Publicidade
Publicidade - Super banner
Pan
enhanced by Google
 

Rio e Guadalajara têm custos diferentes, mas problemas similares

Cariocas, que em 2007 lutavam para receber Olimpíadas, gastaram R$ 1,4 bilhão a mais do que os mexicanos para organizar o Pan

Vicente Seda, enviado iG a Guadalajara |

Getty Images
Abertura do Pan do Rio, em 2007: evento custou R$ 1,4 bilhão a mais do que o de Guadalajara
Os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, quatro anos atrás, e os de Guadalajara-2011 são, por natureza, eventos com objetivos e parâmetros completamente distintos. O Rio-2007 serviu, sobretudo, como uma vitrine para a cidade, que na época pleiteava receber as Olimpíadas de 2016 – algo que foi confirmado dois anos depois. Para os mexicanos, não. O Pan é só isso mesmo: um Pan e ponto. E, apesar das propostas diferentes, existe pelo menos um aspecto que aproxima os dois eventos: as dificuldades na organização.

A um mês do Rio-2007, o solo cedia em frente à Vila Pan-Americana e faltava água quente no local. Em janeiro daquele ano, a obra no Autódromo Nelson Piquet corria o risco de não sair do papel. E parte do projeto, como a unidade de tratamento Rio Arroio Fundo, em Jacarepaguá, zona oeste da cidade, só foi inaugurada três anos depois. Para quem pintava um quadro crítico em Guadalajara, o cenário, a princípio, não parece tão grave. Há problemas, como o transporte e a segurança - que foi bastante reforçada por conta do receio de ações do narcotráfico -, mas nada muito diferente do que o Rio de Janeiro enfrentou nos meses que antecederam o Pan.

Leia também: Tocha Pan-Americana se aproxima de Guadalajara

As questões mais preocupantes na cidade mexicana foram resolvidas, ainda que em cima da hora. A pista de atletismo foi homologada pela Iaaf (sigla em inglês para Associação Internacional de Federações de Atletismo) e a Vila Pan-Americana ficou pronta dois meses antes do início do evento, apesar de ter passado por ajustes até dias antes da chegada dos atletas. Outras correções, como um melhor bloqueio às pistas expressas criadas para veículos credenciados, que estão sendo invadidas com freqüência por motoristas usuais, vão sendo providenciadas.

O impacto que esses corredores causarão no tráfego da cidade é um mistério, mas o governo tem tomado medidas para que o efeito seja minimizado. As aulas, por exemplo, foram paralisadas - já que algumas áreas de competição e a própria vila ficam muito próximas a diversos colégios. Outras questões, porém, foram resolvidas no tranco. Chegou-se a cogitar, por exemplo, o corte de atletas por falta de verba, o que foi descartado oficialmente diante de uma inevitável repercussão negativa nas Américas.

Economia na organização
Subdiretor do Copag (Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos), Juan José Martínez Jiménez, ex-jogador de vôlei de praia, comparou o Pan do Rio ao de Guadalajara e ressaltou que, apesar de a cidade mexicana estar recebendo um número recorde de atletas, os custos foram minimizados. O principal equipamento do evento, o moderno estádio Omnilife, onde será a cerimônia de abertura na sexta-feira, é privado: pertence ao clube de futebol Chivas de Guadalajara. A verba para outras arenas foi direcionada para os esportes de grande demanda e, desta forma, sem a pretensão de sediar Olimpíadas, a cidade espera conseguir realizar um grande Pan com um custo bem inferior ao carioca.

“A primeira grande diferença está no tamanho dos comitês organizadores. Este é o menor da história do Pan: cerca de 800 pessoas. No Rio, pelo que li, eram milhares. Entendemos que o Rio estava buscando as Olimpíadas e conseguiram. Mas aqui é diferente. Queremos apenas mostrar nossa cidade ao mundo. O investimento é menor e as arenas são menores, mas receberemos mais atletas. Poupamos no tamanho das arenas: são para ser usadas pela sociedade local. Arena sem gente é horrível. Hoje, temos quase 90% dos ingressos vendidos, e muitos esportes já estão esgotados, como vôlei, ginástica e atletismo. São duas propostas diferentes”, ponderou Jiménez.

Veja também: Sem verba do COB, esportes não-olímpicos sofrem

Ele explicou que cinco esportes foram considerados de alta demanda e, portanto, tiveram maior investimento: vôlei, basquete, ginástica, atletismo e natação. O futebol não foi incluído na lista porque o estádio, o Omnilife, é privado. “O objetivo é deixar um legado social, pois Guadalajara tem apenas duas ou três construções com fins filantrópicos. É a primeira vez que as pessoas aqui poderão ver uma competição deste nível”, destacou.

Sonho olímpico justifica orçamento estourado
É preciso ressaltar, contudo, a pujança que o Brasil pretendia mostrar para conquistar as Olimpíadas de 2016. O objetivo foi alcançado, mas a um custo altíssimo. O orçamento inicial, de R$ 538 milhões,, e os gastos teriam chegado a R$ 3,7 bilhões, segundo números fornecidos pela atual presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, vereadora em 2007 e que na ocasião defendeu ferrenhamente a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o Pan. A instalações da Vila Pan-Americana em Guadalajara vêm sendo elogiadas pelos atletas, apesar de a construção estar em um lugar ermo e com transporte deficiente.

Quanto aos números de Guadalajara, o subdiretor de comunicação citou apenas o custo de organização: aproximadamente R$ 120 milhões, muito inferior aos R$ 980 milhões gastos no Rio, incluindo a candidatura, que consumiu R$ 380 milhões. Como custo total do evento mexicano, comenta-se extraoficialmente entre os membros do Copag que a cifra seja de cerca de US$ 1,3 bilhão, o que corresponde a aproximadamente R$ 2,27 bilhões. Ou seja: R$ 1,4 bilhão a menos do que o Pan do Rio.

Leia também: Bandeira brasileira é hasteada na Vila Pan-Americana

Sobre o estouro de orçamento, Patrícia Amorim lembrou as Olimpíadas de Atenas, em 2004, ressaltando que o imponderável sempre pode mudar as contas. “Nos Jogos de Atenas, a previsão inicial com gastos em segurança era de R$ 260 milhões, mas o valor chegou a R$ 3 bilhões. Ninguém imaginava o 11 de setembro de 2001. O Pan de 2007 deixou um grande desafio: aprender a administrar a infraestrutura criada para eventos desse porte. Atenas hoje em dia gasta US$ 100 milhões por ano para manter os equipamentos olímpicos. Ou seja, vamos ter que investir nesses equipamentos para que eles se tornem viáveis para as próximas competições”.

Um desses casos de arenas de alto custo que não servirão para 2016 é o Parque Aquático Maria Lenk, que não poderá receber a natação olímpica. A justificativa é sempre a tentativa carioca de mostrar um evento de porte acima da média para vencer a concorrência pelos Jogos Olímpicos. “Não dá para comparar. O Rio quebrou em alto estilo o paradigma daquilo que é um Pan: implementou padrão olímpico, e isso foi determinante para conseguir os Jogos de 2016. Acho que, a partir daí, todos os países vão querer melhorar, como está acontecendo aqui no México. Acredito que os mexicanos realizarão grandes Jogos também”, ponderou Bernard Razjman, chefe de missão do Brasil em Guadalajara.

Leia tudo sobre: pan 2011

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG