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Em sua melhor semana no circuito, Albert Ramos conta como o sucesso inesperado em São Paulo complica sua vida de estudante

Em meio à insegurança da transição de uma carreira juvenil para a de profissional, o tenista Albert Ramos se apegou aos estudos como um porto seguro, no caso de não conseguir emplacar no circuito. A julgar por seu desempenho no Brasil Open, vai demorar um bocado para a espanhol conseguir seu diploma de administrador de empresas.

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“O que tento é me preparar para o final da minha carreira, para o dia que me aposentar, poder me dedicar algo e ter um futuro melhor”, afirma Ramos ao iG . “Mas ultimamente está mais difícil estudar, com tantas viagens, treinamentos, partidas.

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Não que ele esteja muito preocupado com isso. Em São Paulo, ao derrotar o laureado compatriota Fernando Verdasco, ele garantiu o melhor resultado de sua carreira profissional, chegando a uma semifinal de torneio ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) pela primeira vez. Isso, depois de já ter chegado ao evento com o ranking mais alto em cinco anos no circuito, sendo o número 64 do mundo.

Caso perca para o atual campeão Nicolás Almagro neste sábado, Ramos já vai partir rumo a Buenos Aires com mais de US$ 45 mil de premiação. A poupança vai crescendo. Para o espanhol, porém, os estudos hoje não são encaminhados necessariamente como a garantia de uma profissão quando se distanciar da raquete. Servem também como uma espécie de terapia para o jogador suportar o estresse de sua atual carreira.

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“Depois da etapa júnior, em que fui bem, foi um pouco difíci entrar no profissional. Então, para diminuir um pouco a pressão, comecei a universidade e isso me ajudou bastante para não pensar todo o dia em tênis. Quando você sofre uma derrota, isso o ajuda a encarar apenas como uma partida, que há mais o que fazer fora dali”, diz.

“Gosto muito de estudar, e vou tentando fazer assim pouco a pouco. Agora espero poder seguir o ritmo de estudos porque não é fácil. A rotina te deixa exausto, você só quer saber de descansar, mas tenho de me esforçar para tocar os estudos aos poucos, nem que seja algumas poucas matérias, para manter minha cabeça mais desperta.”

Subindo

Embora tenha perdido quatro de suas primeiras cinco partidas no ano, Ramos chegou a São Paulo em ascensão, depois de ter encerrado a temporada passada pela primeira vez dentro do top 100. De volta ao saibro, seu piso preferido, era o momento de confirmar a boa fase.

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“No último ano e meio minha progressão tem sido constante. As coisas estão dando certo, estão melhorando”, afirma. “Agora tenho de me esforçar para que isso não pare por aqui, numa semana boa dessas. É o que digo: não dá para relaxar nunca. Se você relaxa, os jogadores com certeza te deixam para trás.” 

Na capital paulista, também há um outro fator que faz o tenista crescer, além da superfície da quadra montada no Ginásio do Ibirapuera. Foi na cidade que ele conquistou, em 2006, um ano antes de se profissionalizar, um dos troféus mais relevantes das competições entre juniores: o Banana Bowl – que já teve John McEnroe, Andy Roddick, Fernando González e Fernando Meligeni entre seus ganhadores. 

Uma casualidade

O difícil, para o tenista, é perceber qual seria esse outro ingrediente que facilite seu sucesso por estas bandas paulistanas – e, não, exatamente brasileiras, já que, no ano passado, ele foi derrotado já na primeira rodada do qualfying do ATP nacional pelo jovem brasileiro Caio Zampieri. Seria a altitude, o jogo mais rápido no saibro? “É curioso isso, porque não estou muito acostumado a jogar com altitude e, justamente aqui, as coisas vão saindo bem. Não sei se é uma casualidade. Não sei dizer o porquê de seguir jogando bem na altitude,” comenta. 

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“Vencer aquele torneio (Banana Bowl) tinha sido um sonho e é uma recordação que sempre terei. Agora chegar uma semifinal aqui é uma coisa muito bonita”, diz Ramos. “Tomara que possa continuar fazendo bem para mim deste modo, que os resultados me acompanhem aqui e que eu possa repetir isso em outros lugares.”

Desta forma, a cada bola vencedora do tenista em São Paulo ou em outra escala do circuito ATP, o espanhol vai reforçando sua confiança. E as apostilas, o lápis e o caderno vão ficando de canto esperando o dia em que poderão ser recuperados.