Perto de bater recorde, Ricardo Mello fala em tom de despedida do tênis

Tenista diz que vai repensar carreira ao final da temporada e nem a possibilidade de deixar o japonês Takao Suzuki, maior vencedor de Challengers, para trás seduz o brasileiro

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Tenista Ricardo Mello já é dono de 15 torneios challengers na carreira

O campineiro Ricardo Mello precisa de apenas mais um título de torneios Challenger para se igualar ao japonês Takao Suzuki como maior vencedor da história de competições deste nível. Mas prestes a completar 32 anos de idade, o tenista paulista releva o possível recorde e, sem saber se continua a jogar ao fim da temporada, já fala em tom de despedida do esporte.

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Mello conquistou 15 Challengers ao longo da carreira, o último em São José do Rio Preto em outubro passado, além do ATP de Delray Beach de 2004. Atrapalhado por uma lesão nesta temporada, ficou fora da sequência de competições de saibro na Europa, jogou menos torneios do que gostaria e viu sua motivação cair, o que fez começarem os pensamentos de se aposentar ao fim de 2012.

"Jogo mais alguns torneios e quando terminar o ano tomo a decisão para ver se sigo no que vem ou não. Pesa mais a motivação de seguir treinando, viajando. O desgaste é muito grande ao longo do tempo e já faço 32 anos em dezembro", afirmou o tenista paulista. "O que mais importa é estar jogando feliz. A partir do momento em que ficar difícil, estiver mais cansado, é a hora de parar e fazer outra coisa".

O tenista de Campinas atualmente aparece na 155ª colocação do ranking mundial, atrás de quatro compatriotas - Thomaz Bellucci, 40º, Thiago Alves, 119º, Rogério Dutra Silva, 127º e João Souza, 152º, mas já foi o melhor tenista do Brasil e em julho de 2005 apareceu como 50º melhor tenista do mundo.

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Com a queda na lista da ATP, passou a disputar e vencer torneios de nível Challenger, somando 15 ao longo da carreira. O primeiro título veio ainda em 2001, em Campos do Jordão, mas nove de suas conquistas foram realizadas a partir de 2006. Mas a possibilidade de igualar Takao Suzuki como tenista com mais troféus deste nível não o seduz a prolongar a carreira.

"Sinceramente, não penso muito nisso. Se ganhar mais um Challenger empato com o japonês e é uma coisa legal. Mas sinceramente não vai mudar minha vida", afirmou Mello, que em 2012 ficou mais de dois meses sem jogar por conta de uma persistente lesão no quadril no meio do ano.

Além dos Challengers, Mello tem outro importante título na carreira: o ATP de Delray Beach de 2004. Diferentemente do histórico dos tenistas brasileiros, o campineiro se considera um especialista em quadras duras e há oito anos, após alcançar a terceira rodada do Aberto dos Estados Unidos, venceu cinco jogos no torneio da Flórida e foi campeão.

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A experiência e o gosto por quadras rápidas poderiam fazer de Ricardo Mello uma arma importante para o Brasil em seu retorno ao Grupo Mundial da Copa Davis. Após nove anos de ausência, o País voltou ao grupo de elite do tênis e na primeira rodada de 2013, em fevereiro, pega fora de casa os Estados Unidos, que devem optar por realizar o confronto em piso duro.

AE
Cansadao, Ricardo Mello pode deixar as quadras ao final da temporada


Mas o fato parece não exercer grande influência sobre a possível decisão do campineiro de deixar o esporte antes do duelo com os norte-americanos.

"Eu joguei todos os últimos confrontos que foram em quadra dura. É um incentivo, mas ao mesmo tempo há outros jogadores mais novos vindo e preciso ver como vou estar fisicamente e também de motivação", afirmou o paulista, que assistiu pela televisão à vitória do Brasil sobre a Rússia por 5 a 0, em São José do Rio Preto, que recolocou o País no Grupo Mundial.

Na ocasião, o time comandada por João Zwetsch escolheu jogar no saibro e foi representado por Thomaz Bellucci e Rogerinho nos jogos de simples e Bruno Soares e Marcelo Melo no duelo de duplas.

Caso confirme a possível aposentadoria ao fim de 2012, Mello garante que sai feliz com sua carreira. Ainda com 15 anos de idade, conquistou seu primeiro ponto no ranking mundial, ao perder na primeira rodada do Challenger de Campinas para Gustavo Kuerten. Três anos depois se tornou profissional e, segundo dados da ATP, acumulou 1.299.925 dólares de premiação nas últimas 13 temporadas. Na Copa Davis, foram 15 jogos representando o Brasil, com oito vitórias e sete derrotas.

Por conta deste histórico, resume em poucas palavras sua vida dentro das quadras: "A gente tem momentos bons e ruins, mas os bons compensam totalmente. Valeram muito a pena esses anos jogando. Tem sido tudo muito bom e faria tudo novamente".

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