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Popularização da modalidade no Brasil é complicada pois custo de equipamento para uma competição pode chegar a R$ 33,6 mil

Algumas qualidades são fundamentais para praticar com sucesso o tiro esportivo , de acordo com o chefe de equipe do Brasil e diretor da CBTE (Confederação Brasileira de Tiro Esportivo), Ricardo Brenck: disciplina, autocontrole, concentração e dinheiro no bolso. A ausência de qualquer um desses quesitos torna inviável a prática do esporte, em especial o último, o que dificulta, e muito, a popularização da modalidade no Brasil. O valor do equipamento, contando apenas arma e munição, sem outros adereços, pode chegar a US$ 19 mil, o que corresponderia a cerca de R$ 33,6 mil.

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As verbas repassadas pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) por meio da Lei Piva não chegam aos atletas. São usadas na organização de competições e viagens com o mesmo objetivo. Por isso, a equipe brasileira conta com empresários, dentistas, militares e pessoas que já nasceram com uma condição financeira melhor do que a maioria. Só assim para gastar US$ 4 mil (R$ 7,1 mil) apenas em cartuchos de calibre 12 para a disputa de medalha na prova da fossa doblê do Pan de Guadalajara .

Luiz Fernando Graça ganhou o bronze na fossa olímpica dublê
Getty Images
Luiz Fernando Graça ganhou o bronze na fossa olímpica dublê
O brasileiro com vaga garantida nas Olimpíadas de Londres, Filipe Fuzaro , por exemplo, divide com o pai uma importadora de “strass”, material usado para fabricação de acessórios femininos. Luís Fernando Graça, medalha de bronze do Pan, por sua vez, vive da verba do pai, também atirador, como contou Brenck.

“Infelizmente o cara tem de ter dinheiro para praticar o tiro esportivo. Por isso acreditamos que devemos investir no chumbinho (o tiro com pistola de ar) , pois não há restrições ao uso e é muito mais barato. Se a pessoa chega para investir logo em uma espingarda olímpica, desiste. O atleta paga tudo. As verbas que recebemos não vão para compras de equipamento, nada disso”, afirma.

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Só para treinar, o preço é exorbitante. Cada caixa com 25 cartuchos de calibre 12, por exemplo, custa cerca de R$ 20. “Um membro da equipe faz, no mínimo, três treinos por semana, com 200 ou mais tiros por treino. Não sai barato”, explica Brenck, acrescentando que uma carabina para competição sai por cerca de US$ 5 mil (R$ 8,8 mil) e uma espingarda calibre 12 para disputa olímpica fica em torno de US$ 15 mil (R$ 26,5 mil). “Mas pelo menos duram, para competir, cerca de cinco anos.”

Acompanhe o quadro de medalhas do Pan 2011

Outro empecilho para a popularização do esporte é a burocracia e a falta de diferenciação entre as armas de competição e os instrumentos do crime na lei brasileira. Ele conta que, para ter o registro da arma de competição, o atirador tem de ter pelo menos 25 anos. Do contrário, o documento tem de estar no nome do pai, que passa a ser obrigado a acompanhar o prodígio em todas as provas.

“É um parto para tirar o registro, desanima. A burocracia nas alfândegas também é enorme. Aqui no México levamos quatro horas para desembaraçar o equipamento, mas é a mesma coisa no mundo todo, pois não diferenciam as armas”, explica.

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