Vôlei
27/08 - 16:35
Vôlei feminino chega ao Brasil e exorciza o rótulo de 'amarelar'
Com o ouro em Pequim, Zé Roberto projeta reformulação no elenco para a conquista do Mundial de 2010
Agência Estado
SÃO PAULO - Missão cumprida. Este era o sentimento da seleção feminina de vôlei em sua chegada ao Brasil, nesta quarta-feira, após a conquista do ouro olímpico nos Jogos de Pequim, que exorcizou o rótulo de equipe que "amarelava" em momentos decisivos, como a semifinal de Atenas-2004 e a final do Pan do Rio, no ano passado.
Apesar do cansaço, as atletas, puxadas pelo técnico Zé Roberto, exibiram suas medalhas douradas. "Essa seleção foi chamada de 'amarelona' e, internamente, a gente ficava maluco com isso. Eu já vi meninas batendo o que podiam e a bola não caia. Peço desculpas se ofendi alguém [declaração após a conquista do ouro], mas era mais para enaltecer o ouro do que outra coisa", afirmou Zé Roberto.
Com a conquista do ouro, Zé Roberto deixou claro que a meta, agora, é a conquista do Mundial, que será disputado em 2010, no Japão. Em 2006, a seleção perdeu a final para a Rússia. "Falta o mundial. Não pretendo voltar para os homens, não. Vou ficar fiel às mulheres", brincou o treinador, deixando claro que seu projeto continua com a seleção feminina, evitando especulações de que poderia voltar a comandar o time masculino, caso Bernardinho deixe o comando.
Para a conquista do Mundial, no entanto, Zé Roberto já planeja uma reformulação no elenco. A principal peça a ser reposta é a levantadora Fofão que, após 17 anos na seleção, deixa sua posição. "Acredito que toda levantadora precisa de experiência. Tenho certeza que aparecerão ótimas levantadoras, que precisam de apenas uma oportunidade", comentou a jogadora, que continua na profissão, mas apenas disputando a Superliga de vôlei.
RECEITA PARA O OURO
Depois da decepção da derrota na semifinal para a Rússia, Zé Roberto manteve seu trabalho e contou com o apoio das jogadoras para, enfim, dar a volta por cima. "O mais importante foi continuar trabalhando e não desistir. Esse grupo passou por situações difíceis depois de Atenas. No Mundial, no Japão, não tivemos a Fofão e a Fabi. No ano passado foi o mais difícil, com a derrota no Pan em casa [para a rival Cuba], gerando uma grande desconfiança por parte da torcida e da imprensa, o que é perfeitamente compreensível.
Além de manter o trabalho e não desistir perante as adversidades, Zé Roberto disse que a equipe contou com o "fator sorte" para chegar pronta para a disputa do ouro nos Jogos de Pequim. "A única coisa era que me deixava chateado era que não conseguíamos montar o time da forma como queríamos, mas felizmente isso mudou na melhor fase, que foi na Olimpíada e, com todas as opções, tivemos a capacidade de montar uma seleção forte."
FERNANDA VENTURINI
A atual seleção passou por um momento-chave pouco antes dos Jogos. Aposentada, a levantadora Fernanda Venturini fez um apelo público para voltar a jogar pela seleção, mas Zé Roberto não a convocou. "Tudo foi da forma como a gente planejou. A Fernanda não participou deste momento [de preparação] e, por isso, não seria justo colocá-la no lugar de alguém que participou deste ciclo. Ela é incontestável como jogadora, mas o momento era para outra jogadora."
MELHOR QUE O MASCULINO?
Zé Roberto tratou de evitar qualquer tipo de comparação entre as seleções feminina e masculina do Brasil. O técnico disse que os feitos da equipe comandada por Bernardinho são inigualáveis. "É incontestável o que a seleção masculina ganhou. Acho que nenhuma seleção de vôlei no mundo chegou perto, mas vamos tentar chegar perto disso. O mundo do voleibol vai mudar", disse o técnico, que prevê novidades nos próximos anos. "Haverá uma reciclagem e o importante é que a gente ainda fique com uma boa base para o futuro. Vamos continuar sendo uma força no voleibol no mundo."
FESTA
As meninas do vôlei, em cima de um carro do Corpo de Bombeiros, passarão pelas principais avenidas de São Paulo, tendo com destino o aeroporto de Congonhas, de onde cada atleta irá para sua casa.
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