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México se consagra como berço do Pan e relembra feitos históricos

Jogos de 1955 e 75 tiveram marcas imortais, como recordes mundiais de Adhemar Ferreira da Silva e João do Pulo

Vicente Seda, enviado iG a Guadalajara |

Claudine Petroli/AE
João do Pulo, durante o salto que rendeu a medalha de ouro e o recorde mundial da prova de salto triplo, nos Jogos Pan-Americanos de 1975, na Cidade do México

Os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, que terão sua cerimônia de abertura nesta sexta-feira, comprovam em definitivo a supremacia mexicana na organização da competição, que acontece pela terceira vez no país. Bom para o Brasil que, em terras mexicanas, já assistiu a feitos históricos, como os recordes mundiais, no salto triplo, de Adhemar Ferreira da Silva, em 1955, e de João do Pulo, vinte anos depois, ambos na Cidade do México. Pela primeira vez em Guadalajara, o Pan recebe mais do que o dobro de atletas em relação à sua estreia no país. É menos valorizado pelas potências do esporte, mas não o suficiente para tirar o brilho da festa que terá quase seis mil competidores.

O México dará o pontapé inicial para o terceiro Pan-Americano do país nesta sexta-feira, desta vez em Guadalajara, confirmando a sua supremacia na organização do evento. De acordo com o comitê organizador dos Jogos, os investimentos para o evento atingiram cerca de US$ 1,3 bilhão de dólares, com 5.996 atletas inscritos de 42 países. A delegação brasileira conta com 524 atletas, um recorde para disputas no exterior, já que no Pan do Rio, em 2007, o Brasil teve 658 atletas competindo. Por conta disso, a expectativa brasileira é de recorde de medalhas em Pans realizados fora do país. No Rio, foram 157 medalhas.

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Apesar do alto investimento, Guadalajara sofreu críticas com alguns atrasos, como a Vila do Pan, que ficou pronta dias antes da chegada dos competidores, mas tem sido elogiada pelos mesmos, e especialmente a pista de atletismo, que só foi homologada pela Iaaf (sigla em inglês para Associação Internacional de Federações de Atletismo) três dias antes da cerimônia de abertura do evento. Chegou a haver também ameaça de corte de atletas por problemas financeiros, fato negado oficialmente pela organização. Ainda assim, dois atletas da natação brasileira, Ana Carolina Santos e Rodrigo Castro, foram cortados atendendo a um pedido da UANA (União Americana de Natação), por falta de espaço na Vila do Pan.

Ouro e recorde de Adhemar no salto triplo

A relação do país que mais sediou Pan-Americanos na história começou em 1955, na Cidade do México. Naquela época, o evento, mais modesto, contava com 17 modalidades – hoje são 47 – mas já atraía um número considerável de atletas: 2.583. A delegação brasileira contou com 135 desportistas que disputaram 12 modalidades, terminando em sétimo lugar no quadro de medalhas, com dois ouros, três pratas e 12 bronzes.

Infográfico: Saiba mais sobre Adhemar Ferreira da Silva, um dos heróis brasileiros no Pan

Entre os 21 países que participaram da segunda edição do Pan, em 55 (a primeira foi em 51, em Buenos Aires, Argentina), os Estados Unidos já despontavam como potência esportiva, terminando a classificação em primeiro com 81 medalhas de ouro. Representado por mais de 300 atletas, o país só não competiu em uma modalidade, o futebol.

Pelo Brasil, quem brilhou mesmo foi Adhemar Ferreira da Silva. Campeão olímpico nas Olimpíadas de Helsinque (Finlândia), em 1952, ele subiu ao topo do pódio na Cidade do México em 55 com quebra de recorde mundial no salto triplo, em uma altitude de 2.235m acima do nível do mar. Ele saltou 16,56m, superando a marca que pertencia ao soviético Leonid Shcherbakov.

A outra medalha de ouro do Brasil em 55 veio com o pugilista Luiz Ignácio, que derrotou o mexicano Lorenzo Valles por nocaute. Foi o primeiro ouro brasileiro no boxe.

O Brasil ainda teve grande chance de ouro no basquete, só perdeu para os Estados Unidos no torneio e terminou empatado com quatro vitórias e uma derrota com os americanos e os argentinos, mas acabou em terceiro lugar pelo saldo de pontos.

Ao lado de Ingrid Charlotte Metzner, a tenista Maria Esther Bueno ganhou a medalha de bronze nas duplas femininas mas foi uma das sensações brasileiras. Em 1958, ela conquistaria seu primeiro título de duplas em Wimbledon e, um ano depois, o primeiro troféu de simples no tradicional torneio inglês.

México recebe o Pan em 75 e João do Pulo repete Adhemar

Divulgação
A seleção brasileira de futebol cravou uma goleada recorde no Pan de 1975
Foram 20 anos até que a maior cidade mexicana recebesse novamente o Pan, com apenas 10 meses para organizar o evento por conta de problemas na indicação da sede. Santiago do Chile abdicou da indicação por conta do golpe de Estado, em 1973. Porto Rico, suplente, preferiu organizar com tempo apropriado os Jogos de 1979, em San Juan. Em dezembro de 1973, o Brasil fora escolhido como sede, mas São Paulo também declinou no ano seguinte por conta de problemas internos. A Cidade do México então se ofereceu para receber a competição novamente.

O Pan de 1975 contou com a participação de 33 países, com 3.146 atletas disputando medalhas em 19 modalidades. E, mais uma vez, um brasileiro brilhou no salto triplo. João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, foi o único do atletismo a quebrar um recorde mundial nesta edição. João do Pulo saltou, 17,89m, 45 centímetros a mais do que a marca anterior, do soviético Victor Saneyev – que atingira 17,44m em 1972. Ele ganhou também a medalha de ouro no salto em distância (com 8,19m) e, um ano depois, nos Jogos Olímpicos de Montreal, Canadá, em 76, foi bronze no salto triplo.

O Brasil competiu em todas as modalidades, com exceção do beisebol, do hóquei na grama e das disputas de natação sincronizada e pólo aquático, dentre os esportes aquáticos. A seleção masculina de futebol saiu com a medalha de ouro e ainda aplicou a maior goleada da história dos Pans até então ao marcar 14 a 0 sobre a equipe da Nicarágua.

Seguindo a tradição, os Estados Unidos mostraram força no Pan de 75, especialmente na natação, modalidade na qual o país ficou com 27 das 29 medalhas de ouro em disputa. Mas, na natação, quem entrou para a história foi o equatoriano Jorge Delgado, que conseguiu o único ouro do seu país nesta edição dos Jogos, nos 200m livres, além de uma medalha de bronze nos 200m borboleta. Foram as primeiras medalhas do Equador na natação pan-americana.

Outro destaque foi o surgimento de um ícone do boxe olímpico, o cubano Teófilo Stevensson, que subiu ao topo do pódio na Cidade do México e, em 72, nas Olimpíadas de Munique, ficaria com três medalhas de ouro.

Getty Images
O cubano Teofilo Stevenson (à direita) começou sua brilhante carreira no boxe amador no Pan de 1975

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