

Mas ele já tem 41 anos... Isso não te assusta?
Nalbert:
Não, nenhum pouco. Franco é o atual campeão brasileiro, está jogando todas as etapas do circuito e é muito competitivo. Ele é um caso à parte. Ele é um fenômeno fisicamente. A minha preocupação é me cuidar para agüentar jogar bem com ele.

A sua primeira etapa do Circuito Brasileiro ao lado de Franco foi em Camaçari, na Bahia, no final de semana. Vocês terminaram em quinto lugar. O que achou da sua reestréia?
Nalbert:
Foi acima das minhas expectativas. Estava longe da praia há dois anos e não competia desde que sai da seleção brasileira, em junho deste ano. Chegamos até as quartas-de-final, mas perdi pela condição física. Já era o meu terceiro jogo do dia e eu abri o bico mesmo. Foi bem diferente da primeira vez na praia. Estou muito melhor porque já sei o caminho das pedras. Hoje a minha adaptação será muito mais rápida.

E o que você espera dessa passagem pelo vôlei de praia? Ainda tem chances de jogar na quadra mais uma vez?
Nalbert:
Não, agora sei que voltei para a praia definitivamente. Quero me tornar um jogador forte, um dos melhores do Brasil, mas não como fui na quadra porque isso é difícil e tenho pouco tempo. Já tenho 34 anos. Mas sempre tive certeza que poderia dar mais na praia. Nunca fui um cego na areia. Poxa, eu sou do Rio e já joguei muito na praia.

Já dá para pensar na Olimpíada de Londres, em 2012?
Nalbert:
Ainda é muito cedo para falar em Olimpíada. Não quero criar falsas expectativas. O foco agora é outro. Quero ser um grande jogador e me divertir ao máximo ao lado de Franco a cada dia.

Pretende seguir o exemplo do seu parceiro e passar dos 40 anos jogando?
Nalbert:
Não tenho a expectativa de jogar até 41 anos. De repente jogo até os 38, até 2012. Mas isso não é pensando na Olimpíada e sim em mais quatro anos de carreira. Comecei a jogar profissionalmente em 1992 e seria muito bom chegar à marca de 20 anos atuando no alto nível.


Leia mais sobre: Nalbert vôlei de praia vôlei Bernardinho

> Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


Divulgação/CBV

nalbert

Volta ao vôlei de praia
Reestreia de Nalbert nas areias aconteceu na etapa de Camaçari do Circuito Brasileiro

Topo
Contador de notícias