Publicidade
Publicidade - Super banner
Pan
enhanced by Google
 

'Iraquiana' bate recorde no ciclismo e promete tombo por medalha

Sumaia Ribeiro nasceu em Bagdá e tenta nesta quarta, em prova perigosa, sair vitoriosa do Pan 2011

Marcel Rizzo e Vicente Seda, enviados iG a Guadalajara |

Gaspar Nóbrega/Inovafoto/COB
A ciclista Sumaia Ribeiro chegou a atuar profissionalmente como jogadora de vôlei
A ciclista Sumaia Ali Ribeiro, 29 anos, pedala com o uniforme brasileiro, mas poderia estar longe dos Jogos Pan-Americanos. Nascida em Bagdá, no Iraque, porque seu pai brasileiro foi trabalhar por lá no início dos anos 80, ela voltou ao Brasil ainda criança, tentou jogar vôlei como líbero, mas se especializou mesmo em provas de velocidade no ciclismo. Apesar de começar a pedalar “velha”, com 23 anos, ela conseguiu um feito em Guadalajara: foi a primeira mulher a voar” a menos de 12 segundos na prova de velocidade – novo recorde brasileiro, com 11s335. Nesta quinta-feira, a partir das 13h (de Brasília), ela participa da prova de Keirin.

VEJA TAMBÉM: Ciclistas ignoraram pista do Pan do Rio em preparação

“Eu me preparei mais de um mês para conseguir baixar dos 12 segundos, mas imaginava 11,9. Realmente me surpreendeu este tempo, a pista estava rápida, mas mostrou que todo o investimento que está sendo feito tem dado resultado”, disse Sumaia, que acabou fora da semifinal ao perder para a colombiana Juliana Gaviria, no mano a mano.

Para a prova desta quarta, Sumaia está um pouco apreensiva. A Keirin consiste em seis ciclistas ao mesmo tempo na pista de 250 m, realizando oito voltas. Eles ficam colados e qualquer toque resulta em queda. “É a prova mais perigosa. Mas, se precisar ir para o chão, vou para o chão. Vou com tudo, é minha última chance aqui”, disse Sumaia, que acha que com 29 anos está no limite para bons resultados. “As meninas de 22, 23 têm muito pela frente. Eu, não. Preciso de resultados rápidos”.

Tensão

Sumaia nasceu em 21 de julho de 1982, em Bagdá, quando seu pai foi trabalhar para a construtora brasileira Mendes Júnior. A época era de tensão, pois a guerra dos iraquianos contra o Irã estava no começo. Mesmo assim, ela viveu por quase dois anos na cidade, quando a família retornou ao Brasil e se fixou em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. Ela nunca mais voltou para o Iraque

A EQUIPE: A delegação brasileira do ciclismo em Guadalajara

Na cidade paulista, começou a jogar vôlei e a baixa estatura fez com que atuasse de líbero, posição defensiva que exige mais agilidade do que altura. Sumaia chegou a disputar uma Superliga, em 2004, pela equipe de São José dos Campos, mas o amor do marido Daniel pelo ciclismo fez com que ela também começasse a pedalar.

CONHEÇA: Veja o perfil de Sumaia Ribeiro

“Só que ele não queria que eu fosse ciclista também, então comecei a treinar escondido. Na primeira competição fui bem, e ele aceitou”, contou a brasileira “iraquiana”.

Nos treinamentos, Sumaia preferia as provas de velocidade, realizada em pistas, mas também competia em estrada, com percursos mais curtos. Quando passou a se destacar e a ter ajuda do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e da CBC (Confederação Brasileira de Ciclismo), acabou se especializando em velocidade. O recorde que ela bateu durava desde o início dos anos 90, quando Ieda Botelho, hoje presidente da federação de ciclismo do Rio, fez 12 segundos cravados.

“Estou feliz por poder ter pedalado tão rápido, mas ao mesmo tempo triste por não ter chegado na semifinal. Eu saí na frente e tentei evitar que ela (Gaviria) ganhasse a frente. Não deu”, disse, citando que também há estratégia no ciclismo, não apenas velocidade e potência.

Leia tudo sobre: ciclismo pistasumaia ribeiropan 2011

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG