Publicidade
Publicidade - Super banner
Tênis
enhanced by Google

Sem antebraço esquerdo, tenista Thalita Rodrigues é a 4ª do Brasil até 18 anos

Treinada pelo pai e sem patrocínio, atleta chegou a três finais em seis torneios disputados. Ela pretende ser universitária nos EUA para evoluir e disputar as Olimpíadas no Rio, em 2016

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro |

Divulgação
Thalita Rodrigues disputou no domingo a terceira final em seis torneios nacionais disputados este ano

Thalita Rodrigues se prepara para sacar na final da etapa carioca do Circuito Nacional Correios de Tênis Infanto-Juvenil. É sua terceira decisão em seis torneios de simples disputados. A bola repousa sobre as cordas da raquete, paralela ao chão. Com um movimento rápido, a jovem brasiliense de 18 anos a lança para cima, bem alto, leva a raquete atrás da cabeça e atinge a bola com força e efeito. A adversária erra a devolução.

Thalita não tem o antebraço esquerdo. Nasceu com a deficiência após a mãe contrair rubéola durante a gravidez.

Apesar disso, a moça treinada pelo pai, Oséias Rodrigues, deve aparecer nesta semana como a terceira colocada no ranking até 18 anos da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) - atualmente está em quarto lugar.

Entre todas as meninas ranqueadas no país na sua idade, há 107 competidoras com pontuação inferior à dela, e só duas à sua frente.

Thalita perdeu a final deste domingo para a gaúcha Carmene Dotto Goulart, mas teve a torcida da maior parte do público, na partida mais concorrida do dia.“É impressionante como ela joga bem”, comentou uma espectadora, após um ponto.

Após seis jogos em três dias, braço direito superexigido cansa 

Raphael Gomide
Thalita treina com o pai, Oséias, desde os 8 anos e quer ser profissional

Foi a terceira final da tenista em seis torneios nacionais em 2012. Ela atribuiu a última derrota ao cansaço após ter disputado e vencido três jogos nos três dias anteriores. O braço direito, superexigido, sentiu o esforço.

A adversária explorou um golpe que seria mais facilmente executável se ela tivesse o antebraço esquerdo e venceu – um dos sets por 6/0. “Não liga não, o (Novak) Djokovic acabou de perder para o (Roger) Federer um set por 6/0. Você está de parabéns”, disse-lhe um senhor que assistiu à partida.

Manifestações de surpresa e o carinho do público não são novidade para Thalita. “Mas eu queria muito ser campeã. É o terceiro torneio seguido que perco a final”, lamentou, serena, com jeito de adolescente.

Logo após o jogo, uma treinadora lhe sugeria fazer preparo físico com um treinador de atletismo, para compensar a deficiência.

Thalita não tem preparador físico nem patrocínio

Divulgação
Thalita Rodrigues pretende fazer faculdade nos EUA

Diferentemente da maioria das adversárias no topo do ranking, que integram equipes de infanto-juvenis, Thalita não tem preparador físico nem nutricionista. Também não tem patrocínio, nem ao menos para as raquetes. Conta apenas com o apoio da loja Real Esporte, para a troca de cordas, que estouram com frequência, devido ao uso diário.

Treina desde os 8 anos de idade com o pai, o ex-tenista profissional e hoje professor Oséias Rodrigues, na Asmec (Associação de Servidores do MEC), em Brasília, e com o auxiliar César Hiragi. Curiosamente, apesar da deficiência física, a caçula é a única das quatro filhas de Oséias a praticar o esporte. “A única que quis jogar foi ela. Eu a vi batendo bola no paredão e percebi que tinha jeito. Vai longe.”

Divulgação
Thalita usa a raquete para lançar a bola e sacar

Thalita viaja pelo país participando do circuito graças ao patrocinador da CBT, que banca passagens e hospedagem dos 30 mais bem colocados no ranking, por categoria.

“Ela é o meu orgulho. Só de estar na quadra, é uma alegria. Nunca cobrei porque perdeu. É a minha bonequinha”, disse o pai, Oseias Rodrigues, para quem Thalita está “crescendo a cada torneio” como jogadora.

Apesar de ainda não ter vencido torneios de simples na categoria este ano, já foi campeã de três torneios de duplas, com parceiras diferentes, e disputou o torneio classificatório profissional do Aberto de Brasília.

No primeiro momento e à distância, não se percebe a diferença de Thalita para a oponente na quadra. O jogo é disputado, e as trocas de bolas fundas são violentas e longas, como se espera de tenistas de primeiro nível nacional, na idade prestes ao profissionalismo.

Braço esquerdo é usado na quadra

A deficiência pouco interfere no tênis praticado por ela. Desenvolta na quadra, Thalita usa o braço esquerdo para apoiar a raquete no momento de bater o backhand. Entre os pontos, fixa o “coração” da raquete na ponta do braço esquerdo para descansar o braço direito, usado o jogo todo. Seu forehand de direita é o golpe mais forte, com bolas fundas e velozes.

Raphael Gomide
Quarta no ranking nacional, Thalita Rodrigues saca na final do Circuito Nacional Correios, no Rio

Ainda assim, a tenista reconhece que a deficiência a atrapalha ao longo dos torneios, à medida que avança na chave. Depois de vencer três jogos nas simples – na competição que reúne os melhores do país – e de ter perdido nas semifinais das duplas, contou ter chegado cansada à final, contra a gaúcha Carmene, também top 5.

O sonho de Thalita é ser profissional e disputar as Olimpíadas, se possível no Rio, em 2016 - as paraolimpíadas não são opção, porque a disputa de tênis é apenas em cadeira de rodas. “Vou treinar para isso.” Seu projeto para 2013 é integrar uma equipe de tênis de alto nível em universidade nos EUA, onde possa treinar com uma equipe e evoluir.

O pai endossa: “Se ela for para uma faculdade com bom treinamento nos EUA, o tênis dela pode crescer. O meu sonho é o sonho dela.”


Leia tudo sobre: tênisThalita Rodriguesdeficienteranking

Notícias Relacionadas


    Mais destaques

    Destaques da home iG