Jogadores dizem que Brasil entrou na provocação dos argentinos na final e admitem que classificação olímpica é muito difícil

Clima de luto. Foi como Renato Ruy, o Tupan, um dos jogadores mais experientes da seleção brasileira masculina de handebol qualificou o que sentia após a derrota para a Argentina nesta segunda-feira, no Pan de Guadalajara . A prata significou também praticamente um adeus às chances de classificação para as Olimpíadas de Londres , em 2012. Para conseguir um lugar nos Jogos, os brasileiros terão de passar por um duríssimo torneio contra seleções européias. A construção das frases era sintomática: o “sim, acreditamos” deu lugar ao “temos de acreditar”.

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Vicente Seda/iG
Rafael Ruy consola o irmão Renato Tupan na saída dos atletas do ginásio do Parque San Rafael
A seleção masculina terá como chance derradeira de carimbar o passaporte para Londres disputando um Pré-Olímpico mundial, que ocorrerá na Espanha entre 6 e 8 de abril do ano que vem. O Brasil disputará duas vagas ao lado da própria Espanha (terceira colocada no último Mundial), Islândia (sexta colocada) e o segundo melhor classificado do Campeonato Europeu, marcado para o próximo mês de janeiro. Se há alguma esperança é a lembrança do jogo duro contra os espanhóis em Pequim 2008, quando o Brasil ficou fora das quartas de final com uma derrota apertada: 36 a 35.

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Tupan não resistiu e emocionou quem estava por perto ao abraçar o irmão Rafael, todo fantasiado ao lado de diversos familiares dos atletas que fizeram festa durante todo o jogo na arquibancada do ginásio do Parque San Rafael. Deu entrevistas antes de sair da quadra segurando as lágrimas, voz baixa, semblante abatido. Atribuiu o resultado ao fator psicológico. Para Renato Ruy, o Brasil , mais uma vez, entrou na provocação argentina.

“Foi mais demérito nosso do que mérito deles, a frustração é maior ainda. O time deles não estava bem fisicamente. Nós treinamos demais, ficamos meses longe das nossas famílias. Eles desequilibraram da única forma que poderiam, na parte emocional. Fomos para o lado da rivalidade e o jogo ficou equilibrado. Levamos punições desnecessárias, ficamos boa parte do jogo com um a menos. A gente caiu na brincadeira, vamos dizer assim. Quando vimos, não conseguimos mais voltar para o jogo”, lamentou.

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Time feminino de handebol da Argentina, derrotado pelas brasileiras na véspera, acompanhou a final
Vicente Seda/iG
Time feminino de handebol da Argentina, derrotado pelas brasileiras na véspera, acompanhou a final
Indagado sobre as chances de classificação para as Olimpíadas, gaguejou, com motivo. “As chances são...É... São bem... O Pré-Olímpico é bem difícil. Vamos enfrentar seleções europeias que são, vamos falar assim, de outro calibre. Mas vamos nos preparar. Só acaba quando não tivermos mais chances. A gente perdeu o jogo na parte emocional, estávamos mais preparados, mas nos deixamos levar”.

Fernando Pacheco, o Zeba , concordou com Tupan. Para ele, o excesso de punições prejudicou o jogo do time brasileiro, que não conseguiu impor seu ritmo. “A gente tinha conversado sobre isso. Jogar contra a Argentina com um a menos é um pouco complicado. Mas são coisas do jogo. Todos erramos, não tem culpado. Não tivemos competência para matar o jogo no primeiro tempo. Ninguém esperava, mas temos de acreditar. Vamos nos matar de tanto treinar”.

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O goleiro Maik preferiu enaltecer a preparação que foi feita para o Pan e apelou para um bordão mais do que conhecido no meio. “Infelizmente a Argentina foi superior. O esporte é assim. Um dia você ganha, no outro perde. Não foi o nosso dia”.

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