Esporte é um dos cinco escolhidos pela estatal Petrobras para investimento visando as Olimpíadas do Rio 2016

Mesmo sendo um dos cinco esportes bancados pela estatal Petrobras desde fevereiro de 2011, o remo brasileiro não mostrou evolução nos Jogos Pan-Americanos . Apenas duas medalhas, a da campeã mundial Fabiana Beltrame , que mesmo assim não foi o esperado ao ficar apenas com a prata no skiff simples leve, e da dupla Alexis Mestre e João Borges Júnior , também prata no dois sem. O esporte nunca ganhou medalha em Olimpíadas e não leva um ouro em Pans desde 1987, quando os irmãos Ricardo e Ronaldo Carvalho venceram no dois sem.

Veja também: Fabiana Beltrame é campeão mundial pela primeira vez

“Falta organização. Você vê os argentinos, eles vêm aqui (Jogos Pan-Americanos) e levam tudo para casa (foram cinco ouros, cinco pratas e um bronze, melhor performance do Pan). Eles se organizam, porque nós temos mais remadores, mais barcos, mais quase tudo e não ganhamos. E falta também os atletas se organizarem para exigir melhores condições”, disse a brasileira, primeira mulher a ganhar medalha na modalidade em Pans e campeã mundial em setembro, algo também inédito.

Fabiana Beltrame ficou com a prata no remo, na prova de skiff simples leve
Wagner Carmo/Inovafoto/COB
Fabiana Beltrame ficou com a prata no remo, na prova de skiff simples leve

Nas outras provas, com exceção das duas já citadas, a tendência foi o Brasil chegar às finais, eliminando às vezes dois barcos competidores, mas sempre terminando em último na prova decisiva. Nesta quarta-feira, dia em que o remo teve o calendário encerrado nestes Jogos Pan-Americanos, o Brasil foi sexto (e último) no quatro sem masculino e feminino e no oito com.

LEIA MAIS: Engasgada com ouro, Beltrame não promete medalha em Olímpiada

“Depois do Pan do Rio, parei de treinar, casei e fui trabalhar. Só voltei a treinar em fevereiro deste ano, quando fui convidado pelo Botafogo e pensamos em montar esse barco para competir. Ganhamos o estadual, o brasileiro, mas aqui é mais complicado. Precisamos treinar mais”, disse José Sobral Jr., que com outros três companheiros foi sexto no quatro sem.

Profissionais

No Brasil hoje são aproximadamente 105 remadores que recebem ajuda, seja da CBR (Confederação Brasileira de Remo), via COB (Comitê Olímpico Brasileiro), ou da Petrobras. A empresa investiu até agora R$ 14,9 milhões em cinco esportes (remo, taekwondo, esgrima, levantamento de peso e boxe, esportes que dão muitas medalhas em Olimpíadas) - o objetivo é ter atletas brigando por pódio no Rio de Janeiro, em 2016.

Blog Espírito Olímpico: Veja o que é o Passe de Mágica

A Petrobras envia o dinheiro diretamente para as Confederações, sem passar pelo COB, para custear principalmente viagens e equipamentos. O Passe de Mágica, como é chamado o projeto, é comandado pela ex-jogadora de basquete Paula.

Da Lei Agnelo/Piva, que destina parte do arrecadado em loterias para os esportes olímpicos, esta verba via COB, o remo recebeu em 2010 R$ 1,8 milhão. Há investimento em eventos: por exemplo, a Confederação bancou o aluguel do barco de Beltrame no Mundial, gastando R$ 9 mil – há também o patrocínio do Bradesco para a CBR. Foi pago também o salário e a estadia do treinador da brasileira, o técnico francês José Oyarzabal.

“Investimento está sendo feito, falta organizar um pouco mais e ter garotos e garotas querendo remar. Temos que formar atletas”, disse Beltrame.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.