Espanhol contou que sofreu quando médicos descobriram uma grave e rara lesão congênita no seu pé direito

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Considerado o maior tenista de saibro da história, Rafael Nadal quase abandonou as raquetes em 2005 para jogar golfe. A revelação consta na autobiografia do espanhol que será lançada nesta terça-feira em Nova York.

Escrita pelo inglês John Carlin, autor do livro que inspirou o filme 'Invictus', a autobiografia também conta como os problemas familiares atrapalharam o desempenho do espanhol em 2009, a rivalidade e amizade com o suíço Roger Federer e como o atual número dois do mundo desenvolveu seu invejado controle mental dentro das quadras.

Este equilíbrio começou a ser construído depois que Nadal superou o momento mais difícil da sua carreira, em 2005, quando os médicos descobriram uma grave e rara lesão congênita no seu pé direito. "O diagnóstico inicial foi como um tiro na cabeça", registra Nadal, que chegou a projetar uma carreira no golfe logo após o susto. "O osso ainda dói. Está sob controle apenas, mas nunca podemos baixar a guarda".

Superado o problema, Nadal evoluiu a passos largos dentro das quadras até ser parado por Federer em duas finais seguidas em Wimbledon, a última delas marcada por seguidos match points desperdiçados pelo espanhol. Ele, porém, não desanimou e mostrou grande força mental ao dar a volta por cima em 2008, quando derrubou o suíço em um jogo épico na final do Grand Slam londrino.

"O que mais me consome energia em uma partida de tênis é calar as vozes dentro da minha cabeça, remover tudo da minha mente", afirma Nadal em seu livro. "Acho que tenho uma capacidade maior do que os meus rivais em aceitar dificuldades e superá-las", reconhece.

Fora das quadras, Nadal viveu sua fase mais delicada em 2009, quando seus pais se separaram, logo após se sagrar campeão do Aberto da Austrália. "Minha atitude foi ruim. Fiquei depressivo, sem entusiasmo", conta. Mesmo sem condições psicológicas de competir. O espanhol tentou defender seu título em Roland Garros, mas acabou sofrendo sua primeira derrota na França, ainda nas oitavas de final.

Na sequência, desistiu de buscar o bicampeonato em Wimbledon, também por conta de problemas físicos. "Meus joelhos eram a primeira razão [para a desistência], mas eu sabia que a raiz dos meus problemas era o meu estado mental".

Sobre seus rivais, Nadal demonstra grande respeito por Federer, a quem considera "uma abençoada extravagância da natureza", se referindo às habilidades do suíço. Novak Djokovic é caracterizado como um "oponente formidável", "um jogador temperamental, mas de imenso talento".

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