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Tenista nº 1 do país alega exaustão emocional em derrota para Volandri e fecha campanha com mais incertezas do que confiança

Bellucci sucumbiu aos problemas físicos e foi eliminado por Volandri
Divulgação
Bellucci sucumbiu aos problemas físicos e foi eliminado por Volandri
O tenista Thomaz Bellucci voltou a vencer dois jogos em sequência no circuito ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) pela primeira vez desde junho do ano passado, considerando uma dessas vitórias a mais especial de sua carreira , justamente aquela que o levou a alcançar a semifinal do único torneio de elite de seu país. Ainda assim, Bellucci não consegue afastar de si a noção de que passa por um momento de martírio em sua carreira.

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“Tentei dar o máximo, mas algumas pessoas acham que não faço isso e isso às vezes me faz sentir mal”, afirmou o tenista, um tanto cabisbaixo, em entrevista coletiva no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. “Pouca gente sabe o quanto eu me dedico, para conseguir ficar de quadra. Infelizmente, eu dei meu máximo e não consegui vencer.”

Depois de ser eliminado pelo veterano italiano Filippo Volandri na semifinal do Aberto do Brasil neste sábado, Bellucci afirmou que não tinha condições físicas e emocionais para encarar esse desafio devido ao intervalo que teve para se recuperar de seu emocionante triunfo sobre o argentino Leonardo Mayer, na noite de sexta-feira. O jogo durou mais de duas horas e meia, e a vitória veio de virada, com uma boa contribuição das arquibancadas, algo reconhecido pelo atleta.

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Neste sábado, porém, Bellucci admitiu certa decepção com o comportamento do público diante de suas dificuldades em quadra. “No finalzinho, vi muita gente indo embora durante o jogo. Não sei se preciso pedir desculpas, mas hoje infelizmente não deu”, afirmou. A declaração revela também, no fim, um pouco da frustração e insegurança do atleta como o número um do pais.

“Estava morrendo”
“Depois de cada ponto, parecia que ele estava morrendo”, foi o que disse o italiano Volandri, depois de ver seu adversario constantemente apoiar a raquete no chão, se alongar, mexer no tênis, se encostar nos tapumes ao fundo da quadra e se arrastar em quadra de game para game. “É difícil para ele jogar com uma lesão, mas não tinha ideia do que ele tinha.”

Na verdade, Bellucci afirmou que seus problemas não estavam relacionados a nenhuma contusão ou lesão em específico, embora tenha reforçado uma proteção ao seu tornozelo esquerdo durante a partida, após leve torção no duelo com Mayer. Segundo o paulista de Tietê, ele simplesmente não tinha energia para derrotar o italiano.

“Não consegui me recuperar para hoje. Entrei muito cansado, e senti isso mesmo nos primeiros pontos. Em 12 horas (de descanso), não dá para recuperar o corpo. Não o jogo em si, mas emocionalmente foi muito desgastante”, afirmou. “Hoje não consegui jogar. Acho que foi mais pelo aspecto mental mesmo. Mental e físico. Estava com dores no corpo todo.”

Apelo contraditório

Thomaz Bellucci lamenta erro
Getty Images
Thomaz Bellucci lamenta erro
As manifestações da torcida no Ibirapuera acompanharam as oscilações que recorrentes na carreira de Bellucci. Em nenhum momento houve a euforia que predominou em seu jogo das quartas de final, mas também não se pode dizer que ele tenha frustrado totalmente seus fãs.

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Por vezes, os espectadores se empenhavam em apoiar o brasileiro, percebendo que ele não vivia seus melhores momentos no jogo, como no início do terceiro set em que cantaram e vibraram por cada bola vencedora do atleta. Em outras ocasiões, no entanto, manifestaram impaciência e perplexidade por alguns erros cometidos pelo jogador ou em pontos em que ele simplesmente desistiu de correr atrás da bola. Ao final da partida, com o brasileiro tendo perdido vencido apenas dois dos últimos 14 games disputados, o saldo foi uma combinação antagônica de aplausos dissipados por vaias.

Essa reação foi sentida por Bellucci, que ainda luta para conquistar a confiança dos aficionados por seu esporte. “Fiquei na quadra mesmo em respeito à torcida. Se fosse em um torneio fora do país, sem ter tanta gente torcendo para mim, não teria ido até o final. Sabia que minha chance era muito pequena”, afirmou.

No fim, com sua melhor campanha em um evento ATP desde maio do ano passado, Bellucci vai deixar o país com as mesmas incertezas e o mesmo apelo ao público.“Nunca vai ser o bastante para alguns”, afirma. “Mas espero que vejam com bons olhos o que fiz durante a semana.”