Árbitro brasileiro convive com astros do tênis e já conheceu mais de 60 países

Carlos Bernardes convive quase que diariamente com as grandes estrelas do circuito e viaja o mundo fazendo o que gosta, mas admite saudades da família

Mauricio Nadal - iG São Paulo |

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Carlos Bernardes já conheceu mais de 60 países como árbitro da ATP

Ex-professor de tênis, Carlos Bernardes é considerado um dos árbitros mais conceituados do circuito da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais). O paulista de 48 anos convive com astros do calibre de Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic e tem uma rotina que muitos sonham, viajar o mundo inteiro fazendo o que gosta.

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Bernardes se sente um privilegiado pela sua profissão e relatou ter conhecido mais de 60 países em sua carreira. “Foram mais de 60 paises e muitas cidades que nunca imaginei que conheceria um dia”, disse o juiz em entrevista ao iG .

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O árbitro brasileiro possui o gold badge (distintivo de ouro), o nível mais alto de um profissional da sua área no circuito. Existem cerca de 15 juízes em todo o mundo com esse título.

O juiz já apitou diversos jogos importantes do circuito, inclusive alguns com mais de cinco horas. Mas os seus preferidos foram as duas finais de Grand Slam, Federer e Roddick, no Aberto dos EUA em 2006 e Djokovic contra Nadal, no Aberto da Austrália de 2011. No momento, o árbitro está em Xangai, na China, onde trabalha no Masters 1000 realizado no país.

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Em meio a tantas viagens, Bernardes mal tem tempo de visitar a família no Brasil, tanto que atualmente tem residência fixa em Bérgamo, na Itália.“Venho ver minha filha, minha mãe e irmãs algumas vezes por ano”.

Em muitos anos no circuito, o árbitro também passou por um momento inusitado:uma suposta ameaça a bomba em Roland Garros. Na verdade, era uma mala deixada por um espectador, que a polícia achou suspeita e explodiu.

Veja fotos da carreira do árbitro brasileiro Carlos Bernardes:


Confira a entrevista com Carlos Bernardes: 

iG: Quando descobriu que queria ser árbitro de tênis?
Carlos Bernardes: Bem, foi quando tive que escolher entre continuar a dar aulas de tênis em São Caetano do Sul ou tentar esta carreira. Aí decidi que gostaria de ser um árbitro profissional de tênis.

iG: Você se sente um privilegiado por viajar o mundo inteiro fazendo o que gosta?
Carlos Bernardes: Sim e muito, foram mais de 60 países e muitas cidades que nunca imaginei que conheceria um dia.

iG: Qual foi a melhor partida que já apitou? E as mais longas?

Carlos Bernardes: Bem fiz várias partidas com mais de 5 horas, mas a melhor ou melhores acho que foram as finais de Grand Slams, Roddick e Federer em 2006 (no Aberto dos EUA) e a última (Rafael) Nadal e (Novak) Djokovic, em Wimbledon 2011

iG: Algum fato inusitado e curioso já ocorreu ou interrompeu algum jogo seu?
Carlos Bernardes: Sim, um ano em Roland Garros na quadra 1, um segurança veio até a minha cadeira em um virada de lado e disse "Vamos ter que suspender o jogo". Eu pensei que ele estava brincando, pois não havia nada visível acontecendo. Ele insistiu e disse "temos que suspender agora". Eu disse não, por que faríamos isso? Aí ele me disse. Bem encontramos uma mala suspeita e pode ser uma bomba. Daí avisamos o público e aos jogadores e fomos todos para fora do estádio. Mais tarde descobriram que um espectador foi ao bar e deixou a mala dele lá para guardar lugar. Era tarde pois a polícia explodiu a mala dele em caso de dúvida

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Carlos Bernardes ao lado de Novak Djokovic e Rafael Nadal antes da final de Wimbledon, em 2011

iG: Você viaja pelo mundo durante todo o ano e as saudades da família, como fica?
Carlos Bernardes: Sim e muito. É a parte negativa deste trabalho, você tem pouca vida social com amigos e familia

iG: Quanto tempo fica no Brasil por ano? Tem residência em outros lugares tmb?
Carlos Bernardes: Agora que moro na Itália menos que gostaria. Venho ver minha filha e minha mãe e irmãs algumas vezes por ano.

iG: Faz ideia de quantos países já conheceu? Como lida com a questão do fuso horário?
Carlos Bernardes: Mais de 60 com certeza, bem tento me adaptar já na viagem dormindo no horário do local que vou chegar ja durante os voos. Ajuda bastante.

iG: Você já foi ou costuma ser xingado devido à algum erro cometido em quadra?
Carlos Bernardes: Xingado??? Isso não acontece com a frequencia do futebol, mas sinceramente não me lembro da última vez que cometi um erro. Como disse o tênis não é como o futebol. Estas atitudes são muito diferentes e raramente acontecem no tênis.

iG: Acredita que a vinda do desafio para os jogos de tênis foi danoso para os árbitros, pois eles podem ficar mais expostos quando erram?
Carlos Bernardes: Não, pois antes você não tinha esta visão se houve ou não o erro. Haviam discussões e dúvidas. Hoje, o jogador pode fazer um desafio e se o erro acontecer, será corrigido. O erro faz parte de uma partida. Hoje se utiliza o Hawk Eye para esclarecer se houve ou não este erro. Só para se ter uma ideia, em Tóquio na semana passada os números foram incríveis, os juízes estavam certos em 80% dos desafios. A média mundial é 70% de acertos por parte dos arbitros.Ficou mais exposto aquele que questionava, pois se demonstra que na maioria dos desafios está errado. Enfim, o sistema ajudou muito aos dois lados.

iG:Você já discutiu com Nadal duas vezes em quadra, no ATP Finals de 2010 e na Austrália em 2012. Você se sentiu ofendido em algum momento por ele?
Carlos Bernardes:Nunca.

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