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27/08 - 14:30

Campeã olímpica, seleção chega ao Brasil com trauma superado
Com direito a escolta até nos ares, as mulheres de Zé Roberto exibem orgulhosas a medalha de ouro e se dizem aliviadas com a conquista; assista ao vídeo ao lado >> 

Por Aretha Martins, do iG Esporte


SÃO PAULO - Medalha no peito e sorriso largo no rosto. Foi assim que a seleção brasileira de vôlei campeã em Pequim desembarcou em São Paulo nesta quarta-feira. Com um clima de festa e emoção, as jogadoras exibiram o ouro olímpico e, ao lado do técnico José Roberto Guimarães, demonstravam que as derrotas e o trauma da Olimpíada de 2004 ficaram no passado e que, agora, todos estão leves e com a cabeça erguida.

“A gente chorou e sofreu muito depois de Atenas para sorrir em Pequim”, disse Zé Roberto em entrevista coletiva. “Retribuímos ao Brasil uma medalha perdida, que poderia até ter sido uma prata”, falou técnico ao lembrar da derrota na semifinal para a Rússia nos Jogos Olímpicos de 2004. “Mas agora retribuímos com o ouro”, completou.

E o ouro foi até escoltado na chegada à capital paulista. Pouco antes de pousar no Aeroporto Internacional de Cumbica, o avião da seleção brasileira ganhou uma companhia nos ares. “Pegaram o microfone e nos avisaram que estavam vindo recepcionar a gente. Não entendemos nada, mas quando olhamos para fora, tinham quatro caças do lado do avião e voando tão perto que parecia até que iam bater”, contou Mari. Segundo Zé Roberto, a cena o fez saber da importância da conquista. “Eu me emocionei”, falou.

AE
Meninas da seleção posam para foto com suas medalhas douradas


O clima de festa e emoção continuou em terra, na coletiva. Enquanto Zé disse que o grupo merecia a medalha dourada, a central Waleswka, que disputou a sua terceira olimpíada, chorava na ponta da mesa e dizia para Walesquinha, que estava ao seu lado: “é só ele falar.. Vou começar a chorar”. “Acho isso faz a gente lembrar de tudo que sofreu, de todos os adversários. Vem tudo a tona”, explicou a jogadora.

Paula Pequeno também não segurou as lágrimas. Do outro lado da mesa, ela olhou para as companheiras e afirmou que vai se lembrar de todos os momentos desse grupo, de todas as conquistas e palhaçadas, e caiu no choro.

O único momento de tristeza em meio a toda a euforia da seleção foi a despedida de Fofão. A levatandora vai deixar o grupo e seguir sua carreira apenas em seu clube, o São Caetano. "Levantador é a alma do time e vai ser difícil achar alguém para o lugar da Fofão", disse Zé Roberto.

A sensação que vive esse grupo, criticado após perder a semifinal para a Rússia em Atenas e por “amarelar” nas finais, é de alívio. “Foram quatro anos com a gente batendo na trave. E a gente queria muito essa medalha. É um alívio porque a medalha veio e, enfim, conseguimos um resultado importante”, comentou Fabi.

Além do ouro, a jogadora voltou de Pequim como a melhor líbero da competição. “Se eu te disser que eu ainda nem pensei nisso, você acredita? De verdade!”, confessou Fabi.  “A ansiedade e a expectativa para essa medalha eram tão grandes que quando o Zé veio me falar parabéns, eu nem pensava em nada, só queria saber da medalha”, completou a líbero.

Na entrevista coletiva desta quarta, as medalhas de ouro receberam atenção especial das jogadoras. Logo no começo, todas sentaram e apoiaram o ouro sobre a mesa. Quem não colocou a medalha no local correto levou bronca da companheira.

Segundo o técnico José Roberto Guimarães, a conquista veio na hora certa. Ele lembrou que assumiu a seleção feminina de vôlei apenas um ano antes da Olimpíada de Atenas e teve pouco tempo para estruturar o grupo. “Naquela situação, nos não merecíamos ganhar”, disse ele. Agora, o treinador ressalta o trabalho feito nos quatro anos do ciclo olímpico. “Estávamos muito focados. Trabalhamos e nos concentramos o tempo todo. Até na Vila as jogadoras se cuidaram, se alimentaram bem e se dedicaram bastante. Não vi ninguém batendo perna ou desperdiçando energia”, analisou. “Agora nos merecemos essa medalha”, falou Zé Roberto.

O comandante brasileiro também lembrou que já acreditava no título antes mesmo da final olímpica. “Eu nunca tinha ficado tão tranqüilo em uma competição. Vi que o time estava em uma velocidade maior que os outros e que a vitória era uma questão de tempo”, contou Zé Roberto. Ele comentou que até as jogadoras estranharam a sua tranqüilidade. “A Paula Pequeno veio me perguntar porque eu estava tão calado”, disse. “Mas não tinha mais nada o que dizer. Elas sabiam o que deveriam fazer”, completou.


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