iG ouviu as "Leonas" sobre o que brasileiros precisam fazer para que haja um clássico daqui a cinco anos nas Olimpíadas

Elas são as melhores do mundo, são musas, mas falta o clássico contra o Brasil. “Las Leonas”, as jogadores de hóquei sobre grama da Argentina que são conhecidas pelo talento com o bastão, mas também pela beleza, estão na final da modalidade nos Jogos Pan-Americanos e devem faturar o ouro sem problemas contra os EUA , nesta sexta-feira (20h30 de Brasília). No único esporte olímpico que faz parte do Pan no qual o Brasil não compete no México, as argentinas reinam, mas também podem ensinar algo.

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“Seria muito bom ter esse clássico contra o Brasil . No futebol é tão envolvente, no hóquei seria impressionante”, disse

Marcel Rizzo/ iG
Para a leona Maria Laura Aladra, Brasil precisa criar uma seleção permanente
a goleira Maria Laura Aladro, depois de não levar gol na vitória de 4 a 0 sobre as chilenas, na semifinal, nesta quarta-feira.

O iG ouviu quatro das principais jogadoras argentinas sobre o que o hóquei sobre grama brasileiro precisa fazer para conseguir chegar às Olimpíadas do Rio em 2016 e não passar vergonha – quando disputará certamente como mandante. Cada uma deu uma dica, e alguns conselhos já são seguidos pela CBHG (Confederação Brasileira de Hóquei sobre Grama e Indoor), mas o Brasil ainda não consegue nem se classificar para o Pan (Argentina e Chile, pelo ranking, representaram a América do Sul no feminino e no masculino). No Pan de 2007, no Rio, quando as brasileiras jogaram por serem mandantes, a Argentina venceu por 21 a 0 (com apenas um tiro a gol do Brasil. No final da competição a seleção foi última entre homens e mulheres).

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Veja abaixo os conselhos e o que a CBHG já faz a respeito:

1) Luciana Aymar (34 anos, a “Messi” de saias): campos para treino
A melhor jogadora do mundo acha que o Brasil, e outros países da América do Sul, precisam de mais locais de treinamento para que pessoas comuns, como crianças, possam praticar o hóquei sobre grama.

“Com mais praças de jogo, fica mais fácil formas bons jogadores. O Chile é um exemplo, porque hoje tem muitos locais para treino e até para jogos de final de semana, e a evolução é clara. Deram trabalho na semifinal”, disse Aymar.

Com o dinheiro que recebe via Lei Agnelo/Piva (que destina parte da verba de loterias para esportes olímpicos, sempre via Comitê Olímpico Brasileiro), a CBHG criou um CT, em Deodoro, no Rio de Janeiro, que recebe jovens e crianças para aprender o hóquei. Em 2010, a Confederação ganhou R$ 946.639,04 via COB.

2) Dica de Maria Laura Aladro (28 anos, goleira de 1,61m): seleção permanente
Para a número 13 argentina, é preciso ter uma seleção treinando sempre junta. “Nós não viemos disputar o Pan e nos juntamos sete dias antes. Temos treinamentos por meses, que nos ajuda a formar um time competitivo. É preciso ter sempre amistosos e estar sempre juntas, mesmo se jogar fora do país”, disse.

O Brasil tem seleções que se reúnem sempre para torneios, principalmente na América do Sul. O problema é que os rivais, normalmente, não são de alto nível. “No nosso caso, o entrosamento nos faz ter triangulações e jogadas de fundo que outras seleções não têm”,completou Aymar, que até ouviu de um jornalista espanhol se “Las Leonas” são o Barcelona do hóquei. “Gostei, pode ser”, disse.

Acompanhe o quadro de medalhas do Pan

María Noel Barrionuevo recomenda um técnico estrangeiro para ensinar os brasileiros
Marcel Rizzo/ iG
María Noel Barrionuevo recomenda um técnico estrangeiro para ensinar os brasileiros
3) Dica de María Noel Barrionuevo (27 anos, defensora canhota que já fez oitos gols no Pan): Técnico estrangeiro
De preferência um argentino, acredita Barrionuevo, que mesmo jogando de defensora gosta de fazer gols. “É importante ter treinadores com experiência internacional. É possível passar táticas e maneiras de jogar bem diferenciadas”, disse.

O Brasil já tem técnico gringo e é argentino. Jorge Querejeta disputou os Pan de 1995, em Mar Del Plata e as Olimpíadas de 1996, em Atlanta. Na comissão técnica permanente há também auxiliar técnico, nutricionista, fisioterapeuta e até câmera, para gravar jogadas para serem analisadas depois.

Maurren Maggi escreve direto de Guadalajara

4) Agustina Garcia (camisa 10, 9 gols no Pan, artilheira ao lado de Aymar): aposta na base
Para a goleadora das Leonas, não haverá evolução se não apostar em jovens. No time da Argentina que disputa o Pan, há quatro atletas mais novas, consideradas revelações, de até 22 anos, que mostra que os títulos devem ter sequência (uma delas, Delfina Merino, é considerada a sucessora de Aymar, pelo menos no quesito musa). “Quanto mais jogadores e jogadores na base, melhores times no adulto”, disse Garcia. No site oficial da CBHG, há anúncios para crianças se inscreverem em cursos. O problema ainda é a falta de alcance: há federações somente em cinco estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), o que dificulta a caça a talentos.

“Uma final Brasil x Argentina em 2016? Por que não?”, disse Aladro. Por enquanto é improvável.

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