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Pan
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Thiago Pereira ficaria de mãos vazias no Mundial

As marcas que garantiram ao nadador o recorde de medalhas de ouro em Pan não dariam nenhum pódio a ele em Xangai

Marcel Frota, especial para o iG, em São Paulo* |

AE
Thiago Pereira exibe medalhas ganhas no Pan de Guadalajara, se competisse no Mundial, não teria conquistado nenhuma
A natação brasileira ganhou 24 medalhas (10 ouros, 8 pratas, 6 bronzes) no Pan-Americano de Guadalajara. Meses antes, no 14º Campeonato Mundial de Natação da FINA (Federação Internacional de Natação), realizado de 16 a 31 de Julho em Xangai, na China, o desempenho do Brasil foi bem mais tímido. Considerando somente as competições de piscina, o Brasil ganhou três medalhas, todas de ouro.

Acompanhe o blog do Rogério Romero e confira análises sobre a natação

Essencialmente a diferença entre o Pan e o Mundial é sua abrangência. Mas no geral, outras diferenças distanciam ainda mais os dois torneios. O Pan também é muito usado por atletas iniciantes como laboratório, para ganhar cancha, por esportistas de nível médio e até tem a presença de competidores decadentes.

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Por esses motivos, muitos atletas de primeira linha evitam a competição, a exemplo do que acontece em outros torneios regionais, como o Pan-Pacífico, por exemplo. Além disso, o índice para competir no Mundial é mais exigente e promove uma filtragem natural.

Senhor Pan?

O caso mais emblemático dessa realidade é do nadador Thiago Pereira. Símbolo da histeria televisiva em torno do suposto sucesso do esporte brasileiro no panorama internacional, seus resultados teriam pouca expressão se fossem aplicados ao patamar daquilo que foi praticado no Mundial de Xangai. Suas seis medalhas de ouro desapareceriam. Confira no quadro abaixo a comparação das marcas da natação no Pan de Guadalajara com relação às marcas do Mundial da Fina:

Prova Pan Mundial Obs

400 metros Medley

Thiago Pereira: 4min16s68* Ryan Lochte (EUA): 4min07s13 * Não se classificaria para a final

100 metros Livre 

César Cielo: 47s84* James Magnussen (Austrália): 47s63 * Seria medalha de prata no Mundial

100 metros Peito

Felipe França: 1min00s34*   Alexander Dale Oen (Noruega): 58s71 * Se fosse à final, seria oitavo colocado 

200 metros Borboleta

 Leonardo de Deus*: 1min57s92* Michael Phelps (EUA): 1min53s34 

* Não avançaria para além das eliminatórias 

100 metros Costa

Thiago Pereira: 54s56*  Camille Lacourt (França) e Jeremy Stravius (França): 52s76  * Esse tempo não permitiria avançar para além das eliminatórias 

200 metros Medley

Thiago Pereira: 1min58s07*  Ryan Lochte (EUA): 1min54s00 * Ficaria em quinto lugar na final do Mundial 

50 metros Livre

 César Cielo: 21s58*  César Cielo: 21s52 * Seria medalha de prata no Mundial 

200 metros Costa

 Thiago Pereira: 1min57s19*  Ryan Lochte (EUA): 1min52s96 * Ficaria em quinto lugar na final do Mundial 

4 x 100 metros Medley

Guilherme Guido, Felipe França, Gabriel Mangabeira, Cesar Cielo: 3min34s58*  Nicholas Thoman, Mark Gangloff, Michael Phelps e Nathan Adrian (EUA): 3min32s06  * Ficaria em sexto lugar na final do Mundial 

 4 x 100 metros Livre

 Bruno Fratus, Nicholas Santos, Cesar Cielo, Nicolas Oliveira: 3min14s65* James Magnussen, Matthew Targett, Matthew Abood, Eamon Sullivan (Austrália): 3min11s00  * Seria sétimo colocado na final do Mundial 

Se resultado é o critério, é incontestável que o Thiago Pereira é uma referência no Pan, mas inexpressivo no âmbito das competições mundiais de primeira linha. Aquelas que contam com a presença de nadadores como os americanos Michael Phelpis e Ryan Lochte e o australiano James Magnussen.

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Pereira ganhou quatro medalhas de ouro em disputas individuais no Pan de Guadalajara. Nos 100 metros costa, uma delas, não passou das eliminatórias no Mundial de Xangai e o tempo que lhe deu o ouro no México (54s56), além de não chegar perto da marca dos franceses Camille Lacourt e Jeremy Stravius (52s76), que dividiram a medalha de ouro, não permitiria a ele passar das eliminatórias no Mundial. Se disputasse a final, com esse tempo, ficaria em último lugar.

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Na prova em que foi melhor no Mundial, os 200 m medley, Pereira ficou longe do pódio e mais distante ainda do título. Embora tenha ganhado a medalha de ouro em Guadalajara, o tempo de 1min58s07 seria suficiente apenas para um quinto lugar na decisão da modalidade na China. Ryan Lochte conseguiu o título mundial em Xangai com a marca de 1min54s00, estabelecendo novo recorde mundial e terminando a prova exatos cinco segundos na frente do brasileiro.

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Nas outras duas provas individuais em que foi ouro no México, a coisa se repete: nos 200 metros costa, o tempo dourado de 1min57s19 o levaria ao quinto lugar no Mundial. Já nos 400 metros medley, Pereira terminaria oito segundos atrás do melhor tempo de Lochte, feito na final, além de não ser suficiente para sequer colocá-lo na decisão das medalhas.

Veja como ficou o quadro de medalhas do Pan-Americano de Guadalajara

O nadador também perderia as premiações que conseguiu por equipes, já que nem o 4 x 100 medley, nem o 4 x 100 livre alcançariam as medalhas com as marcas que brilharam em Guadalajara. Felipe França (ouro nos 100 m peito) e Leonardo de Deus (ouro nos 200 m borboleta) também ficariam sem medalhas no mundial com as marcas do Pan.

Cielo é Cielo

Alexandre Vidal/Fla Imagem
Marcas de Cielo no Pan renderiam medalhas no Mundial de Xangai
Quem não faria feio se tivesse seus tempos do Pan comparados com o rendimento dos atletas em Xangai seria César Cielo. Recordista mundial nos 50 metros livre e dos 100 metros livre, individualmente o nadador conquistou duas medalhas de ouro. Se suas marcas fossem comparadas com o que fizeram os competidores em Xangai, Cielo ganharia duas medalhas de prata. Ele, que foi ouro nos 50 m livre em Xangai, só perderia para sua própria marca no mundial. E nos 100 metros livre, o nadador conquistaria o segundo lugar, prova em que ficou apenas em quarto luga no Mundial.

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Sem se embriagar com o resultado de Guadalajara, Cielo sabe que precisa melhorar sua performance ainda mais para ter chance de conquistar o ouro nas Olimpíadas. O nadador acredita que precisa baixar seu tempo tanto nos 50 metros, quanto nos 100 metros livre para conseguir o pódio em Londres.

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"Nos 50 m, acredito que 21s30 é tempo de medalha. Meu objetivo é melhorar a chegada, pois tenho perdido décimos importantes ali, tenho que nadar os 50 metros sem respirar senão a braçada atrapalha no final", disse Cielo, que fez 21s58 no ouro pan-americano.

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Em relação aos 100 metros livre, Cielo felicitou o resultado abaixo dos 48 segundos pela primeira vez alcançados sem os supermaiôs que propiciavam melhora sensível às marcas dos atletas. "É preciso ainda diminuir um pouco o tempo para brigar, mas vi que posso chegar bem e brigar por medalha também nos 100 metros, porque aqui em Guadalajara nadamos na altitude, o que cansa mais", explicou o nadador.

* Colaborou Marcel Rizzo, enviado iG a Guadalajara

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