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No comando da equipe que vai ao Pan 2011, Rodrigo Nascimento tem experiência no circuito mundial

Ana Carolina Cordovano
A carioca Ana Clara Duarte será uma das representantes do tênis brasileiro no Pan 2011
Com a experiência de quem já treinou a sérvia naturalizada norte-americana Monica Seles, Rodrigo Nascimento sonha em ver o tênis feminino renascer no Brasil. O objetivo, ele sabe, é árduo, mas o treinador da equipe feminina que vai ao Pan-Americano de Guadalajara planeja cada passo de uma vez.

"Ainda estamos muito atrasados em termos de estrutura e de treinadores capacitados", disse Nascimento, que trabalha com uma das convocadas, a carioca Ana Clara Duarte. Completam o time do Pan a paulista Vivian Segnini e a pernambucana Teliana Pereira, medalha de bronze ao lado de Joana Cortez nas duplas no Rio-2007 .

Nascimento nasceu no Brasil, mas ainda na adolescência foi morar com a família nos Estados Unidos. Lá estudou e jogou tênis. Com 23 anos, decidiu trocar de lado e virou treinador. Pelas suas mãos, além da nº 1 Seles, já passaram tenistas como a eslovaca Mirka Vravinec, hoje mais conhecida como a senhora Roger Federer, a também norte-americana Jamea Jackson, Gilles Muller, de Luxemburgo, o chileno Paul Capdeville, o português Gastão Elias e o brasileiro Ricardo Mello.

O treinador voltou ao Brasil há um ano, convidado pela CBT (Confederação Brasleira de Tênis) para trabalhar em projetos voltados ao tênis feminino. Hoje integra a equipe da Fed Cup, versão feminina da Copa Davis, e, há dois meses, foi procurado por Ana Clara para assumir o posto de seu treinador. Número 318 do ranking mundial, Ana Clara ainda está se acostumando com o jeito um tanto explosivo de Nascimento, mas não reclama. "Ele é duro algumas vezes, mas fala as verdades que muitas vezes não queremos ouvir", contou a carioca, que teve de mudar para São Paulo para se dedicar aos treinos.

Veja também: Conheça alguns dos nomes que disputarão o torneio de tênis no Pan 2011

Nascimento trabalha para colocar o tênis feminino brasileiro em outro patamar, mas, como disse sua pupila, é bem realista. "A Ana eu acho que pode chegar a ser uma Top-100. A geração dela vai abrir portas. Quem vier na sequência é que poderá conquistar melhores resultados", aposta. E não é por falta de matéria-prima que o tênis feminino do Brasil não tem uma tenista Top 100 do ranking da WTA (Associação Feminina de Tênis) desde 1989, com Andrea Vieira, nº 76 do mundo. "Tem muito treinador que culpa somente os jogadores pelos maus resultados", opina.

O treinador está empolgado com a participação no Pan. Será uma boa oportunidade de mostrar o seu trabalho, ainda não muito conhecido no Brasil. Também vai aproveitar a competição para assistir outras modalidades, como vôlei, por exemplo. "Gostaria muito de conhecer o Bernardinho (técnico da seleção masculina de vôlei). É um cara que admiro", contou. Porém, não será dessa vez que Nascimento terá oportunidade de bater um papo com Bernardinho . O treinador decidiu convocar um time B para o Pan e deixou o comando do time para Rubinho, um de seus auxiliares.

Rodrigo Nascimento (à esquerda) orienta Ana Clara Duarte. Ele já trabalhou com Monica Seles
Ana Carolina Cordovano
Rodrigo Nascimento (à esquerda) orienta Ana Clara Duarte. Ele já trabalhou com Monica Seles