Em dez anos de carreira, Dudi Sela já jogou em Bermuda, Uzbequistão, China e Vietnã, mas nunca em um país árabe

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Israelense Dudi Sela nunca atuou em um país árabe pelo circuito da ATP
Desde 2001, o israelense Dudi Sela passa o ano viajando entre continentes para disputar o circuito mundial de tênis. Em dez anos de carreira, já jogou em Bermuda, Uzbequistão, China e Vietnã, mas nunca em um país árabe, para evitar situações como a de sua compatriota Shahar Peer, que em 2009 teve seu visto negado pelo governo dos Emirados Árabes Unidos e não pôde disputar o WTA de Dubai.

As autoridades locais afirmaram que a negativa ocorreu por motivos de segurança, já que não teriam como garantir a integridade da tenista. Após reclamações de jogadoras e dirigentes da WTA, a política foi alterada e Peer disputou a edição de 2010 do torneio, em que chegou à semifinal. Durante a competição, ela andou com guarda-costas, só deixou o hotel para ir às quadras e foi a única jogadora com vestiário particular.

"No começo do ano eu posso ir jogar no Catar [ATP 250 de Doha], na Índia [ATP 250 de Chennai] ou na Austrália [ATP 250 de Brisbane]. Eu só prefiro ir à Austrália, para não me envolver em nada assim", disse o tenista, nascido na cidade de Kiryat Shmona, perto da fronteira com o Líbano.Os dois países têm um histórico de confrontos armados, como as Guerras do Líbano de 1982 e 2006, e Sela conviveu durante a infância com mísseis cruzando o céu e explosões. Atualmente, ele mora em Tel Aviv, uma das cidades mais importantes do país.

Em Israel, todos os jovens são obrigados a cumprir três anos no serviço militar, mas por ser atleta Sela não precisou seguir a regra. Ele se apresentou ao Exército durante um período mais curto, passando apenas algumas horas por dias de farda, para poder continuar o desenvolvimento de sua carreira.

Pouco envolvido com a religião judaica ou as questões políticas de seu país, Sela tenta evitar que sua carreira seja influenciada por esses fatores e garante que jogaria em parceria com um atleta palestino, imitando a iniciativa do indiano Rohan Bopanna e o paquistanês Aisam-ul-Haq Qureshi.A Índia e o Paquistão disputam o controle da região da Caxemira, fronteiriça entre os países, mas os tenistas ignoram as tensões militares e jogam juntos com regularidade desde 2009. Atualmente, ocupam a quinta colocação do ranking mundial da ATP.

"Não seria nenhum problema para mim. Meu melhor amigo é muçulmano, tenho muitos amigos que são", afirmou o tenista. "Acho que o esporte não deveria ser envolvido em questões como essa. Somos apenas atletas, só queremos jogar", completou Sela.

Em 2011, o israelense não teve um bom início de temporada, caiu no ranking e acabou se destacando apenas em torneios de nível mais baixo. Número 29 do mundo em 2009, ele disputa em São Paulo o Challenger Finals, que reúne os sete melhores jogadores do ano em competições desta categoria, e busca retomar os melhores momentos de sua carreira. Um de seus maiores adversários na briga pelo título na capital paulistana é o brasileiro Thomaz Bellucci, convidado da organização, a quem derrotou na primeira rodada do Aberto dos Estados Unidos.

Em Nova York, o brasileiro vencia a partida por 2 sets a 0, mas caiu de rendimento e viu o rival se recuperar na partida e obter o domínio. No quinto e decisivo set, em que Bellucci pediu atendimento médico por conta de dores na perna, o israelense venceu por 6/0.

"Naquele jogo estava 2 a 0 para ele e eu comecei só a passar a bola para o outro lado, porque não estava jogando bem. De repente comecei a ganhar alguns pontos, ele baixou um pouco seu nível e a partida mudou completamente", relembrou Sela, que pode enfrentar o brasileiro em São Paulo na decisão ou na semifinal.

Ele estreou no torneio paulistano com vitória sobre o alemão Cedrik-Marcel Stebe por 2 a 0, parciais de 6/4 e 7/6 (7-3), nesta quarta-feira, e tem como próximo adversário o português Rui Machado no Grupo Amarelo. No Brasil pela segunda vez em sua carreira - em 2004 jogou os Challengers de São Paulo, Campos do Jordão, Belo Horizonte e Gramado - Sela é fã de futebol, mas diz não conhecer nenhum time brasileiro. Lembra-se apenas de um jogador: "Romário!".

Mesmo tendo passado quase um mês no País em 2004, o israelense foi pela primeira vez a uma churrascaria, na última terça-feira. Sem comer carne de porco, como prega o judaísmo, o israelense aprovou o rodízio. "Nunca tinha ido a um lugar assim, é inacreditável. Adorei aquilo".

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