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Superado apenas por Thomaz Bellucci entre os brasileiros no ranking mundial, João Souza ocupa sua melhor posição na lista (84º)

Tricampeão de Roland Garros e ex-número 1 do mundo, Gustavo Kuerten montou um projeto de formação de jogadores em parceria com CBT (Confederação Brasileira de Tênis), Ministério do Esporte e o técnico Larri Passos. Apontado como "referência" no programa pelo ídolo catarinense, João "Feijão" Souza, 23 anos, ainda se vê longe do auge e mira o top 70.

"O Feijão entra no último trampolim da nossa equipe e vai contribuir bastante como referência para os mais novos. Hoje, ele é o jogador do projeto com maior grau de atenção e conhecimento, uma situação que queremos aproveitar. A gurizada dos Challengers poderá passar uma semana treinando com o Feijão em um torneio importante, por exemplo. Sabemos que são essas coisas que fazem a diferença a longo prazo", afirmou Guga.

Feijão encarnou o papel de referência projetado pelo tricampeão de Roland Garros. "Fico lisonjeado pelas palavras do Guga. Espero ajudar essa molecada para que o tênis no Brasil cresça cada vez mais. Quanto mais bons tenistas, mais gente vai querer começar a jogar. Tenho dois ou três anos a mais que os outros e conheço todos. Eles têm totais condições de jogar um tênis de alto nível", disse.

Foram selecionados 15 tenistas para participar do programa, a maioria jovens ainda em início de carreira. Superado apenas por Thomaz Bellucci entre os brasileiros no ranking mundial, Feijão ocupa sua melhor posição na lista (84º) e foge do perfil de seus companheiros no projeto de formação de talentos, uma vez que já costuma participar dos maiores torneios do circuito.

"Na realidade, nossa equipe foi concebida para entregar o jogador na situação que o Thomaz já está e que o Feijão está perto. É importante ter um membro do projeto melhor do que os demais para poder usá-lo como alavanca. Se o Feijão fizer parte da equipe por três ou quatro meses e depois deslanchar, entrar entre os 50 do mundo, ótimo. Assim, ele daria espaço para outro jogador na equipe", declarou Guga.

Os resultados de Feijão nesta temporada servem como credencial para o status citado por Guga. Em 2011, o jogador finalmente entrou no top 100, no qual se mantém há seis semanas, recebeu sua primeira convocação para a Copa Davis e estreou na chave principal de um Grand Slam após 11 tentativas infrutíferas de furar o quali. Para completar, fez semifinal no ATP 250 de Kitzbuhel e nesta segunda-feira derrotou o espanhol Tommy Robredo, ex-número 5 do mundo, no ATP 250 de Bucareste.

"Vamos dizer que estou no meu momento: mais experiente, conseguindo enxergar o tênis e os jogos de outra forma. Tenho evoluído, mas com certeza ainda estou longe do meu auge. Tenho muita condição de subir cada vez mais", disse Feijão, de olho no top 70. "Seria ótimo. Preciso de mais uns 300 pontos para jogar a chave dos ATPs da Austrália de 2012 e de repente pegar uma chave de Roland Garros", declarou.

Em seu confronto de estreia na chave principal de um Grand Slam, Feijão encarou o experiente Robby Ginepri, na primeira rodada do Aberto dos Estados Unidos. Ex-top 15 do ranking mundial e dono de três títulos de primeira linha, o tenista norte-americano ganhou com parciais de 6/3, 6/4, 6/7 (5-7) e 6/1. Impressionado com a experiência, o brasileiro festejou a parcial vencida.

"Foi a primeira vez que joguei uma partida de 5 sets e numa quadra tão grande. Na hora que você entra na quadra, percebe que é muito grande. Nos torneios que eu costumo jogar, não tem torcida. Fiquei nervoso no primeiro set e depois comecei a me soltar. Aprendi bastante, já sei onde errei e no que preciso melhorar. Foi uma experiência inesquecível: em meu primeiro Grand Slam, ganhei um set", encerrou.