Mais glórias das vedetes de medalha da semana: atletismo e judô. Com a vela e a natação, respondem por quase 65% de nossos ouros

Ninguém precisa de bacharelado em matemática para constatar: as modalidades individuais distribuem mais medalhas que as coletivas. E também não é preciso argúcia demais para perceber: o Brasil, por enquanto, só é bom mesmo em uma ou outra dessas modalidades. O resto são casos isolados, quase-milagres que pipocam aqui e ali.

O que nos leva à conclusão de que, em Pans, nosso sucesso depende bastante daquilo que consigam esses poucos esportes que distribuem muitas medalhas e em que somos realmente feras: o atletismo, o judô, a natação e a vela.

Em Guadalajara, tem sido assim mais do que o habitual. A sexta-feira foi mais um dia em que nossas duas vedetes da segunda semana – o atletismo e o judô – trouxeram mais dois ouros cada. Somados àquilo com que natação e vela contribuíram na primeira semana, temos 29 medalhas de ouro, das nossas 45, vindas dessas quatro modalidades. É o equivalente a 64,4%: mais do que em qualquer Pan desde Caracas 1983, e ainda faltam dois dias, com três medalhas de judô e duas do atletismo em disputa.

Confira o calendário completo do Pan

Quer dizer: vale torcer para todo lado, mas, a longo prazo, se for para ser pragmático e concentrar energias, nada vale tanto quanto essas nossas quatro especialidades.

O iG Esporte resume o principal do Dia do Brasil em Guadalajara:

Todos juntos somos fortes

Atletismo, um esporte individual? No Brasil é que não, como deixou clara a colheita de medalhas desta sexta-feira, comandada pelos revezamentos : no 4 x 100 m, as meninas conquistaram um título inédito que as faz sonhar com pódio olímpico e os rapazes, o tetracampeonato. E ainda teve a prata do 4 x 400 m feminino para completar o grande dia do jogo de equipe brasileiro.

Correndo cada um por si, mais três brasileiros trouxeram medalha de prata: Kléberson Davide, dos 800 m , o veterano Hudson Souza, com sua quarta medalha em Pans , nos 3.000 m com obstáculos – mesma prova em que Sabine Heitling também ficou em segundo lugar .

Mais quimono do que nunca

Depois de ter feito a campanha com mais medalhas em sua história no Campeonato Mundial deste ano, em Paris, o judô brasileiro manteve a pegada no Pan. Com os ouros de Leandro Cunha e Bruno Mendonça e a prata de Rafaela Silva nesta sexta-feira, a modalidade chegou a cinco ouros, duas pratas e três bronzes em Guadalajara e, antes do último dia de competições, está próximo de superar o melhor desempenho da história, em Indianápolis 1987, quando trouxe cinco ouros, três pratas e quatro bronzes.

Família Ostapenko?

Ao bater o olho nos resultados, a diferença entre os rapazes e as garotas da ginástica artística brasileira é gritante: campeões por equipes e já donos de duas medalhas individuais, os homens tiveram um dia em que Diego Hypólito brilhou e se tornou o maior medalhista brasileiro da modalidade - o que já o levou a ser anunciado pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) como porta-bandeira da delegação do país no desfile de encerramento do Pan.

As meninas, por sua vez, só foram desencantar na sexta-feira, com duas medalhas de bronze da irmã de Diego, Daniele Hypólito . Os enviados iG a Guadalajara conversaram com o pessoal e explicam: boa parte da razão para isso está no possível retorno do vitorioso e encardido ucraniano Oleg Ostapenko à condição de técnico da seleção feminina. Parte das meninas quer e outra parte não. Resultado: o grupo rachou .

Projeto de carreira

Quando o neném de Lucélia e Douglas começar a dar seus chutinhos na barriga, os dois já vão saber do que se trata: é a primeira sessão de treinos de um “campeãozinho olímpico de caratê” . Pelo menos é o que esperam para o futuro os caratecas Lucélia Ribeiro, que se tornou a primeira mulher tetracampeã pan-americana e Douglas Brose, campeão mundial que ficou com o bronze .

Melhor de três

Já que não enviou sua equipe principal e nem entrava como favorito absoluto, como era o caso do feminino, o basquete masculino brasileiro precisaria fazer algo realmente muito feio para que seu desempenho fosse considerado um fiasco. Pois conseguiu: pelo segundo jogo seguido – primeiro Estados Unidos, depois República Dominicana -, o time abriu mais de 15 pontos e levou a virada no quarto período. Resultado: eliminação ainda na primeira fase .

