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Tênis
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Bellucci divide prestígio com Mello em estreia no Aberto do Brasil

Número um do Brasil ainda tenta superar a timidez para cativar a torcida em jogo pela segunda rodada do Brasil Open

Giancarlo Giampietro, especial para o iG |

Gazeta Press
Bellucci em ação no jogo de duplas, nesta terça, em São Paulo
Normalmente se espera que, na hora de o melhor tenista de um país, dono do segundo melhor ranking de sua história, entrar em quadra para fazer sua estreia no único torneio de elite em casa, que essa seria sua hora de aclamação. Mas, no caso de Thomaz Bellucci e o Brasil, essa relação ainda não chegou a esse ponto.

Na hora de enfrentar Ricardo Mello, nesta quarta-feira, no Ginásio da Ibirapuera, pela segunda rodada do Brasil Open, o próprio Bellucci admite que não espera a maioria do público ao seu lado. “Não estou muito preocupado com isso, para falar a verdade. A torcida pode estar dividida. O mais importante é nós fazermos um bom jogo e, para quem quiser assistir, que venha para ver um bom nível de tênis.”

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Voltando um pouco no tempo, relembrando os anos de Gustavo Kuerten defendendo a condição de ícone nacional da modalidade, era impensável qualquer divisão de atenção. Nos torneios na Costa do Sauípe, para os espectadores, não importava a bandeira que estivesse do outro lado da quadra.

Mas é justamente esse ponto que representa um dos maiores obstáculos no caminho de Bellucci na hora de desenvolver qualquer tipo de simbiose com os torcedores. “Não se pode comparar ninguém com um Guga, não se compara ninguém com o que é anormal”, afirmou Ricardo Acioly, treinador do atual número dois do pais, João Souza, o Feijão.

“No Brasil, até no futebol é assim. Na Fórmula 1 qualquer piloto brasileiro tem até hoje o fantasma do (Ayrton) Senna. No tênis, o cara ser comparado a um tricampeão de Roland Garros não é fácil”, disse o presidente da CBT (Confederação Brasileira de Tênis), Jorge Lacerda. “Mas é uma coisa a que ele tem de estar acostumado.”

Retraído
Com uma campanha surpreendente e arrebatadora em sua primeira conquista de Roland Garros, em 1997, a cabeleira esvoaçada, Kuerten ganhou muitos fãs da noite para o dia. Seu trato com os torcedores também era fácil, caminhando rapidamente para as brincadeiras. Nesse ponto, o comportamento mais retraído deixa Bellucci mais distante do que representava o catarinense.

Em São Paulo, o tenista de Tietê passou a ter uma vivência mais próxima ao público em atividades sociais e de marketing. Seus treinos no clube Círculo Militar, na Zona Sul da cidade e vizinho ao complexo esportivo que abriga o Brasil Open, têm sido assistidos por um bom público, em especial os mirins. “Acho bom esse contato com a torcida, os brasileiros têm pouca chance de ver um torneio desse porte no pais, então é uma possibilidade de estarem perto dos ídolos”, afirmou, antes de mencionar os estrangeiros Fernando Verdasco, da Espanha, e Gilles Simon, da França. “A criançada tem aparecido, me assediado nos treinamentos, isso é bom. Sou um pouco tímido, mas vou me soltando em relação ao que eu era.”

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Jogar na capital paulista também lhe deixa mais à vontade, com seus familiares garantidos na plateia. “Sou meio suspeito de falar, porque sou daqui, muito mais fácil jogar aqui, treinei a minha vida toda na cidade. Estou animado, treinando bem e a presença da família e de amigos me motiva.”

Contudo, na entrevista coletiva que sucedeu sua estreia na chave de duplas com Marcelo Melo, depois de vitória por 2 sets a 0 sobre os espanhóis Albert Montañes e Albert Ramos, a timidez voltou a dar as caras. Em pelo menos duas perguntas endereçadas à dupla, o tenista, contraído, com o boné enterrado na cabeça, se esquivava, se contentando com o que o parceiro havia acabado de responder, enquanto o gestual nas mãos mandava o recado: “Vai, você”.

Reencontro

AE
Fernando Mello durante a estreia vitoriosa
Nesta quarta, será apenas Bellucci entra em quadra novamente com um Mello, mas será apenas ele do seu lado e o Ricardo do outro. Será o quarto confronto entre os tenistas, com três vitórias para o número um do pais, que venceu os últimos dois. Mello, porém, levou a melhor em confronto no saibro, justamente pelas quartas de final do Brasil Open de 2010.

Foi uma vitória inesperada, já que Bellucci vinha de um vice-campeonato no torneio, ocupava o 28º lugar no ranking da ATP, enquanto o campineiro aparecia apenas com em 135º na lista. Não importou: 2 sets a 0 e uma vaga garantida a Mello nas semifinais, campanha que repetiu no ano passado. “ele simplesmente jogou melhor”, resumiu.

Na Costa do Sauípe, pouca gente viu a partida. A expectativa agora é de casa mais cheia, a despeito da concorrência com o futebol numa noite de quarta-feira. “Acho que no primeiro dia de jogos, segunda-feira, já teve mais público do que em dois anos de Sauípe, onde a média era de umas 15 pessoas por jogo,” disse Mello, que hoje aparece como o número 123 na lista.

Seu oponente jogará como o 38­º do ranking. Ainda assim, Mello pode ter parte do público ao seu lado. “É, acho que vai estar dividido. Não sei se vai estar mais para um ou para o outro, mas acho que vai estar dividido. Claro que preferia jogar contra um estrangeiro, para ter todo o apoio, mas faz parte.”

Já para Bellucci o que faz parte é o ônus de ser o favorito. “Para ele vai ser um jogo bom. Ele joga com menos pressão.”

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