Publicidade
Publicidade - Super banner
Pan
enhanced by Google
 

Shawn Johnson: "Provei a mim mesma que não sou uma máquina"

Ginasta dos EUA, ouro em Pequim, mostra franqueza e humildade ao falar sobre o período longe do esporte e chance para Londres 2012

Marcel Rizzo e Vicente Seda, enviados iG a Guadalajara |

Adjetivos ligados à beleza e simpatia incomuns da ginasta norte-americana Shawn Johnson não são novidade desde a medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim. Porém, a faceta mais impressionante da atleta, uma das musas do Pan de Guadalajara, nada teve a ver com aparência. A forma como se expôs, franca, vulnerável, humilde até demais para quem já ostentou o posto de melhor do mundo, foi uma aula de maturidade de uma baixinha de apenas 19 anos.

Confira a programação completa da ginástica artística no calendário do Pan

Shawn já foi eleita melhor do ano por revistas especializadas, melhor ginasta do Pan do Rio, em 2007, levou três pratas e um ouro em sua estreia em Olimpíadas, em 2008, e, em seguida, surpreendeu. Largou o esporte.

“Não me arrependo do tempo que fiquei fora. Precisava de um tempo para perceber quem eu sou sem a ginástica. Comecei nesse esporte com três anos, nunca tive tempo para outra coisa na vida, e precisava desses dois anos para saber que a ginástica é o que eu amo, é o que me faz falta. Tive muitas chances de fazer coisas fantásticas, que nunca imaginei”, disse Shawn, que passou por cirurgia no joelho após um acidente esquiando. “Mas agora o joelho está ótimo."

Leia também: Os brasileiros vão amarelar nas Olimpíadas?

Entre as oportunidades que teve longe da ginástica artística, afirma que adorou estar do outro lado do microfone. “Foi muito legal comentar, fazer perguntas, ir atrás da história. Sempre ouço vocês (jornalistas) perguntando. Mas eu já estive do outro lado e sei sobre o que as pessoas têm curiosidade, então podia ir além, fazer outras perguntas. Foi bem legal estar fora, olhando para cá”.

Dançando com estrelas
Indagada sobre a participação no programa de televisão “Dancing with the stars" (Dançando com as estrelas), voltou a ressaltar a experiência vivida. “Foi diferente, mas adorei. Levou meu corpo e mente para longe da ginástica, me deu um tempo. Isso me ensinou algo novo, mas também me ensinou como eu sinto falta desse esporte.”

Assista: Mexicanas barradas no Pan fazem acrobacias na rua em Guadalajara

Realista além do usual ao avaliar sua performance, Shawn não se acanhou em dizer que, em sua primeira competição internacional desde que deixou a ginástica artística, sentiu a pressão. Caiu na trave, sua especialidade, e chorou ao ver as companheiras de equipe garantirem a medalha de ouro no Pan de 2011.

Getty Images
Shawn Johnson foi a grande atração do primeiro dia da ginástica
“Cometi erros, provei a mim mesma que não sou uma máquina. Numa competição internacional, não  volta tudo como era antes de uma hora para outra. Tenho de aprender, tenho de me concentrar, mas isso é bom. Posso fazer a minha série de olhos fechados em casa, mas quando cheguei aqui, com toda a torcida, de volta a uma arena, me afetou. Mas estou orgulhosa, progredi. Estou de volta. Não vou desistir. Tenho nove meses pela frente (até as Olimpíadas). Ter caído, errado, possivelmente decepcionado minhas colegas e meu país é difícil de suportar. Quero treinar e provar que mereço um lugar nesse time”, analisou.

Medo e desejo de fazer parte do time
Ao comentar o que sente quando pensa em disputar os Jogos de Londres, a ginasta não esconde a insegurança. Admite que, em Pequim, não foi uma atleta de grupo. Algo que mudou no tempo de “exílio” da ginástica. “Estou com medo, senti falta da ginástica, realmente quero ir a Londres e sentir que faço parte do time. Em Pequim estava tão envolvida com tudo aquilo que não fiz parte de uma família, não tive esse sentimento. E fazer parte desse time é o que me empurra para Londres”, afirmou Shawn.

A atuação em Guadalajara, apesar de dizer que, claro, é ótimo ter novamente uma medalha de ouro no pescoço, não a satisfez. Longe disso. Shawn não hesita em afirmar que seu lugar nas Olimpíadas não está garantido e que terá de fazer por merecer.

Acompanhe o quadro de medalhas do Pan

“Fiquei um pouco decepcionada porque sei que sou capaz de mais. Levei uma queda feia, isso não faz bem. E finalizar a série, sabendo o histórico que tenho, sabendo que todos naquela arena estavam pensando: ‘Ela é a campeã olímpica, por que está caindo?’. É muita pressão. Vim para Guadalajara pensando apenas em ganhar experiência. Não vim por medalhas ou por notas, porque ainda não estou nesse ponto”, completou. Se ela continuar desta forma, provavelmente, em Londres, estará.

Leia tudo sobre: pan 2011ginástica artísticashawn johnson

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG