Modalidade está há quase 30 anos sem ganhar medalhas para o Brasil em Pans. Família Emilio atira desde arcos de madeira

Marcel Rizzo
O tiro com arco é tradição na família de Fábio Emilio
O Brasil ganhou medalhas em todas as modalidades das quais participa em Jogos Pan-Americanos , com exceção do rúgbi, que faz a estreia em Guadalajara. Mas há um deles que não vê uma medalha, de qualquer cor, há quase 30 anos: o tiro com arco, que começou a ser disputado no México nesta segunda-feira, tem quatro bronzes, o último conquistado em 1983, no Pan de Caracas. E no time que tenta acabar com o maior jejum entre as modalidades está o filho e sobrinho dos últimos medalhistas.

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“Meu avô começou a atirar, depois meu pai, agora eu. É um esporte sem muita visibilidade, até na faculdade o pessoal achou estranho eu me dedicar ao tiro ao arco. Mas está no sangue da família, não tem jeito”, disse ao iG o carioca Fábio Emilio , 25 anos, um dos três homens que representam o Brasil na modalidade (há também três mulheres). O Brasil não tem chance de medalhas no individual, já que EUA, México e Canadá levam seus melhores atletas, mas há uma possibilidade por equipes no masculino – o Brasil terminou o primeiro dia em 5°.

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“Fomos quarto no Pan do Rio, batemos na trave”, disse Emílio, estreante em Pans. Fábio é filho de Renato Emílio, o grande brasileiro da modalidade. Renato ganhou dois bronzes em Caracas, no individual e o por equipe masculino, Na mesma competição, Martha Emílio, irmã de Renato e tia de Fábio, faturou o bronze por equipes – o Brasil também tem uma medalha bronzeada no time das mulheres no Pan de 1979, em San Juan (Porto Rico), quando a modalidade estreou.

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Renato Emílio participou de quatro Olimpíadas (Moscou-80, Los Angeles-84, Seul-88 e Barcelona-92), mas o gosto pelo de esporte adquiriu do pai, também Renato Emilio, avô de Fábio. “Meu avô começou a praticar uns 50 anos atrás, por causa de um amigo que gostava. Mas era outro esporte, era um com arco de madeira ainda, bem diferente do que é hoje”. Atualmente, um equipamento completo por custar quase R$ 6 mil.

Fábio se formou em designer há dois meses, mas hoje é praticamente um profissional do tiro ao arco. Possível isso? Sim, com apoio da Fita (Federação Internacional de Tiro ao Arco) e do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), a Confederação Brasileira consegue manter 10 atletas treinando em tempo integral, com um técnico coreano comandando (Lim Heesk), em Campinas, interior de São Paulo. Há também um CT para garotos, na cidade de Maricá, no Rio de Janeiro.

Projeto 2016

O investimento feito pela Fita é para que o Brasil consiga brigar por medalhas dentro de casa, mas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Por que isso? “Porque para eles é importante o país da casa ter visibilidade, levar torcida ao estádio, para se manter no programa olímpico”, explicou Rubens Terra Neto, chefe da delegação brasileira em Guadalajara. Depois de falar com o iG , ele levaria o presidente da Fita, o suíço Ugo Erdener, para conhecer membros do COB.

Apesar do investimento (só da Lei Agnelo/Piva, que destina dinheiro das loterias a esportes olímpicos, a Confederação recebe R$ 1,15 milhão em 2010), e da profissionalização de dez atletas que se dedicam exclusivamente ao esporte, ainda há dificuldade para encontrar campo de treinamento. “Temos que disputar espaço nos clubes com o futebol (risos). As medidas para o tiro são idênticas à de um campo de futebol, por isso quase sempre somos deixados de lado”, disse Neto.

No México, o esporte é febre, tanto que um arqueiro, Juan René Serrano, foi o porta-bandeiras do país neste Pan-Americano disputado em casa. O estádio para tiro é apenas para a modalidade e é mantido 365 dias por ano – cabem mil pessoas sentadas, com campo de grama natural. “É o melhor estádio da América, sem dúvida”, disse Neto.

Fábio Emílio terminou o primeiro dia de competição em 23° lugar, de 32 participantes. O melhor brasileiro foi Daniel Rezende, o 11°, enquanto a melhor mulher foi Sarah Nikitin, a 22ª. Nos dois primeiros dias é definido o chaveamento e, a partir daí, os confrontos são em formato mata-mata (1° contra 32° e assim por diante). As medalhas serão definidas na sexta-feira (21 de outubro) e no sábado (22 de outubro).

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