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Vaidade leva as pioneiras do Brasil ao boxe

Com a estreia da modalidade em Guadalajara, Adriana Araújo e Roseli Feitosa esperam conquistar ouro inédito para o Brasil

Vicente Seda, enviado iG a Guadalajara |

Modalidade olímpica das mais tradicionais, o boxe pela primeira vez terá mulheres no ringue em um Pan-Americano – e também nas Olimpíadas de 2012. Em Guadalajara, duas pugilistas brasileiras que iniciaram a prática do esporte por um motivo dos mais femininos, a vaidade, tentarão marcar seu nome na história da competição com medalhas inéditas. Adriana Araújo, 29 anos, que luta neste sábado nas quartas de final, e Roseli Feitosa, 22 anos, que disputará semifinal no dia 26 com pelo menos um bronze garantido, podem se tornar as primeiras campeãs de boxe dos Jogos.

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Getty Images
Roseli Feitosa ganhou o Prêmio Brasil Olímpico pelo boxe no ano passado, quando foi campeã mundial
As duas colocaram as luvas para emagrecer. Adriana jogava futebol quando começou a trabalhar na Coelba (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia), onde dava ordem para cortar ou ligar a energia na casa de inadimplentes e bons pagadores. Foi levada à academia por uma amiga, após resistir por um tempo devido ao receio das pancadas que poderia receber, e acabou topando o desafio. Passou a levar o esporte a sério a partir de 2002, apesar das sérias limitações financeiras.

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“Durante oito anos, tive bastante dificuldade. Havia dias em que tinha de ir andando para a academia, ou ficava sem comer porque não tinha dinheiro. Pensei em desistir, sim, ainda mais quando perdi minha mãe e, depois, meu pai. Foi bem difícil. Mas hoje tenho apoio do governo, patrocínio, está bem melhor. Comecei na verdade pela estética mesmo e, no boxe, perdi até mais do que queria, uns 12 kg”, conta Adriana, que tem como ídolo no esporte Kelson Pinto, pugilista sergipano que a ajudou a treinar.

O sonho da baiana é deixar seu nome na história do Pan como primeira medalhista de ouro da história da categoria até 60 kg. “É um privilégio ter essa oportunidade, representar as mulheres do Brasil. Farei tudo pelo ouro, são 11 anos de trabalho até chegar aqui e vou colocar tudo o que aprendi em prática no ringue”.

Para extravasar
Roseli, que lutará na categoria até 75 kg (antes da seletiva para o Pan fora campeã mundial na categoria até 81 kg), era jogadora de vôlei, mas teve de deixar o esporte para ajudar a família. Trabalhou com telemarketing, foi recepcionista, babá e até distribuiu panfletos nos semáforos paulistas. Entrou para o boxe também com o intuito de perder peso, além de extravasar a raiva. Incentivada pelo namorado, hoje marido, não largou mais.

“Quero muito ajudar a minha família. Sempre fui esforçada e estou muito focada no Pan e nas Olimpíadas. Não quero lutar por muito tempo, me preocupo com a saúde. Acho que, até 2016, nas Olimpíadas do Rio, está bom. Vou continuar por tempo suficiente para estabilizar minha vida”, diz.

Acompanhe o quadro de medalhas do Pan 2011

Mas, mesmo que a carreira dure pouco, o futuro próximo é dos mais promissores. No Pré-Pan, Roseli derrotou a atual campeã mundial da categoria até 75kg, a canadense Mary Spencer, que espera encontrar novamente na final em Guadalajara. Foi eleita a melhor atleta do torneio, entre homens e mulheres. E deixar o primeiro ouro feminino da história do Pan escapar não está nos seus planos.

“É muito emocionante ter essa oportunidade e quero muito esse ouro. Claro que todas as adversárias passaram por seletivas para estarem aqui, mas a canadense certamente é a mais forte, é quem eu espero encontrar na final. Tomara que eu consiga vencer novamente”.

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