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Tênis
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Djokovic tem o melhor começo de temporada da ATP em 25 anos

Invicto em 2011, sérvio vem de 20 vitórias seguidas, feito alcançado pela última vez em 1986, por Ivan Lendl

Pedro Taveira, iG São Paulo |

Reuters
Djokovic beija o troféu do Aberto da Austrália, seu segundo título de Grand Slam
O que era para ser o início de uma década de batalhas entre Roger Federer e Rafael Nadal pelo trono de melhor tenista de todos os tempos se tornou o começo do possível reinado de Novak Djokovic. Com três títulos e ainda invicto em 2011, o sérvio retomou a vice-liderança do ranking da ATP e aparece como grande nome da temporada até aqui.

A conquista do Masters 1000 de Indian Wells na última semana, somada aos triunfos no Aberto da Austrália e no ATP 500 de Dubai, levou Djokovic a 18 vitórias consecutivas no ano, sendo três delas sobre Federer e uma contra Nadal.

Com os dois resultados já obtidos nos Masters 1000 de Miami, o sérvio chegou a 20 vitórias seguidas e se tornou o terceiro tenista a conseguir tal feito nos últimos 30 anos. Apenas John McEnroe, com 39 em 1984, e Ivan Lendl, 25 em 1986, tiveram inícios de temporada tão bons. A última vez, portanto, foi há 25 anos. Outra lenda do esporte. considerado por muitos o maior da história, Pete Sampras atingiu “somente” 17 jogos invictos em 1997.

Com desempenho impecável, Djokovic chama a atenção de grandes nomes do tênis mundial, que o colocam como sucessor natural de Rafael Nadal no topo do ranking. Resta saber somente se ele terá forças para manter a excelente fase e acabar com a ainda enorme vantagem do espanhol na lista da ATP (12.630 pontos contra 8.710).

Raça e maturidade
Jovem e irreverente, “Nole” é símbolo de raça dentro de quadra. Forte fisicamente, é do tipo de atleta que, como poucos, briga até o fim em todas as jogadas. Fora das quatro linhas, o homem de 23 anos chama a atenção pela personalidade cômica e pelo patriotismo exacerbado. Líder da Sérvia na vitoriosa campanha da Davis em 2010, Djokovic frequentemente exalta sua nação, sobrevivente a duas guerras civis nos últimos 20 anos.

Desde 2008, o tenista figura entre os favoritos nos grandes torneios do circuito da ATP. Chegou a faturar o Aberto da Austrália daquele ano, mas o fato é que até 2010 o sérvio foi constantemente ofuscado pelo monopólio Nadal-Federer. “Nole” até chegou a brigar com o suíço pela vice-liderança do ranking mundial no ano passado, mas acabou levando a pior diante de Federer.

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Djokovic, ao centro, comemora com colegas sérvios a conquista da Copa Davis 2010
A aquisição de maturidade mostra-se evidente em suas conquistas desta temporada. “Sempre achei Djokovic um pouco temperamental, com alguns altos e baixos, mas agora ele não tem mais essas oscilações”, disse Pete Sampras ao jornal The New York Times. “Ele já tem o jogo. Agora eu o vejo com uma mentalidade mais de lutador, pronto para correr e salvar os pontos”, acrescentou Tony Nadal, tio e técnico de Rafael Nadal.

“Djokovic é o tenista potencialmente mais perigoso atualmente. Ele joga com o coração, é um apaixonado”, concordou, ao iG, Paulo Cleto, ex-técnico brasileiro na Davis. O ex-jogador Fernando Meligeni, por outro lado, frisa que o tênis é um esporte de momento. “Djokovic é quem está melhor hoje, mas não quer dizer que vai roubar o número 1 do Nadal. É cedo para isso. Ele terá que manter a boa fase por oito meses para chegar lá”, afirmou “Fininho”. “Mas é fato que acabou a distância entre o primeiro e o terceiro do mundo”.

Fim do monopólio?
Roger Federer, maior vencedor de torneios Grand Slams em todos os tempos com 16 troféus, é um tenista com “prazo de validade” na opinião de Paulo Cleto. O suíço de 29 anos vem de uma escola de atletas mais técnicos, ao contrário de Nadal e Djokovic, que têm como características o jogo muito mais físico. Pouco mais velho que os rivais, sua idade deverá pesar negativamente em breve.

“Federer ainda está na briga e está batendo bem na bola. Só que os caras estão ficando um pouco melhores e eu senti isso quando comecei a ficar velho”, indicou Sampras. Líder do ranking da ATP por 237 semanas, o suíço “serviu de parâmetro por muito tempo, mas não é mais tão imbatível. Até as Olimpíadas de Londres, em 2012, ele ainda deve ser questão. Depois disso, não dá para prever”, analisou Cleto.

Reuters
Com boné de seu país, Djokovic recebe troféu de campeão do Masters 1000 de Indian Wells
Para Meligeni, irá pesar muito a motivação do suíço. “Ele vem jogando um pouco abaixo do seu potencial nessas últimas semanas e é hoje o pior dos três. Tem hora que parece que ele não está sentindo a bola”, disse. “Mas Federer é Federer. O lado legal do tênis é ver a reação de um fenômeno como ele”.

Já Rafael Nadal lidera com folga o ranking mundial. Mas a condição física do espanhol vem sendo colocada em xeque desde o fim de 2010 e o começo da atual temporada. Primeiro, uma tendinite no ombro o afastou do circuito no fim do ano passado. Na Austrália, em janeiro, sofreu ruptura de um músculo da coxa direita.

Paulo Cleto indica, no entanto, que os problemas físicos não deverão impedir sua dominância no circuito por mais algum tempo. “Ele deverá ser ‘o cara’ por, pelo menos, mais três anos”. Opinião semelhante tem Meligeni. “É um cara que está mais propenso a se machucar pelo estilo de jogo que pratica. Mas são lesões normais. Isso não deve encurtar sua carreira”.

Após a decisão do Masters 1000 de Indian Wells, em que Nadal foi derrotado de virada por Djokovic, coube a Jim Courier, capitão dos Estados Unidos na Copa Davis e ex-número 1 do ranking mundial, elogiar os atletas em entrevista ao The New York Times. “É memorável como eles podem ser flexíveis e poderosos ao mesmo tempo”.

Guerra dos pisos
A briga entre Djokovic, Nadal e Federer deve ficar mais acirrada nos próximos meses porque cada atleta é especialista em um tipo piso. Nadal é o rei do saibro. Com cinco títulos de Roland Garros no currículo, o espanhol só perdeu quatro jogos nesse tipo de quadra desde 2005. Na grama, por outro lado, quem domina é Federer. Djokovic nunca venceu um torneio na grama ou passou pela semifinal de Wimbledon, por exemplo.

Justamente por este motivo, Nadal e Federer lançaram provocações ao sérvio após suas derrotas em 2011. “Vamos conversar de novo em seis meses”, afirmou o suíço, em alusão à temporada de grama. Já o espanhol terá que esperar menos tempo, apenas um mês. “Vamos ver o que acontece no saibro”, desafiou o líder do ranking.

Enquanto os torneios de grama ou saibro não chegam, os três brigam pelo título do Masters 1000 de Miami, realizado no piso duro, o preferido de Djokovic.

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Djokovic derrotou Federer três vezes este ano, mas ouviu o recado: "Vamos conversar em seis meses"

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