Nascido no Rio de Janeiro, tenista se naturalizou sueco aos 15 anos, quando se destacou em torneio em solo europeu

Atraído pelo projeto de formação de jogadores idealizado por Gustavo Kuerten e voltado aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016, Christian Lindell está cada vez mais perto de jogar pelo Brasil. Receoso com a reação dos suecos, o jogador de dupla nacionalidade já pensa em como se explicar aos escandinavos.

"Sem dúvida, acho que eles vão ficar chateados, porque me deram apoio desde os 15 anos. Com certeza, entendo o lado deles e tenho receio disso. Mas preciso pensar em mim. Infelizmente, o tênis é um esporte individual. Tenho que pensar na minha carreira, no que vai ser melhor para mim e para o meu tênis", disse o jogador durante o Challenger de Campinas.

Filho de pai sueco e mãe brasileira, Christian Lindell, nascido no Rio de Janeiro, foi passar férias no país europeu durante sua adolescência e resolveu disputar um torneio. Após se destacar, o garoto acabou convidado a mudar de nacionalidade pela federação local, que arcou com os custos de seu desenvolvimento.

Em 2010, depois de alcançar a semifinal da etapa de São Paulo da Copa Petrobras, ele chamou a atenção da CBT (Confederação Brasileira de Tênis) e passou a negociar com a entidade a possibilidade de defender o país em que nasceu. Selecionado para o projeto de Guga, Lindell deve oficializar a mudança nas próximas semanas.

"O que mais me deixou inclinado a participar desse projeto foi o Guga estar tão a fim de fazê-lo funcionar. Se eu realmente fechar, é uma coisa que vai ser muito boa para mim. Na Suécia, eles não têm nada parecido com isso agora. Sei que eu quero defender o Brasil e as chances de isso acontecer são grandes", declarou.

Com 19 anos, Lindell é o 323º colocado no ranking mundial e chegou ao 288º posto em julho. Ele estaria na 11ª posição entre os brasileiros, mas é, pelo menos, três anos mais novo que os melhores do País. Na Suécia, além de Robin Soderling, sexto da lista, apenas Michael Ryderstedt, 26 anos e 271º, está na frente do jovem nascido no Rio de Janeiro.

Thomas Enqvist, ex-top 5 e atual capitão da Suécia na Copa Davis, disputou a etapa de São Paulo do Circuito de Veteranos da ATP no último mês de maio. Questionado na época se consideraria injusta uma mudança de posição de Lindell, ele foi cauteloso, mas deixou sua posição clara.

"Obviamente, investimos muito no Christian e vamos ficar desapontados se ele escolher não jogar pela Suécia. Eu gosto do Christian, é um garoto fantástico. Ele é metade brasileiro e metade sueco. Desejo o melhor a ele e espero que continue jogando pela Suécia", afirmou Enqvist em matéria publicada no dia 2 de junho.

Lindell, que disputou a Copa do Mundo de Nações após um chamado do astro Robin Soderling, já pensa no que dizer aos suecos. "Não posso ficar pensando: 'ah, não vou mudar, porque o Enqvist vai ficar chateado comigo'. Quando tomar essa decisão, tenho que avisar o pessoal de lá, agradecer por todo o apoio e explicar que é um projeto para as Olimpíadas. Espero que eles compreendam", declarou.

Em sua estreia no Challenger de Campinas, ainda jogando pela Suécia, Lindell venceu o monegasco Benjamin Balleret com parciais de 4/6, 6/1 e 7/6 (7-3), na última terça-feira. Na próxima rodada, ele enfrenta o brasileiro Júlio Silva, cabeça de chave número 5, que bateu o alemão Peter Gojowczyk com parciais de 6/0 e 6/2.

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