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Tênis
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Sem tenistas entre os oito melhores do mundo, Brasil é representado por árbitro no ATP Finals

Aos 46 anos de idade, Carlos Bernardes é um dos quatro juízes de cadeira escolhidos pela Associação dos Tenistas Profissionais para o torneio de Londres

iG São Paulo |

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O Brasil também tem o seu representante no torneio que reúne os 8 melhores tenistas da temporada.  Se o país passou longe de classificar algum jogador para o ATP Finals, pelo menos na arbitragem, está bem representado. O paulista Carlos Bernardes é um dos principais árbitros do circuito profissional do tênis. Já apitou três finais de Grand Slam na carreira e tem boas chances de apitar a decisão em Londres.

Para a gente, o mais importante é estar no torneio. É fazer parte da história, diz Bernardes. O brasileiro faz parte da seleta lista da Associação dos Tenistas Profissionais dos melhores árbitros do mundo. Somos em vinte, mais ou menos. Hoje, vivo desta profissão, contou em entrevista exclusiva ao iG na Arena O2.

Confira a entrevista na íntegra :

iG: Como começou sua história de árbitro de tênis?
Bernardes: Entrei no tênis por acaso. Eu pulava o muro do estádio Lauro Gomes, em São Caetano do Sul, pra jogar tênis de fim de semana.  Comecei a jogar um pouquinho, depois virei professor e um dia teve um torneio em São Paulo (Federation Cup) e me interessei em ser árbitro. Gostaram do meu trabalho e começaram a me convidar para vários torneios pelo Brasil. Aí parei de dar aulas e decidi encarar a vida de árbitro, ver como é que era e estou aqui.

iG: Você está entre os principais árbitros da ATP. Quantos são nesta principal categoria de arbitragem?
Bernardes: Somos em vinte, mais ou menos, no mundo. Mas que trabalham neste tipo de evento (ATP Finals), somos uns doze. E aqui em Londres, para esta edição do torneio, somos quatro árbitros principais. Eu, dois suecos (Lars Graff e Mohamed Layhani) e um americano (Steve Ullrich).

iG: Quais as exigências de preparação da ATP para os árbitros durante o ano?
Bernardes: Fazemos todos os anos um exame de vista. O resto é concentração e experiência. Não tem muita exigência da parte física. Claro que procuro me cuidar bem física e mentalmente para poder trabalhar neste nível do tênis.

iG: E quais os jogos que você apitou que mais te marcaram?
Bernardes: As três finais de Grand Slam. Todas no Aberto dos Estados Unidos. Foram duas de simples (2006 e 2008) e a final de duplas (2010). Eu nunca imaginava que teria essa chance.

iG: Como é a sua rotina? Você vive do tênis?
Bernardes: Eu moro em Bergamo, na Itália. Hoje o tênis é muito mais profissional do que há 20 anos quando eu comecei. Hoje os árbitros vivem da profissão, é o meu caso. Trabalho de 20 a 30 semanas por ano. Temos um calendário como o dos jogadores. Não recebemos cachê por jogo que trabalhamos. Temos salário, então tanto faz se você fizer um jogo ou dez por mês. É a mesma coisa.

iG: E as escalas dos torneios, como são feitas?
Bernardes: Nós (os 20 principais árbitros) temos um certo privilégio. No final de cada semestre recebemos um calendário e podemos escolher os torneios que queremos apitar. Temos a prioridade em relação aos outros árbitros. Então, geralmente a gente pega quase todos os torneios que a gente prefere trabalhar no ano.

iG: E quais são os seus prediletos?
Bernardes: Os torneios grandes são os mais interessantes. Eu gosto bastante de Monte Carlo, Barcelona, Roma, Wimbledon, Roland Garros...são muitos!

iG: Tem algum tenista mais chato de apitar jogo?
Bernardes: Não, hoje não temos no circuito ninguém assim. Não tem mais um John McEnroe da vida, acho até que ele nem faria as mesmas coisas se jogasse hoje em dia. As multas são graves para atos de indisciplina, atualmente é muito mais profissional do que antes.

iG: Como é o contato com os jogadores?
Bernardes: Nós ficamos com eles praticamente metade do ano. Estamos nos mesmo lugares, pegamos os mesmos voos, muitas vezes o cara vem e senta na sua mesa para almoçar e jantar. São pessoas normais, são totalmente acessíveis, não tem aquele negócio de estrela.

iG: Quais as suas chances de apitar a final do ATP Finals?
Bernardes: Então, para a gente o mais importante é trabalhar no torneio, estar no evento e fazer parte da história. A organização só evita de colocar um árbitro da mesma nacionalidade de algum dos tenistas. Quer dizer, se der Soderling (sueco) e Roddick (americano) na final, eu vou apitar (risos).

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