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Puerto Vallarta tem água quente, areia dura, tem Vila “B” e vibra pelos norte-americanos

Marcel Rizzo/ iG
Letreiro da loja de jóias, tradicional no México
Se em Guadalajara , sede principal dos Jogos Pan-Americanos , os brasileiros são a segunda torcida dos mexicanos, em Puerto Vallarta, cidade litorânea sede de quatro modalidades (vôlei de praia, vela, maratona aquática e triatlo), o evento fica “americanizado”. Frequentado principalmente por turistas dos EUA, o balneário tem a maioria das placas em inglês e mexicanos que abordam também na língua norte-americana qualquer pessoal que não esteja falando espanhol.

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“Difícil ficar aqui, longe do clima lá de Guadalajara . E nos falaram que por lá os mexicanos torcem mesmo pelo Brasil. Aqui os caras eram alucinados pelos americanos”, contou Alison, parceiro de Emanuel e medalha de ouro no vôlei de praia.

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A cidade de 220 mil habitantes foi premiada com o Pan para que o Governo de Jalisco comprovasse a tese de que o evento era de todo o estado, não apenas de Guadalajara , sua mais importante cidade – o financiamento da competição foi quase toda estatal. No interior também houve sub-sedes, com o remo e a canoagem em Ciudad Guzmán, famosa por vulcões, 130 km ao sul, e em Lagos Moreno, que recebeu as partidas de Beisebol, a 250 km. Empolgado, o governador Emílio González até lançou o Guadalajara (e o estado) para ser sede das Olimpíadas de 2024.

“Muitos mexicanos que estão aqui em Puerto Vallarta já moraram nos EUA também, por isso a relação mais forte”, explicou Dulce, uma das dançarinas que animavam os intervalos nos jogos de vôlei de praia. Um de seus companheiros, Javier, viveu em Miami por alguns anos e conviveu com brasileiros, por isso arriscava algumas palavras como “oi” e “churrasco”.

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A arena de vôlei de praia foi montada próxima à praia do centro, que é pouco frequentada pelos turistas. Não fica no setor hoteleiro, onde resorts “tudo incluído” (quando o hóspede paga um valor fechado e pode beber e comer à vontade) estão enfileirados, alguns até com preços mais em conta do que no Brasil – um quatro estrelas, por exemplo, sai por R$ 180 a diária, contra mais de R$ 300 em algumas praias brasileiras.

“Não aproveitamos essa parte, não. O foco é nas regatas, então acabamos mesmo ficando no hotel”, disse Matheus Dellagnello, medalha de ouro na vela na classe sunfish e que até ganhou um aniversário surpresa, domingo passado, para animar os atletas que ficaram distante do “ Pan ”. Os competidores de Vallarta ficaram hospedados em um hotel, na saída para e estrada que liga a Guadalajara , e deram apelido ao local de “ Vila Pan-Americana alternativa”.

“Tem uma piscina boa, que pretendo usar agora depois do ouro”, contou Emanuel.

Problemas
Como em outras sedes, houve problemas . Por exemplo: toda uma estrutura foi montada para que fosse realizada a prova de maratona aquática, mais perto da marina de Puerto Vallarta e distante do centro. O problema foi que a água, no local, era ainda mais quente do que na parte central, o que gerou reclamação dos países participantes.

A água, com 31 graus aqui já estava alta e minha pressão baixou ”, reclamou a medalhista de prata na maratona feminina, Poliana Okimoto , que disse nunca ter nadado em água tão quente. Na marina, a temperatura passaria dos 35 graus – o oceano pacífico na região de Puerto Vallarta é muito quente, mesmo no outono mexicano.

A quadra do vôlei de praia teve a areia muito dura também, outra característica da região mais central de Puerto Vallarta. As praias mais afastadas, onde estão os hotéis que parecem castelos, a areia fica mais fofa, o que privilegiaria os brasileiros (que mesmo assim ganharam ouro no masculino e no feminino).