Clássico que vai, clássico que vem

Não foi moleza, para a seleção B de vôlei masculino, superar os rivais argentinos na semifinal: a equipe perdeu o primeiro set, esteve atrás no segundo e precisou suar para se classificar à final. Sorte que os adversários da decisão, os cubanos, sofreram ainda mais na outra semifinal, contra o México: tiveram match point contra e só foram vencer no tie-break. O duelo com mais uma turma de rivais históricos, valendo ouro, é no sábado.

Deu zebra com a égua

O complicado de um esporte que depende tanto do desempenho humano quanto do animal é esse: a imprevisibilidade. Quando não é o cavalo de Rodrigo Pessoa se recusando a saltar os obstáculos nas Olimpíadas de Sydney 2000, é a lesão de sua égua, HH Ashley , que impede o campeão olímpico de Atenas 2004 de participar da final individual dos saltos em Guadalajara.

Veja as melhores imagens dos brasileiros no 14º dia de Jogos:

E ainda teve mais:

Miau

Aconteceu. Corações do mundo, uni-vos em consolo: as “Leonas” perderam. Nunca tinha acontecido na história dos Jogos Pan-Americanos, mas enfim as belas argentinas, campeãs mundiais, foram derrotadas: pelos Estados Unidos , na final. Pior: além do ouro, a decisão valia vaga direta aos Jogos Olímpicos.

Pagou o pato

A notícia ruim: surgiu o primeiro caso de doping do Pan. A consequência boa: o fato de o canadense Aaron Rathy ter sido pego com a substância metilhexaneamina significa que o brasileiro Marcelo Giardi, ornitologicamente conhecido como “Marreco”, transformou sua medalha de bronze no wakeboard do esqui aquático em uma prata .

Femmes Fatales

Enquanto muito brasileiro se frustrava pelo fato de essas garotas terem atrapalhado nossas chances de medalha, uma voz no fundo da consciência não parava de argumentar: mas que elas são lindas, isso são. Veja se é isso mesmo .

Precisava lembrar?

Campeãs mundiais que acabam com a medalha de prata, equipes de basquete eliminadas precocemente, derrota na decisão por pênaltis da medalha de ouro... Nem tudo foi confirmação de potencial para o Brasil em Guadalajara.

Expo Guadalajara

Já que o assunto são fotos, veja nessa galeria como segunda semana do Pan rendeu um punhado de belas imagens : tem close-up, abraço coletivo, contraluz do pôr do sol...

Outros esportes

No futebol masculino, aquela modalidade em que o Brasil não é muito tradicional e costuma ser eliminado pela Costa Rica, quem levou o título foi o México , com uma vitória por 1 a 0 sobre a Argentina.

Veja como está o quadro de medalhas completo

A frase do dia

De Diego Hypólito, comentando o bafafá dentro da equipe feminina de ginástica e defendendo ligeiramente o sobrenome.

O que posso falar para as meninas é que elas têm que treinar. Só isso. Não adianta falar em seleção permanente ou treinamento em clube: tem que treinar. Veja o exemplo da Daniele, que saiu daqui com duas medalhas.”

Nos blogs do iG

>> É o que muito de nós achamos: há jogadores no selecionado brasileiro que são leões no NBB, mas que em nível internacional são gatinhos. São os casos de Nezinho Santos e Murilo Becker. Leia mais no Blog do Sormani

>> A delegação brasileira que vai aos Jogos Olímpicos de Londres, no ano que vem, alcançou nesta sexta-feira o total de 102 atletas graças à canoagem. Confira a lista completinha no blog Espírito Olímpico .

Direto de Guadalajara

>> Afinal, qual é a do caratê? É a modalidade do status cult de Chuck Norris, Dolph Lundgren e Mestre Myiagi ou a nanica que batalha para chegar a ser olímpica? A aposta para voltar a fazer barulho é no representante Lyoto Machida, ídolo do MMA . Os enviados iG a Guadalajara contam a história.

>> Maurine não conseguiu a medalha de ouro que queria para dedicar a seu pai – falecido no Brasil durante a disputa da competição. Mas a lateral da seleção masculina não se mostrou nem um pouco derrotada por ter perdido a decisão para o Canadá nos pênaltis. Queria o ouro, mas vai emoldurar a prata junto com uma foto do pai e um ingresso da partida .

O Pan na TV

A Record quer ganhar o Pan no grito . Literalmente. Parece que o que a emissora valoriza, mais do que comprar direitos de transmissão, é o direito de impedir que os outros transmitam. Quer dizer: exatamente aquilo que a Rede Globo fez a vida toda, sob uma rajada de críticas. 

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