Jovem tenista de 19 anos é nascido no Brasil, mas se naturalizou sueco a convite da federação de tênis do país europeu

Christian Lindell é alvo de disputa entre federações de tênis da Suécia e do Brasil
Divulgação
Christian Lindell é alvo de disputa entre federações de tênis da Suécia e do Brasil
O sueco Thomas Enqvist, ex-top 10 e atual capitão da equipe de seu país na Copa Davis, disputou a etapa de São Paulo do Circuito de Veteranos da ATP na semana passada. Em sua passagem pela cidade, ele contrariou Jorge Lacerda, presidente da CBT (Confederação Brasileira de Tênis), e disse apostar na permanência Christian Lindell, que tem dupla nacionalidade.

"No último contato que tivemos, o Christian disse que realmente quer jogar pela Suécia. Ele, inclusive, fez isso na Copa do Mundo de Dusseldorf. O Christian tem feito parte do nosso programa [de desenvolvimento] há muito tempo e acho que, esportivamente, ele sente que pertence à Suécia. Mas é só ele que pode decidir", afirmou Enqvist.

Filho de pai sueco e mãe brasileira, Lindell, nascido no Rio de Janeiro, foi passar férias no país europeu aos 16 anos e resolveu disputar um torneio. Após se destacar, acabou convidado a mudar de nacionalidade pela federação local, que arcou com os custos de seu desenvolvimento.

Em 2010, após alcançar a semifinal da etapa de São Paulo da Copa Petrobras, ele chamou a atenção da CBT e passou a negociar com a entidade a possibilidade de defender o Brasil. Como a Copa do Mundo é organizada pela ATP e não pela ITF (Federação Internacional de Tênis), ter atuado pela Suécia em Dusseldorf não impede o tenista de mudar novamente.

Atual quinto colocado no ranking mundial, Robin Soderling formou a equipe sueca na Copa do Mundo e convocou Lindell. O top 10, inclusive, costuma brincar com o sotaque do garoto. Ainda em transição dos futures e challengers para os qualis de torneios da ATP, ele foi derrotado pelo norte-americano John Isner, pelo argentino Juan Ignacio Chela e pelo cazaque Mikhail Kukushkin, todos bem mais experientes.Questionado se consideraria injusta uma mudança de posição de Lindell, Enqvist foi cauteloso. "Eu prefiro não comentar isso. Obviamente, investimos muito no Christian e vamos ficar desapontados se ele escolher não jogar pela Suécia. Eu gosto do Christian, é um garoto fantástico", disse o capitão.

Com 19 anos, Lindell é o 321º colocado no ranking mundial, sua melhor posição na carreira. Ele estaria no 14º lugar entre os brasileiros, mas é mais jovem que os 13 melhores do País. Na Suécia, além de Soderling, apenas Michael Ryderstedt, 26 anos e 306º da lista da ATP, está na frente do jovem nascido no Rio de Janeiro.

"Acho que o Christian é um jogador muito talentoso. Ele tem um bom futuro, mas ainda precisa evoluir. Existem alguns passos que ele tem que completar. Ele está trabalhando duro nisso e temos que dar tempo a ele. O Christian é metade brasileiro e metade sueco. Eu desejo o melhor a ele e espero que continue jogando pela Suécia", reiterou Enqvist.

Pelas quartas de final do Grupo Mundial da Copa Davis, a Suécia recebe a Sérvia entre os dias 8 e 11 de julho. Se defender o país europeu no torneio organizado pela ITF, Lindell precisaria ficar três anos afastado de competições por nações para poder mudar de nacionalidade.

Joachim Johansson, titular na última série, anunciou sua aposentadoria recentemente, o que implica em um ganho de terreno para o brasileiro. Em Dusseldorf, ele atuou ao lado de Soderling e dos duplistas Simon Aspelin e Robert Lindstedt, todos titulares no confronto anterior da Suécia na Davis.

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